Ministro do Ensino Superior quer fim das Comissões de Praxes

O Ministro do Ensino Superior, Manuel Heitor, pediu o fim das Comissões de Praxe. Heitor considera “inadmissível” o poder destes órgãos, alertando também que o fim da praxe não se decreta apenas com a sua proibição dentro do recinto. A Federação Académica de Lisboa defende que “proibir a praxe no campus não é mais do que um mecanismo de desresponsabilização“.

Manuel Heitor

Manuel Heitor

Sem apontar exemplos concretos, Manuel Heitor disse que “não é aceitável que um presidente de uma associação de estudantes esteja sentado numa tribuna [durante um desfile académico] ao lado de um presidente de uma comissão de praxes”. Ao Panorama, André Santos Pereira, presidente da Federação Académica de Lisboa acrescenta que “não deve existir qualquer vinculação” entre Comissões de Praxe e associações académicas, isto porque “cumprem propósitos distintos mas sobretudo porque os dirigentes das associações académicas e de estudantes são eleitos pelos seus pares como legítimos representantes de todo o universo estudantil, e não apenas dos que aderem a iniciativas de praxe“.

Manuel Heitor foi até mais longe ao comparar o funcionamento de algumas comissões de praxe a “organizações secretas”, apontando precisamente esse motivo como a principal dificuldade no que toca às instituições de ensino superior em pôr fim a estas estruturas.

O governo tem actualmente encomendado um estudo sobre a praxe mas não adianta quais poderão ser os próximos passos deste processo. O Ministro do Ensino Superior pediu ainda às direcções das instituições e às estruturas académicas que não limitem a prática da praxe apenas dentro das instalações, opinião que é partilhada por André Santos Pereira que considera que “proibir a praxe no campus não é mais do que um mecanismo de desresponsabilização pelos actos associados a esta prática” e que as instituições “não podem fechar os olhos“.

No entanto, ao Diário de Noticias, João Redondo da Associação Portuguesa de Ensino Superior Privado diz que fora das escolas não há praxes, há comportamentos criminosos e que devem ser punidos como tal. O presidente da Federação Académica de Lisboa ressalva ao Panorama que “no que a iniciativas de integração diz respeito, importa acima de tudo garantir que nenhum estudante é coagido a realizar uma prática com que não se identifica” e que compete assim às instituições em parceria com as associações académicas “promover iniciativas diversificadas de integração, transversais a todos os estudantes da instituição e que constituam veículos para o integração e participação activa na comunidade, independentemente dos mesmos aderirem a iniciativas de praxe ou não“.

Descomplicador:

O Ministro do Ensino Superior, Manuel Heitor, criticou a existência de comissões de praxe e a proibição da praxe apenas dentro do recinto das instituições. Ao Panorama, o presidente da Federação Académica Académica diz que as instituições em parceria com as associações académicas devem “promover iniciativas diversificadas de integração, transversais a todos os estudantes”.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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