O que significa o mais recente título dado a Donald Trump?

Foi na passada quarta-feira que ficámos a conhecer a Personalidade do Ano eleita, como todos os anos, pela revista norte-americana TIME. Desta vez, a prestigiada publicação decidiu atribuir esta honra a alguém que, despertando amores e ódios, mexeu com os Estados Unidos e o mundo de forma inquestionável durante o ano que está quase a acabar: o presidente eleito norte-americano, Donald Trump (cuja capa mereceu a legenda”presidente dos Estados Divididos da América”).

Revelando, tal como o seu novo portador, reações de euforia ou verdadeira fúria nas redes sociais, o título fez-se, como sempre, acompanhar da tradicional capa com uma imagem da Personalidade escolhida. Neste caso, a capa da revista provocou dúvidas e muito gozo: nela, Donald Trump parece exibir uma espécie de chifres comparados por muitos utilizadores aos de figuras demoníacas, devido à posição do “M” de “TIME”. A revista já veio, entretanto, esclarecer que tal aconteceu por “pura coincidência” e lembrar outras 35 ocasiões em que o nome da publicação veio oferecer adereços às cabeças dos protagonistas das suas capas.

Brincadeiras à parte, muitos questionaram a legitimidade de Donald Trump para receber tal distinção e, conhecida a posição em que Hillary Clinton ficou na “corrida” à posição de pessoa mais influente de 2016 – a candidata democrata ficou logo em segundo lugar -, questionaram se a primeira mulher a competir pela Casa Branca não deveria ter merecido essa honra, tendo possivelmente contribuído mais do que Donald Trump para marcar a História do país.

Esta não é a primeira vez que a atribuição da distinção é alvo de reclamações e de críticas. Recorde-se que a TIME já elegeu em ocasiões passadas personalidades polémicas como Vladimir Putin, que em 2007 descreveu na sua capa como “o Czar na nova Rússia”, ou até Adolf Hitler, eleito como personalidade do ano em 1938, o ano anterior ao início da Primeira Guerra Mundial. Já Joseph Stalin, o líder russo durante o segundo conflito mundial e até 1953, ano da sua morte, mereceu a distinção em duas ocasiões diferentes (1942 e 1939). No mesmo período conturbado da História, também Winston Churchill repetiu a façanha, em 1940 e 1949.

Mas nem sempre as personalidades distinguidas são individuais: por várias ocasiões desde o início desta tradição, que aconteceu em 1927, a TIME atribuiu o título a figuras vagas ou a grupos de pessoas. Alguns dos exemplos são a figura do protestante, em 2011 (acompanhado por uma legenda que estende a distinção “da primavera árabe a Atenas, do Occupy Wall Street em Moscovo”); todos nós, em 2006 (a revista explicou que todos controlamos a nova era da informação, convidando-nos a conhecer “o nosso mundo” nas páginas interiores); os bons samaritanos Bono, Mill e Melinda Gates em 2005; ou o soldado americano, em 2003 (honra repetida, já que também em 1950 o título foi para o combatente americano). Exemplos de destacar são ainda os homens e mulheres abaixo dos 25 anos, em 1966, ou a mulher americana, em 1975.

Em anos mais recentes, a distinção já foi atribuída por duas vezes ao presidente norte-americano, Barack Obama, como é costume por ocasião das suas duas eleições, mas também a personalidades como a chanceler alemã Angela Merkel (com a legenda “chanceler do mundo livre, em 2015), o Papa Francisco (2013) ou o pai do Facebook, Mark Zuckerberg (2010).

Descomplicador:

Donald Trump é a personalidade do ano eleita pela revista TIME. Mas sabes o que significa esta distinção e quem já a mereceu no passado?

Publicado por: Mariana Lima Cunha

21 anos, natural de Oeiras. Licenciada em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós-graduada em Comunicação e Marketing Político pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Jornalista online do Expresso

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