Ensino da abstinência sexual nas escolas leva a troca de acusações nas “jotas”

O documento elaborado pela Joventude Popular a propósito do referencial de Educação para a Saúde, que esteve aberto para consulta pública até esta segunda-feira, serviu de rastilho para a mais recente polémica entre as “jotas”, que acabou esta quarta-feira por se estender também às redes sociais. Neste conjunto de propostas, os jovens centristas argumentavam que assuntos como a abstinência sexual deveriam ser abordados mais cedo nas escolas: “Não é aceitável que se planifiquem, a partir do 5º ano, aulas sobre métodos contracetivos, mas que a primeira palavra sobre abstinência sexual seja proferida apenas no 10º ano”.

A Juventude referia-se às propostas para a Educação Sexual descritas no documento inicial, que incluem o ensino sobre a interrupção voluntária da gravidez e a sua distinção em relação à interrupção involunária da gravidez – e que já deram azo a uma petição que reuniu nos primeiros dias mais de 5 mil assinaturas. Na resposta dos jovens centristas, podia ler-se: “Se o objetivo é promover uma liberdade responsável, os alunos podem ter acesso a informação sobre a contraceção, mas também devem receber uma educação para a abstinência. Qual é a lógica que justifica que uma criança de 10 anos possa aprender tudo sobre a utilização correta do preservativo, mas tenha de esperar pelos 15 anos para poder discutir a mera hipótese da abstinência sexual?”.

No entanto, este ponto da resposta dos centristas, que incluía ainda propostas para temas como o combate às infeções sexualmente transmissíveis e a identidade de género, rapidamente gerou polémica, com o líder da JP, Francisco Rodrigues dos Santos, a justificar esta terça-feira que as principais ideias dos centristas passam por “afirmar a dimensão natural da sexualidade, ensinar a abstinência a par da contracepção, educar para a vida e rejeitar a ideia do aborto aos dez anos” em declarações ao i.

O ridículo ainda não mata ninguém

O ex-líder da JS e deputado socialista, João Torres, protagonizou uma das primeiras reações, publicando a seguinte mensagem no Facebook: “Perdoem-me o excesso, mas quando soube que uma organização política de juventude propõe a educação para a abstinência sexual nas escolas apenas me ocorreu uma outra proposta, neste contexto certamente mais urgente: a educação para o decoro político. Felizmente para alguns, o ridículo ainda não mata ninguém”, escreveu.

Mas a publicação recebeu resposta de várias pessoas que lembravam que a proposta inicial sobre o ensino da abstinência sexual nas escolas se encontrava em primeiro lugar no referencial proposto pelo Governo, tendo a JP acrescentado apenas que gostaria de que o tema fosse introduzido mais cedo no percurso escolar dos alunos. “A proposta da educação para a abstinência sexual nas escolas é apresentada pela Direcção Geral de Educação no seu documento ‘Referencial de Educação para a Saúde’ e não pela Juventude Popular (se bem me lembro e não estou em erro, este país é governado pelo partido que o elegeu). Aqui fica a informação para que possa utilizá-la da melhor maneira e criticar quem de direito. Deixo também o link do Referencial para que possa consultá-lo atempadamente e assim ser um Deputado mais informado quanto às politicas que o seu partido define e aprova para a educação”, respondeu Inês Vargas, vice-presidente da JP, rematando da mesma forma que o deputado socialista: “Numa coisa concordamos: Felizmente, o ridículo ainda não mata ninguém…”.

A resposta do próprio Francisco Rodrigues dos Santos também não se fez esperar, chegando através de mais uma publicação no Facebook. ” Na verdade, o revolucionário cultural não se preocupou em ler a notícia. Ficou-se pelas gordas na capa. E assim ganhou a oportunidade de mergulhar de cabeça no lamaçal político. Quem vive do comentário das letras grandes será pequeno toda a vida. É preferível, segundo as suas teses, exorcizar o fantasma da abstinência na infância, ao passo que se banaliza a prostituição. Bem vindos ao bordel intelectual de alguns senhores”, escreveu na rede social.

 

Descomplicador:

O debate sobre o ensino da abstinência sexual nas escolas, proposto em primeiro lugar pelo Governo e reforçado pela JP, lançou a confusão entre as “jotas”, que reagiram a sucessivas acusações no Facebook.

 

Publicado por: Mariana Lima Cunha

21 anos, natural de Oeiras. Licenciada em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós-graduada em Comunicação e Marketing Político pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Jornalista online do Expresso

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