Não há volta a dar: Donald Trump confirmado como Presidente dos EUA

Era a última esperança, ainda que vaga, dos anti-Trump, mas nesta segunda-feira confirmou-se o que já se sabia ser quase certo: o multimilionário Donald Trump vai mesmo ser o sucessor de Barack Obama. Os membros do Colégio Eleitoral votaram finalmente e decidiram afinal obedecer aos resultados das eleições, confirmando que Donald Trump será o 46º Presidente do país a partir de janeiro.

Apesar de nos últimos tempos vários destes delegados, que têm como função confirmar os resultados das eleições e que nunca na História do país inverteram um resultado, terem mostrado vontade de quebrar a tradição para se colocarem entre Trump e a Casa Branca, para o fazerem teriam sido necessários 37 delegados – um número muito alto, que igualaria o número de delegados que Trump e Clinton conquistaram e poderia levar à escolha de um terceiro candidato.

No entanto, esta segunda-feira, dia em que os eleitores de cada Estado se reuniram para votar, apenas seis destes delegados decidiram votar contrariando os resultados dos respetivos Estados, o que custou a Trump apenas dois votos (o novo Presidente ficou com 304 votos) e a Clinton quatro votos (ficando com um total de 224). Falta apenas acontecer a reunião dos quatro eleitores do Hawai, que deverão entregar os seus votos a Clinton, de acordo com a votação popular naquele estado.

Um sistema quase desconhecido

Se é verdade que o sistema do Colégio Eleitoral existe desde que os pais da constituição norte-americana decidiram fundá-lo, como garante do equilíbrio dos vários estados norte-americanos e da sensatez dos eleitores que em última instância entregavam a Casa Branca a cada Presidente, certo é que 2016 foi o ano em que o sistema finalmente se tornou mais conhecido de todos, norte-americanos ou não.

No passado dia 8 de novembro os eleitores não votaram diretamente no novo Presidente, mas antes nos grandes eleitores que representam cada Estado (previamente eleitos por cada partido) e que votam para confirmar o voto popular. Habitualmente, estes grandes eleitores seguem o voto vencedor do Estado a que pertencem – segundo o sistema winner-takes-all usado em 48 dos estados, ganha todos estes grandes eleitores quem tiver mais votos, seja qual for a percentagem obtida – e confirmam apenas o vencedor já indicado pelos eleitores.

No entanto, se este ano se passou a falar regularmente do Colégio Eleitoral, isso aconteceu porque esta eleição foi tudo menos típica. Começando pela campanha que espantou o mundo, entre insultos e promessas sem precedentes, e passando à noite das eleições propriamente dita – em que, graças à não proporcionalidade do sistema, Donald Trump acabou por ficar com 306 votos no Colégio Eleitoral (seriam precisos 270 para vencer), apesar de ter conquistado muito menos votos do que a sua oponente direta (Hillary Clinton conseguiu quase mais três milhões de votos do que o novo Presidente-eleito, tornando-se assim a segunda candidata mais votada da História do país, a seguir a Barack Obama).

A revolução foi adiada

Tendo em conta o caráter atípico da eleição e a enorme diferença entre os resultados do voto popular e a sua tradução para o Colégio Eleitoral, alguns destes grandes eleitores começaram nas últimas semanas a ponderar fazer História e convencer os grandes eleitores republicanos a não confirmarem a eleição de Trump – a intenção não era de entregar a Presidência a Hillary, mas antes de encontrar outro candidato republicano que considerassem mais adequado para o cargo.

No entanto, a revolução que alguns dos eleitores tencionavam começar terá de esperar, pelo menos, mais quatro anos: por agora, o sistema mantém-se e o Presidente votado da forma tradicional ocupará mesmo a Casa Branca a partir da cerimónia de posse, marcada para o próximo mês.

Descomplicador:

A última esperança dos anti-Trump esgotou-se: esta segunda-feira, os delegados dos 50 estados norte-americanos votaram para confirmar o multimilionário como Presidente dos EUA.

Publicado por: Mariana Lima Cunha

21 anos, natural de Oeiras. Licenciada em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós-graduada em Comunicação e Marketing Político pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Jornalista online do Expresso

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *