A Venezuela de Maduro está cada vez mais pobre

É um país em crise, onde as pessoas fazem filas em supermercados cada vez mais vazios para terem acesso a produtos básicos. O Instituto Nacional de estatística do país sul-americano rompeu com o silêncio oficial e anunciou que o índice de pobreza aumentou 33%.

Os anteriores valores lançados eram relativos a 2013. Os dados divulgados mais recentemente dizem que em julho de 2015 havia dois milhões e meio de famílias pobres, das quais perto de 700 mil estavam em situação de pobreza extrema.

venezelaÉ de registar que os números apresentados se referem a famílias e não a indivíduos, tendo em conta que no país residem de 30 milhões de pessoas. Destas, segundo uma pesquisa do Observatório de Saúde feita no primeiro semestre do ano passado, 12.1% fazia duas ou menos refeições por dia.

Longas filas nos mercados

A crise financeira que tem assolado o país condiciona o abastecimento dos produtos nos supermercados e são frequentes as queixas dos cidadãos que dizem ter dificuldades para conseguir produtos básicos e medicamentos.

Há relatos de longas filas, como contou à Lusa Juan Perez, pedreiro, de 45 anos, que fez perceber como funciona o racionamento: dispensa de mais de um dia útil, por vezes os sábados e domingos, para poder ir esperar nas filas e obter os produtos de que necessita e que são importados. Esse dia deve corresponder ao último número do seu bilhete de identidade.

Além dos preços elevados, (o país enfrentava em maio deste ano uma inflação de até 700%), Juan Perez conta que já teve de sair às 04:00 da manhã, esperar na fila, e ao fim do dia só ter conseguido comprar uma garrafa de óleo. Outros, ou chegam tarde demais, ou não têm dinheiro.

O Instituto Nacional de Estatística da Venezuela diz que se regista um progressivo aumento da pobreza, a que se soma a insatisfação de grande parte da população. O Observatório da Saúde concluiu que 87% da população afirma que os seus rendimentos não são suficientes para manter a qualidade de vida, nomeadamente a nível da alimentação.

Impopularidade de Maduro

Ao longo dos últimos anos, Nicolas Maduro tem enfrentado centenas de protestos na rua e uma oposição que o quer depor. Foram entregues perto de dois milhões de assinaturas ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE), que pedem para que o atual Presidente da Venezuela seja afastado. Contudo, têm de ser verificadas e, por isso, o CNE chamou de novo os assinantes para validar os pedidos entregues com impressões digitais.

De acordo com uma pesquisa divulgada pelo Instituto Datanálisis, o atual Presidente da Venezuela seria deposto com 75% dos votos se o referendo se realizasse ainda este ano. Nessa situação, quem assumiria o cargo seria o vice-presidente, Aristóbulo Istúriz.

A popularidade de Nicolas Maduro decresceu a pique com a crise que assola o país, traduzindo-se no Chefe de Estado em 21,1%. É o menor valor nos últimos 9 meses.

Descomplicador:

A popularidade de Nicolas Maduro cai a pique enquanto a crise no país continua a aumentar. Os números são impressionantes: o índice de pobreza aumentou 33% e 12,1% das famílias fazem apenas uma refeição ou menos por dia.

zdkoexdm@anappthat.com'
Publicado por: Luís Fernandes

19 anos. Estudante de jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social em Lisboa. Desde cedo que soube o caminho que queria trilhar e que passava, sem qualquer dúvida, pela comunicação: o jornalismo – a vontade de informar, a forma de oferecer a quem lê, ouve ou vê, uma oportunidade para mudar e fazer mudar.

Atualmente é coordenador dos Noticiários da ESCS FM e colabora com a ESCS Magazine.

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