E depois da “selva”?

Começou esta segunda-feira o prometido desmantelamento do enorme campo de refugiados de Calais, no norte de França, celebrizado por um triste cognome: “a selva”. Mas se o fim do abrigo polémico abrigo, prometido pelo Governo francês no final de setembro, poderia parecer uma boa notícia, resta colocar uma questão: afinal, para onde é que se vai depois de passar por esta “selva”?

São entre seis a oito mil migrantes à espera de realojamento e a maior parte deles vem de países como o Afeganistão, o Sudão ou Eritreia com uma esperança bem definida: entrar no Reino Unido. Numa altura em que a saída da União Europeia continua a ser discutida, o país rejeita receber números altos de refugiados mas faz uma cedência: no Reino Unido poderão entrar crianças que pretendam reunir-se com as famílias, já instaladas em território britânico.

Refugiados

No entanto, este aspecto preocupa o Governo francês: afinal, o acordo entre Reino Unido e França é que o primeiro país, ligado diretamente pelo Canal da Mancha, deve receber as crianças presentes no campo de refugiados – são perto de 1300, segundo o “The Guardian”, e para a ONU vivem uma experiência “stressante e perturbadora”. Entre sábado e domingo, já 78 crianças entraram em território britânico.

Um tiro no escuro depois da selva

Para os mais velhos, o processo de realojamento pode ser um tiro no escuro: segundo o mesmo jornal, aos migrantes é mostrado um mapa de França dividido em duas regiões entre as quais podem escolher, sem lhes ser dada qualquer explicação sobre o lugar específico em que se instalarão.

De seguida, a cada migrante é dada uma pulseira de acordo com o destino “escolhido” e todos se dirigem aos respectivos autocarros – uma operação que se antevê potencialmente violenta e para a qual foi destacado um forte contingente policial, uma vez que se alguns migrantes querem ficar em França e pedir asilo, outros continuam a ter a intenção de tentar chegar ao Reino Unido.

Operação mais veloz do que o esperado

Esta segunda-feira, as autoridades francesas entraram no campo pelas 6h15 locais, depois de terem explicado tenda a tenda qual seria o destino dos milhares de migrantes ali instalados. Segundo o jornal Público, haverá 145 autocarros a transportar os migrantes para 300 centros de acolhimentos noutros pontos do país; a operação deverá concluir-se, estima o Governo francês, até ao final da semana.

A julgar pelo decorrer da operação, o objetivo poderá ser alcançável: ao final da tarde desta segunda-feira, as autoridades francesas esclareciam que o ritmo do realojamento está a decorrer de forma mais célere do que o esperado e que 3000 migrantes já seguiram para os centros que os irão acolher no primeiro dia do processo de recolocação.

Descomplicador:

Já começou a ser desmantelado o enorme campo de refugiados de Calais, no norte de França. Até ao final desta semana, os seis a oito mil residentes deverão ser realojados em centros de acolhimento noutras partes do país.

Publicado por: Mariana Lima Cunha

21 anos, natural de Oeiras. Licenciada em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós-graduada em Comunicação e Marketing Político pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Jornalista online do Expresso

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