Medina ignorou relatório sobre a 2ª circular. Ex-vereador aponta motivos eleitorais para a suspensão

Segunda Circular LisboaA Câmara Municipal de Lisboa ignorou um relatório que tinha alertado para os riscos do piso que seria implementado na Segunda Circular. Ao que avança o Observador, o relatório alertava para a falta de estudo sobre o efeito dos materiais em Portugal. Já o Diário de Noticias avança que a obra foi interrompida porque o fabricante do pavimento era a mesma empresa que tinha efectuado o projecto de requalificação.

Segundo o relatório, os estudos necessários para entender a reposta do pavimento em Portugal iriam atrasar a obra, o que colidia com os interesses do presidente da autarquia, Fernando Medina. O documento apontava então como recomendação que “a experimentação deste tipo de solução inovadora, independente do seu potencial, deveria ser reservada a vias de menor importância e com menor exposição pública e política e com melhores condições de execução”.

A assessoria de comunicação da Câmara de Lisboa disse ao Observador que o relatório não apontou qualquer falha técnica mas sim um “juízo de valor” e que assim “não será a primeira, nem a segunda ou terceira vez que a Câmara Municipal de Lisboa recorre a soluções técnicas inovadoras em Portugal” e que “se todas as soluções inovadoras no nosso país fossem rejeitadas, por esse facto apenas, a CML ainda continuaria a usar soluções técnicas do século passado, desatualizadas e menos confortáveis para os cidadãos”.

A Consulpav, empresa que efectuou o projecto, impôs que o tipo de piso utilizado teria que ser o que a empresa comercializava, não admitindo qualquer alteração nesta matéria. Este foi aliás o motivo apontado por Fernando Medina quando comunicou a suspensão do projecto.

Entretanto, Fernando Nunes da Silva, ex-vereador com o pelouro da mobilidade no mandato de António Costa, disse à SIC que “é perfeitamente impensável que num processo que tem mais de um ano, só agora se descubra que há conflito de interesses”. acrescentando que este decisão é “um bode expiatório para ter uma atitude de bom senso” porque “alguém chamou a atenção que se quiserem perder as autárquicas era começarem agora as obras”.

Descomplicador:

Fernando Medina terá ignorado um relatório que dava conta dos riscos de requalificar a Segunda Circular com o pavimento sugerido pela empresa que construiu o projecto

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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