Combate aos incêndios passou de “missão” a “negócio”

Um post na página de Facebook da Associação de Oficiais das Forças Armadas traduz uma vontade de regressar ao passado. Os oficias querem que os meios aéreos voltem a estar centralizados na Força Aérea depois de, segundo o presidente António Mota, terem sido afastados dessa competência pelo “poder político”.

“Parece impossível”. É desta forma que começa o post da AOFA (Associação de Oficiais das Forças Armadas). Através do Facebook, o Coronel João Marquito, vogal do Conselho Nacional da associação, afirma que o combate aos incêndios florestais, com recurso a meios aéreos, passou de “missão” a “negócio”. “É um crime de lesa-pátria”, acrescenta António Mota, presidente da Associação.

Associação de Oficiais das Forças ArmadasEm causa está a passagem do controlo dos meios aéreos por parte dos oficiais da Força Aérea para empresas privadas. No pequeno texto produzido na página da Associação naquela rede social, são denunciados os bastidores dos combates aos incêndios. Pelas palavras de João Marquito é dito que, desde o final do século passado até aos dias de hoje, o combate aos fogos passou de “missão” a um “negócio”, “arrumaram-se os C-130, os kit MAFFS para os equiparem ficaram a apodrecer, os bombeiros exaustos, os meios de substituição não aparecem”, pode ler-se no post.

Num momento em que o debate sobre a utilização dos meios aéreos no combate aos incêndios está em cima da mesa, sobretudo focado no caso da ilha da Madeira que não dispõe de meios aéreos no seu território, os Oficiais propõe um regresso ao passado com o regresso das Forças Armadas ao campo de acção. António Mota concorda e reafirma a vontade de ajudar, “os militares estão preparados e interessados nessa missão”.

Os membros da AOFA não esqueceram ainda a última acção do Ministério da Administração Interna, sobre este tema, relembrando que, este ministério “recusou entregar à Força Aérea, a gestão e operação dos meios aéreos de combate a incêndios, bem como os de emergência médica, optando por manter o actual estado de coisas”. O dedo volta a ser apontado ao “negócio” em que o combate aos fogos se transformou, com “várias entidades, várias frotas, cada uma no seu “interesse” e custos acumulados para todos, incluindo contratação dentro e fora do país. O presidente da AOFA declara que os militares querem ajudar, mas que lhes foi retirada essa competência; António Mota aponta o dedo ao que, para ele, é o principal responsável para a entrada em cena das entidades privadas neste sector: o “poder político”.

A AOFA, pelas palavras do Coronel João Marquito, reafirma as vantagens da centralização da utilização dos meios aéreos por parte da Força Aérea Portuguesa, destacando os “custos reduzidos para o erário público, bem como a poupança em termos de manutenção (dado o background existente) e uma logística dos meios incomensuravelmente mais rápida e operacional”.

Estudo na gaveta

Força Aérea IncêndiosO executivo de Pedro Passos Coelho pediu um estudo sobre a resposta aérea de combate aos incêndios, que tinha como objectivo devolver essa competência à Força Aérea.

António Mota reitera as garantias depositadas no relatório e explicou que nesse mesmo documento são identificados os meios que a Força Aérea precisaria de voltar a ter para assumir a responsabilidade.

O relatório apontava esta mudança para 2018, uma vez que 2016 e 2017 seriam anos de investimentos em equipamentos e infra-estruturas, ano de lucro para o erário público e altura em que, após o reforço das Forças Armadas, deixaria de ser necessário o recurso a meios privados. No entanto o documento, nas palavras do presidente da AOFA, ainda “continua numa gaveta”.

O relatório, “que continua numa gaveta”, nas palavras do presidente da AOFA, estima que “a partir de 2018 haveria um lucro para o erário público (2016 e 2017 seriam anos de investimento), uma vez que deixaria de ser necessária a contratação de meios privados para fazer o ataque aéreo às chamas”.

Descomplicador:

A Associação de Oficiais das Forças Armadas publicou ontem uma mensagem onde critica o método de gestão dos meios aéreos de combate aos incêndios, criticando o facto de os mesmos não estarem afectos à Força Aérea como acontece em inúmeros países.

ygztbykr@eelmail.com'
Publicado por: Tomás Gomes

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *