Morreu o Rei da Tailândia e o luto vai durar um ano

tailandiaBhumibol Adulyadej era o monarca há mais tempo no trono. Durante 70 anos, o rei da Tailândia governou o país e garantiu a estabilidade possível nos momentos mais conturbados durante as sete décadas que esteve no poder, incluindo dois golpes de estado nos últimos dez anos (2006 e 2014). Bhumibol Adulyadej morreu na passada quinta-feira aos 88 anos. O país ainda chora a morte do rei, e o luto vai durar um ano.

A imagem do monarca era consensualmente bem vista por toda a população. Apesar de nos últimos dois anos não ter comparecido a qualquer cerimónia pública, Bhumibol Adulyadej gozava de uma enorme popularidade entre os tailandeses. Apesar de o monarca sofrer de uma doença prolongada, a sua morte foi recebida com choque e tristeza pelo povo tailandês.

Nos primeiros 30 dias de luto nacional, todos os funcionários públicos devem usar roupa escura ou preta, em homenagem ao rei. Mas o luto não se vai refletir apenas na função pública. Todos os eventos culturais agendados para o próximo mês foram cancelados e as emissões a cores dos canais televisivos estão suspensas. As transmissões, maioritariamente focadas na figura do rei, são a preto e branco.

Contactada pelo Panorama, a Embaixada de Portugal na Tailândia aconselha todos os portugueses que residam no país “a respeitarem o período de luto de um ano, promulgado pelas autoridades tailandesas“. A embaixada avisa ainda que nos primeiros 30 dias de luto “estabelecimentos comerciais como bares e discotecas poderão encontrar-se encerrados ao público“.

O luto está presente em todas as partes e até palácios e templos estão encerrados para “chorar a morte do rei”. Um país em standby, que tenta ultrapassar a inevitável morte de um monarca adorado, exacerbando as manifestações de luto para assinalar a tristeza da população.

O sucessor impopular

Se a nível nacional a morte do rei marca a agenda, a nível internacional é sobretudo a sucessão que preocupa. O príncipe Maha Vajiralongkorn, de 64 anos, vai assumir o reinado depois de um reinado marcado pela estabilidade e segurança. Mas se o desafio já é grande por si só, maior se torna quando a figura do sucessor não gera confiança. Vajiralongkorn tem-se visto envolvido em diversas polémicas e a sua imagem, quer dentro quer fora da Tailândia, é maioritariamente negativa.

O príncipe herdeiro foi casado três vezes e todas as uniões acabaram em divórcio. Desde vídeos em que aparece em festas ao lado de uma das ex-mulheres semi-nua até às inúmeras viagens que Vajiralongkorn faz, distanciando-se da população, são vários os episódios que mancham a imagem do príncipe.

A data da sua coroação ainda pode demorar a ser anunciada e estabelecida, precisamente para não gerar a contestação dos tailandeses. A desconfiança em relação ao sucessor é tanta, que o próprio primeiro-ministro foi obrigado a falar aos investidores, numa declaração pública, garantindo que a estabilidade vai continuar, pedindo para não deixarem de investir quer “seja na bolsa, comércio, investimento ou sector empresarial”.

A incerteza começa assim a surgir no meio de um país que ainda chora a morte do monarca que mais tempo esteve no poder.

Descomplicador:

Bhumibol Adulyadej, rei da Tailândia, morreu aos 88 anos, depois de um reinado que durou 7 décadas, e o país vai estar de luto durante um ano. Nos primeiros 30 dias, os eventos culturais foram cancelados e os canais televisivos apenas transmitem a preto e branco. A sucessão é agora o grande fator de preocupação, quer a nível interno quer a nível externo.

Publicado por: José Pedro Mozos

23 anos, natural de Lisboa. Aos dezasseis anos percebeu que a sua vocação era o jornalismo. Licenciado em jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós graduado em Jornalismo Multiplataforma pela FCSH – Universidade Nova de Lisboa. Entre março de 2016 e junho de 2017 passou pela SIC Notícias. Faz parte da editoria de política da Revista VISÃO desde julho de 2017. Acredita no jornalismo como sendo um dos pilares de qualquer democracia. Atualmente, faz parte do Conselho Editorial do Panorama.

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