PSOE está em crise e vêm aí eleições primárias

Pedro Sanchez PSOEO PSOE está a viver uma crise interna. Esta quarta-feira 17 membros do comité executivo do partido socialista espanhol pediram a demissão. O objetivo era forçar o líder Pedro Sánchez a deixar o cargo de secretário-geral. A demissão de Sánchez não aconteceu. Mas foram marcadas eleições primárias para 23 de outubro e um congresso extraordinário para os dias 12 e 13 de novembro.

Ao mesmo tempo, Susana Díaz, secretária-geral do PSOE da Andaluzia e presidente autonómica da região, já começou as reuniões para garantir apoios a uma eventual candidatura. Díaz é tida como a principal adversária de Pedro Sánchez dentro do partido. E embora ainda não tenha anunciado se avança ou não contra o líder do partido os sinais dessa movimentação são cada vez mais claros.

Devido às críticas de que o PSOE e o seu líder têm sido alvo depois dos maus resultados nas eleições legislativas de junho, Sánchez já tinha anunciado a intenção de convocar eleições primárias e um congresso extraordinário antes do fim do ano. No entanto, muitos socialistas queriam a demissão imediata do líder e as movimentações internas começaram e traduziram-se na demissão dos 17 membros do comité executivo. Segundo os estatutos do partido, para que haja uma demissão imediata do líder mais de metade do comité tem de renunciar. Ora, o comité conta atualmente com 35 membros e os 17 demissionários não são suficientes para derrubar Sánchez.

Mas a mensagem foi clara e o líder socialista aceitou antecipar os prazos que tinha previsto tanto para as eleições primárias como para o congresso extraordinário.

Felipe González foi a gota de água

Embora as críticas ao líder e à sua recusa em aceitar um governo do PP com apoio do Ciudadanos já existissem há muito tempo houve foram umas declarações de Felipe González que precipitaram a demissão em bloco. Ao início desta quarta-feira, horas antes da renúncia dos 17 membros do comité executivo, o histórico socialista disse que Pedro Sánzhes o tinha enganado ao garantir que o PSOE se iria abster na investidura do Governo do PP: os socialistas votaram contra. Recorde-se que a abstenção do PSOE seria sufciente para Mariano Rajoy poder formar Governo.

Esta revelação de Felipe González foi assim a gota de água que impulsionou a demissão em bloco. González é, como muitos outros socialistas, contra um governo minoritário dos socialistas com o apoio das esquerdas – uma solução “à portuguesa”, como referem os media espanhóis. O histórico socialista terá tentado convencer Pedro Sánzhez a deixar o PP, partido mais votada nas últimas eleições. Segundo González, o secretário-geral do PSOE terá garantido a abstenção do partido na sessão de investidura mas tal não se verificou.

O PSOE vive assim momentos decisivos rumo ao futuro do partido mas também de Espanha, já que uma mudança na liderança do partido pode permitir a Mariano Rajoy uma 2ª tentativa de formar governo mas desta vez com sucesso.

Descomplicador:

O PSOE atravessa uma crise interna depois de nesta quarta-feira 17 membros do comité executivo dos socialistas terem pedido a demissão. A intenção era forçar Pedro Sánchez a abandonar o cargo de secretário-geral. Apesar de Sánchez não ter renunciado, foram marcadas eleições primárias para 23 de outubro com vista a escolher o próximo líder do PSOE.

Publicado por: José Pedro Mozos

23 anos, natural de Lisboa. Aos dezasseis anos percebeu que a sua vocação era o jornalismo. Licenciado em jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós graduado em Jornalismo Multiplataforma pela FCSH – Universidade Nova de Lisboa. Entre março de 2016 e junho de 2017 passou pela SIC Notícias. Faz parte da editoria de política da Revista VISÃO desde julho de 2017. Acredita no jornalismo como sendo um dos pilares de qualquer democracia. Atualmente, faz parte do Conselho Editorial do Panorama.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *