Trump vs Clinton: As mentiras dos candidatos no debate

hillary-trumpDonald Trump vs. Hillary Clinton. O debate mais esperado do ano aconteceu na madrugada deste terça-feira em Nova Iorque. Os dois candidatos menos populares de sempre na corrida à Casa Branca estiveram pela 1ª vez frente-a-frente. Durante 90 minutos, discutiram prosperidade, economia, segurança e temas sociais como a violência policial nos Estados Unidos. No fim, fizeram-se as contas. Quem ganhou o debate? A grande maioria dos analistas aponta Hillary Clinton como vencedora. Mas nem tudo o que foi dito ao longo do debate é verdade. Quem foi o candidato que mais mentiu? Vejamos.

As mentiras de Donald Trump

  1. “Sempre fui completamente contra a guerra no Iraque”. Donald Trump tem vindo a recusar a ideia de que algumas vez tenha apoiado a guerra no Iraque. Mas esta afirmação não podia estar mais errada. O magnata, numa entrevista em 2002 ao jornalista Howard Stern, cujo áudio foi recentemente revelado, afirma ser a favor da invasão do Iraque. É certo que a guerra começou apena um ano depois. Mas mesmo nessa altura, mais concretamente em março de 2003, numa entrevista à Fox News, o candidato republicano afirmou que a guerra estava a revelar-se “um enorme sucesso”.
  2. “NAFTA foi assinado por Bill Clinton”. O acordo comercial entre os países da América do Norte foi apoiado pelo marido da candidata democrata. Mas foi o republicano George H. W. Bush, enquanto presidente dos EUA, quem negociou e assinou o acordo.
  3. “Nunca disse que o aquecimento global é um embuste levado a cabo pela China”. Esta afirmação surge no debate em resposta a uma provocação de Hillary Clinton. Mas Donald Trump voltou a mentir. A 6 de novembro de 2012 o candidato republicano escreveu no Twitter que “o aquecimento global foi criado pelos chineses para tornar o fabrico norte-americano menos competitivo”. Entretanto o tweet foi apagado da rede social.

As mentiras de Hillary Clinton

  1. “Nos últimos sete anos e meio criámos 15 milhões de novos postos de trabalho”. Este dado é falso. Desde que Obama assumiu a presidência foram criados 10, 4 milhões de novos postos de trabalho. De onde vêm os restantes 4,6 milhões de que Clinton fala? A verdade é que foram criados cerca de 15 milhões nos últimos seis anos e meio. A candidata democrata começa a contar desde o ponto em que começou a recuperação de postos de trabalho, no início de 2010. Mas por essa altura, a presidência de Obama já durava há mais de um ano e tinham sido destruídos mais de 4 milhões de postos de trabalho. Ou seja, Hillary Clinton não só ignora o primeiro ano da presidência de Obama, como omite o facto de terem sido destruídos milhões de postos de trabalho nesse período.
  2. “Os únicos dados fiscais que conhecemos de Trump são referentes a dois anos em que o candidato não pagou os impostos que devia”. Embora seja certo que Trump é o único candidato que ainda não tornou públicos os dados referentes ao pagamento de impostos são conhecidos cinco anos de tributação do magnata, não apenas dois, como refere Clinton. Os dado conhecidos dizem respeito aos anos de 1975 a 1979. Nestes cinco anos, Trump pagou imposto nos três primeiros sem que fosse necessário qualquer ajustamento fiscal. O mesmo não acontece para os último dois.

Certo é que Hillary Clinton baseou a maior parte da sua argumentação em factos verídicos. Embora tenha resvalado em alguns números, o que é certo é que a candidata democrata revelou estar bem preparada para o debate e quase não foi apanhada a mentir. Já Donald Trump apresentou-se mal preparado e caiu por diversas vezes em mentiras.

Descomplicador:

Mal terminou o debate entre Trump e Clinton, seguiram-se as análises aos factos. O Panorama fez um apanhado das principais mentiras que os candidatos disseram ao longo dos 90 minutos. Ao contrário do que aconteceu com o debate em si, quem ganhou desta vez foi Donald Trump.

 

Publicado por: José Pedro Mozos

23 anos, natural de Lisboa. Aos dezasseis anos percebeu que a sua vocação era o jornalismo. Licenciado em jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós graduado em Jornalismo Multiplataforma pela FCSH – Universidade Nova de Lisboa. Entre março de 2016 e junho de 2017 passou pela SIC Notícias. Faz parte da editoria de política da Revista VISÃO desde julho de 2017. Acredita no jornalismo como sendo um dos pilares de qualquer democracia. Atualmente, faz parte do Conselho Editorial do Panorama.

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