A Casa Branca está mesmo guardada para Hillary Clinton?

Primeiro, uma candidatura inesperada e inexperiente. Depois, meses de corrida – os adversários a desistir, o partido a resistir, todos a ceder. As nomeações oficiais. Outubro: a adversária principal em grande, os debates a correrem-lhe visivelmente melhor, aquela gravação terrível de 2005 e as acusações de assédio. E depois, quase em novembro: o FBI a falar de novos emails encontrados no computador do democrata Anthony Weiner, a confusão lançada apenas para depois confirmar que tudo fica como estava – e que não haverá motivos para abrir nova investigação.

No meio de tudo isto, por entre curvas e contracurvas, uma quase-certeza permaneceu bastante firme entre os especialistas norte-americanos: a vitória de Hillary Clinton estaria praticamente assegurada, sendo a candidatura de Trump uma espécie de concretização extrema do voto de protesto. Mas chegados ao tão esperado dia das eleições nos Estados Unidos, há quem continue a apontar para uma vitória – ou, pelo menos, para possibilidades altas de isso acontecer – para o lado republicano.

Um modelo infalível?

Donald TrumpUm dos primeiros alarmes a soar foi a previsão do professor Alan J. Lichtman, professor de história na American University e autor de “Predicting Next President: The Keys to White House 2016” mais conhecido por uma espécie de dom invulgar: é que Lichtman não falha uma previsão sobre o vencedor das eleições presidenciais norte-americanas desde 1984.

O modelo do professor baseia-se num conjunto de treze afirmações, que podem ser classificadas como verdadeiras ou falsas, construídas a partir da observação histórica das eleições entre 1860 e 1980. Se seis delas forem falsas, o modelo prevê que o partido atualmente no poder perca a Casa Branca – o que, previu Lichtman em setembro (altura em que a sexta chave necessária se concretizou – o terceiro partido mais votado passou a conquistar mais de 5% dos votos), irá acontecer ao Partido Democrata nestas eleições. Hoje, o professor continua a manter a previsão – “esta eleição tem potencial para mudar as bases da nossa forma de fazer política”, recorda ao “Washington Post”.

As sondagens que nos podem falhar

Outra das previsões que tem vindo a assustar os democratas é a de Nate Silver, editor-chefe do website “Five Thirty Eight”, especializado em previsões e modelos de sondagens. Ao contrário dos outros modelos mais conhecidos e utilizados no caminho até à Casa Branca, Silver não tem assim tanta certeza de que a vitória seja certa para Clinton – se o Huffington Post prevê que a candidata tenha 98% de hipóteses de se instalar na Casa Branca e o New York Times arrisca 85%, o modelo de avança avança com 67% de hipóteses para Clinton, atribuindo a Trump um número anormalmente alto (mais de 30%).

As últimas semanas foram determinantes para esta previsão e resultaram também numa diminuição da vantagem de Clinton a nível nacional (Silver recorda que Clinton, adiantada por sete pontos a meio de outubro, passou a registar na maioria das sondagens um avanço de três a quatro pontos em relação a Trump) – “Trump está três pontos atrás de Clinton, e muitas vezes há erros por uma margem de três pontos nas sondagens”, afirma, citado pelo “Huffington Post”.

A vergonha, um fator político

Se a campanha de Trump confia no regresso de republicanos e votantes brancos que não votaram em 2012 e dos mais desconfiados em relação ao sistema político, mais confiante terá ficado após a reta final da campanha, em que Clinton se voltou a ver a braços com acusações em relação ao uso de um servidor privado para emails de trabalho enquanto era Secretária de Estado e Trump conseguiu finalmente aceitar os conselhos dos seus estrategas e voltar à sua mensagem e ao guião, com menos tweets e explosões que poderiam ser prejudiciais.

Um fator extra poderá ser levado em consideração – é que alguns especialistas chamam a atenção para um possível retrato demográfico em vários estados (Trump terá ao seu lado as pessoas mais velhas e com menos educação, assim como as que veem mais televisão; Clinton contará com maior apoio das comunidades afro-americana, latina e dos mais novos e com um nível de educação mais alto) que subestime a quantidade de eleitores brancos ou até que alguns respondentes nas sondagens se sintam “envergonhados” por admitirem que votarão em Trump mas depois o façam no momento da decisão, relatam meios como o “Politico” e a “Esquire”. Tudo isto poderá indicar uma tendência surpreendemente positiva para Trump – o resto só saberemos na madrugada desta quarta-feira, quando será eleito o novo Presidente dos Estados Unidos da América.

Descomplicador:

Hillary Clinton pode liderar nas sondagens, mas ainda há quem aposte em Trump – e alguns fatores apontam para que a tendência de voto no candidato possa estar a ser subvalorizada.

Publicado por: Mariana Lima Cunha

21 anos, natural de Oeiras. Licenciada em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós-graduada em Comunicação e Marketing Político pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Jornalista online do Expresso

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *