Líder do Bloco de Esquerda revela dificuldades da “geringonça”

A líder do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, revelou em entrevista ao jornal Público um conjunto de dificuldades pelas quais o Bloco tem passado desde que decidiu dar o seu apoio parlamentar ao governo do Partido Socialista. Do lado do governo e da oposição, a entrevista está a gerar interpretações divergentes.

Catarina MartinsCatarina Martins assume que “há uma dificuldade acrescida” e que o Bloco tem “o pior de dois mundos” pela relação de forças que tem que manter por não estarem nem na oposição nem o executivo. Catarina Martins disse mesmo que “todos os dias” se arrepende de integrar a geringonça por ser confrontada com limitações diariamente.

Ainda assim, a líder bloquista acrescenta que “enquanto os objectivos que estiverem a ser traçados forem cumpridos, cá estamos. Com as dificuldades de todos os dias”, e que “custa” lidar com as limitações diárias do acordo. Catarina Martins definiu como as duas prioridades da “geringonça”: “travar o empobrecimento do país e afastar a direita do governo”, objectivos que a mantêm firme neste acordo.

Catarina Martins considera ainda que um dos maiores riscos do país é perder o controlo sobre o sistema financeiro, perdendo assim a “capacidade de decisão” sobre a estratégia para o país. A líder bloquista ainda não desistiu da ideia da reestruturação da dívida, considerando uma medida essencial para o país. Para Catarina Martins, “a dívida pública sangra os recursos do país” e que o país precisa de “recursos para ter emprego, investimento e Estado Social”.

“Governo grego capitulou à pressão europeia”

SyrizaA relação entre o Bloco de Esquerda e o Syriza também foi abordada, com Catarina Martins a lamentar o facto do partido ter sido assobiado na convenção bloquista, mas afirmando que o problema do Syriza foi ter “capitulado à pressão europeia” e que o próprio Bloco “aprendeu muito com o que aconteceu na Grécia”.

Para Catarina Martins, “um Governo que quer proteger o seu povo tem de estar preparado para o confronto europeu”, algo que o Syriza não fez, marcando assim uma “aprendizagem muito dura para toda a esquerda” que ficou a saber que “não pode confiar nas regras europeias”.

Apesar de hoje, “BE e o Syriza hoje terem relações “mais distantes”, a líder do Bloco de Esquerda entende que os dois partidos devem continuar a conversar, considerando “um erro” e uma arrogância não o fazer, garantindo ainda que “o Syriza continua a ser convidado para a Convenção do BE, mesmo com as diferenças sobre o que se está a passar”.

Descomplicador:

Catarina Martins deu uma entrevista ao jornal Público, onde revelou as dificuldades diárias pelas quais passa a “geringonça”, revelando que “todos os dias” se arrepende de ter firmado o acordo, pela dificuldade que tem em encontrar um equilíbrio de forças.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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