ONU alerta: muitos portugueses vivem em “condições deploráveis”

Existem muitos portugueses a viver em conclusões “deploráveis”, em instalações e condições que não cumprem sequer os mais básicos direitos humanos. A conclusão foi apresentada esta terça-feira por relatores especiais da ONU, no final de uma visita a várias cidades portuguesas a convite do Governo.

Em conferência de imprensa mas também numa mais extensa entrevista ao Público, a relatora especial sobre o direito a uma habitação condigna, Leilani Farha, e o relator sobre os direitos humanos relativos ao acesso a agua potável e saneamento básico, Leó Heller, mostraram-se preocupados com as condições em que vivem muitos portugueses, sem direitos como o acesso à água, ao saneamento e a uma “habitação condigna”, conforme relata a TSF.

Segundo os peritos, que analisaram a situação dos portugueses após anos de crise económica e medidas de austeridade, uma das maiores preocupações é a dos “novos pobres”, que surgiram na sequência desta fase. Em entrevista ao Público, Leilani Farha explica precisamente que é por ser uma advogada de direitos humanos que se preocupa com estas novas situações, embora acrescente que “não se pode culpar a austeridade de tudo”: “Houve pessoas que me disseram que sentem que o Governo as trata como animais, que têm medo de perder os seus filhos para as autoridades por causa das condições inadequadas de habitação em que vivem”.

“Condições muito, muito duras”

Em visita às “ilhas” do Porto, ao bairro 6 de Maio, na Amadora, ou ao bairro da Torre, em Loures, a especialista concluiu que há pessoas a viver “em condições muito, muito duras” e fala ao diário das condições de pessoas que vivem em bairros onde “não há luz dois meses” e “vivem com lixo ao lado”.

Contudo, nem todas as conclusões são negativas: o especialista Léo Heller destacou “progressos assinaláveis” que Portugal conseguiu nas últimas décadas, embora ainda considerados “incompletos”. Leilani Farha acrescentou que, no meio internacional, Portugal tem sido “líder na promoção dos direitos económicos, sociais e culturais e tem a obrigação de pôr em prática este empenhamento e entusiasmo no contexto interno”.

Os dois peritos apresentarão as suas conclusões, assim como as recomendações ao Conselho da Europa, nos meses de março e setembro.

Descomplicador:

Os relatores especiais das Nações Unidas estiveram de visita a Portugal a convite do Governo e tiraram conclusões preocupantes sobre as condições em que muitos portugueses vivem.

Publicado por: Mariana Lima Cunha

21 anos, natural de Oeiras. Licenciada em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós-graduada em Comunicação e Marketing Político pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Jornalista online do Expresso

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