Giuliani não será próximo secretário de Estado dos EUA

Foram meses de especulação, mas as dúvidas chegaram ao fim nesta sexta-feira: afinal Rudy Giuliani, um dos mais fortes e polémicos apoiantes de Donald Trump e antigo mayor de Nova Iorque, não vai fazer parte da equipa governativa que o presidente eleito está a formar aos poucos, apesar de ter sido seu conselheiro durante a campanha.

O nome de Giuliani tem surgido associado ao de Trump com frequência, tendo o antigo mayor andado em campanha para o cargo de procurador-geral e mais recentemente para o ainda mais influente cargo de secretário de Estado, que na prática funciona como um responsável para as relações externas do país.

O presidente eleito divulgou agora um comunicado em que explica que foi o próprio antigo autarca que “retirou o seu nome de ponderação para uma posição na nova administração” depois de uma reunião, embora a CNN adiante que este poderá ser mais um sinal de que o presidente eleito está a afastar os seus parceiros mais leais para dar cargos a conservadores do partido e que isto estará a gerar frustração entre os seus apoiantes. No entanto, Trump fez questão de assegurar que aceitará os conselhos de Giuliani durante o seu mandato: “Ele é e vai continuar a ser um amigo próximo e, quando for apropriado, vou recorrer a ele para aconselhamento e vejo um lugar importante para ele na administração numa data futura”.

Nem toda a gente estará contente com esta promessa. Giuliani, um nome polémico para muitos norte-americanos, é recordado como mayor de Nova Iorque, mas nem sempre por bons motivos – os seus tempos a cargo dos destinos da cidade que não dorme estiveram envoltos em controvérsias, sobretudo nas suas posições em relação à violência policial e às agressões a afro-americanos, que os seus críticos dizem ter criado “um ambiente de terror para as comunidades de cor”, conforme cita o “The Guardian”. O jornal britânico acrescenta ainda as críticas de fundadores do movimento Black Lives Matter, que classificam o seu histórico de decisões sobre abusos policiais e liberdade de expressão como “assustador”.

Embora nos tempos que se seguiram ao 11 de setembro Giuliani se tivesse posicionado como uma figura de unidade, muitas vezes descrita como “o mayor da América”, a verdade é que nem todas as comunidades residentes na cidade pensam da mesma forma. Para mais, o seu histórico de negócios tem sido questionado, por poder criar conflitos de interesse com um hipotético cargo na Administração Trump.

Neste sentido, também Giuliani já veio esclarecer que continuará dedicado à sua empresa de advocacia e consultoria, e que acredita nas capacidades de Trump para ser “um grande Presidente”. Por esclarecer continua nesta altura o nome que ocupará a determinante função de Secretário de Estado, havendo rumores que apontam o antigo candidato à presidência dos Estados Unidos Mitt Romney ou o presidente executivo da empresa Exxon Mobil, Rex Tillerson, para o cargo, como recorda o “Huffington Post”.

Descomplicador:

É oficial: fora da Administração Trump estará Rudy Giuliani, o antigo mayor de Nova Iorque recordado por ter sido uma figura de unidade após o 11 de setembro mas também de divisão entre a comunidade afroamericana.

Publicado por: Mariana Lima Cunha

21 anos, natural de Oeiras. Licenciada em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós-graduada em Comunicação e Marketing Político pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Jornalista online do Expresso

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