CDS reage à “bomba” de Hélder Amaral em Angola

O deputado do CDS Hélder Amaral, representou os centristas no congresso do MPLA em Angola, onde também estiveram presentes o PCP, o PS e o PSD. À margem do evento, Hélder Amaral disse que o CDS e o MPLA “têm agora muito mais pontos em comum”, declarações que não caíram bem dentro do partido com várias figuras a demarcarem-se, incluindo um vice-presidente.

Hélder AmaralHélder Amaral manifestou satisfação pelo convite formulado pelo MPLA, dizendo que “pela primeira vez que nos convidaram, estamos presentes”, mostrando vontade em “fortalecer essa relação” que já existia a nível parlamentar. O deputado centrista disse ainda que o CDS está disponível para que “no fundo tentar que se perceba que esses dois países têm ligações que ultrapassam qualquer dificuldade”.

O deputado do CDS disse ainda que a aproximação deu-se porque o CDS “sabe ler os tempos, os sinais, adaptar-se e actualizar-se”. As declarações de Hélder Amaral não caíram bem junto de vários sectores, incluindo junto da direcção do partido que já se demarcou por intermédio de Adolfo Mesquita Nunes, vice-presidente do partido.

Ao Expresso, Adolfo Mesquita Nunes diz que a direcção do CDS está “em choque” com as declarações do seu deputado, que acusou de “excesso de voluntarismo”. “o CDS não subscreve o entendimento das palavras de Hélder Amaral que presumem uma alteração das posições do partido relativamente à democracia e ao pluripartidarismo em Angola”, disse o vice-presidente do CDS.

Um dos primeiros a demarcar-se destas declarações foi a Juventude Popular, que através do seu presidente, Francisco Rodrigues dos Santos, disse que “há palavras que extravasam gravemente a mera cortesia e o salutar institucionalismo”, acrescentando que “para o CDS e o MPLA evidenciarem hoje muitos pontos em comum, sendo ideológica e pragmaticamente a negação um do outro, algum há-de ter mudado radicalmente”. O presidente da Juventude Popular afirmar ainda que “para que não subsistam equívocos, garanto que a Juventude Popular não se revê em nenhuma outra força juvenil que baseia a sua matriz no Marxismo-Leninismo”.

O deputado do CDS, Filipe Lobo D’Ávila, que está mais distante desta direcção centrista, publicou também no seu Facebook um post de tom irónico onde pergunta se “há alguém da direcção do CDS que possa interromper as férias para vir esclarecer a doutrina internacional do Partido?”.

O ex-parlamentar Michael Seufert também utilizou a ironia para comentar as declarações de Hélder Amaral, dizendo que “eu partidos da Internacional Socialista só para exemplo de como não gerir um país”.

Descomplicador:

As declarações de Hélder Amaral, deputado do CDS, no congresso do MPLA caíram mal junto de vários sectores dos centristas, incluindo da direcção que já se veio demarcar. A Juventude Popular foi a primeira a colocar-se à margem destas declarações.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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