O dia começou bem mas acabou perigoso para a União Europeia

Alexander Van der BellenO Domingo, 4 de Dezembro, era um dia aguardado com ansiedade por parte da União Europeia. Na Áustria, eleições presidenciais que podiam culminar com a eleição da extrema-direita. Em Itália, um referendo que podia levar à demissão de Matteo Renzi. No final do dia: na Áustria a extrema-direita ficou, para já, fora da liderança mas em Itália, Renzi anunciou a sua demissão depois da derrota no referendo sobre as reformas constitucionais.

 

Na Áustria, Alexander Van der Bellen, candidato independente apoiado pelos ecologistas, venceu com 53% dos votos, o candidato da extrema-direita, Nobert Hofer, do Partido da Liberdade. “Eu tenho, desde o início, lutado e argumentado a favor da noção de que a Áustria é um país pró-europeu”, disse Van der Bellen. Esta foi a primeira vez o centro-esquerda e o centro-direita não conseguiram levar um candidato à segunda volta, mas a situação não está já resolvida, tendo em conta que nas legislativas, o partido de extrema-direita é novamente um dos favoritos à vitória.

“Fazer política andando contra tudo é fácil”

Matteo Renzi

Já em Itália, Matteo Renzi somou uma estrondosa derrota, com o referendo sobre a reforma constitucional a ser chumbado com 59,6% dos votos contra 40,9%. Este resultado culminou na demissão de Renzi ao final da noite em Itália, sendo que neste momento a situação politica está ainda envolta em grande incerteza, existindo a possibilidade de se nomear outro Primeiro-Ministro afecto ao Partido Democrático.

No discurso onde assumiu a derrota, Matteo Renzi disse assumir “todas as responsabilidades desta derrota”, acrescentando que “como é evidente, a experiência do meu Governo termina aqui”. Renzi era Primeiro-Ministro há três anos e é o segundo líder europeu a demitir-se na sequência de um referendo, depois de David Cameron. Renzi deixou ainda um recado a Beppe Grilo, do Movimento 5 Estrelas, onde disse que “fazer política andando contra tudo é fácil. Fazer política a favor de algo é mais bonito. É mais difícil, mas é o mais bonito”.

Matteo Renzi foi o quarto Primeiro-Ministro que mais tempo esteve no cargo desde 1990. Neste momento o presidente italiano, Sérgio Matarella tem duas opções: ou dissolver o Parlamento e convocar eleições ou nomear um governo de transição para governar o país até à realização de eleições. Angela Merkel e a Alemanha manifestaram já alguma ansiedade quanto à situação, com a chanceler alemã a lamentar a saída de Renzi.

Descomplicador:

Na Áustria, a extrema-direita ficou, para já, fora da liderança, ao perder as presidenciais face ao candidato apoiado pelos ecologistas por 53%. Já em Itália, a “história” foi outra, com Matteo Renzi a pedir a demissão na sequência do chumbo do referendo convocado pelo seu governo, que iria implementar várias reformas constitucionais.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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