Trump e Putin: os novos BFFs?

“Putin ficaria feliz se o Donald fosse eleito, porque seria uma marioneta para ele”. “Marioneta? Eu não sou uma marioneta, você é que é uma marioneta”.

Foi um dos excertos mais discutidos dos debates entre os candidatos presidenciais norte-americanos – na altura, a supostamente favorita Hillary Clinton acusava Trump, que já lembrara que não conhecia Putin pessoalmente mas que este dissera “coisas agradáveis” sobre si, de ser o melhor candidato para a Rússia. Trump ripostava, afirmando que seria positivo para os Estados Unidos ter um presidente que melhorasse as relações com o país liderado por Putin e concordando com as estratégias de Putin para a Síria, onde o presidente Bashar-al Assad vê na Rússia a sua principal aliada.

Passaram-se meses, o mundo sabe hoje que Donald Trump vai mesmo ser o próximo presidente dos Estados Unidos e a pergunta volta a colocar-se: será que o republicano se vai mesmo comportar como uma marioneta nas mãos do homólogo russo? Estará Putin à espera de que Trump ocupe o seu lugar na Casa Branca para redefinir as relações entre os dois países a seu favor?

Dias de tensão

A resposta à segunda pergunta parece um sim. Recentemente, e em mais um episódio que reforça a crença de muitos especialistas de que estamos mesmo a viver uma nova versão da Guerra Fria, o ainda presidente Barack Obama decidiu aplicar sanções às duas principais agências de informação da Rússia e expulsar de terreno norte-americano 35 agentes dos serviços de inteligência russos, dada a suspeita de que a Rússia terá sido responsável pelo hacking de emails do Comité Nacional Democrata. Putin respondeu com uma indiferença que não deixou dúvidas: a decisão de não responder na mesma moeda ao que classifica como uma “diplomacia irresponsável de trazer por casa”, esperando pelas medidas que o novo presidente irá tomar quando chegar à Casa Branca, foi interpretada como uma tentativa de descredibilizar e esvaziar de poder o final de mandato de Obama.

A próxima tarefa de Trump

Quando tomar posse, a 20 de janeiro, Trump ver-se-á a braços com uma complicada situação diplomática: em plena crise devido à alegada interferência russa nos emails democratas, e em lados opostos no conflito da Síria – onde Estados Unidos subsidiam parte dos rebeldes e Rússia apoia o regime, tendo nos últimos tempos assumido o papel de protagonista nas negociações de paz, que envolvem ainda a Turquia – terá de definir posições e esclarecer o tom que as relações diplomáticas entre os dois países irão assumir nos próximos anos.

O que o novo presidente pensa

Foram já várias as ocasiões em que Trump expressou a sua admiração por Putin, tendo na semana passada reagido da seguinte forma depois de receber uma carta do presidente russo sobre os poderes nucleares dos dois países: “Uma carta muito simpática… As ideias dele estão tão certas”. Sobre o incidente que levou Obama a decidir a expulsão dos agentes russos dos Estados Unidos, o presidente-eleito foi parco em palavras e pareceu desvalorizar o assunto aos repórteres, citado pela TIME: “O nosso país deve seguir em frente para coisas maiores e melhores. Acho que os computadores complicaram muito as nossas vidas. A era dos computadores fez com que ninguém saiba exatamente o que se passa”. Esta tarde, num tweet fixado na sua página, o multimilionário foi mais longe: “Grande jogada (com atraso) de V.Putin – sempre soube que ele era muito inteligente!”.

Sobre Obama e as decisões de última hora, o novo presidente também não tardou em expressar-se, desta feita também no Twitter: “A fazer o meu melhor para ignorar os muitos comentários e obstáculos inflamatórios do Presidente “O”. Pensava que ia ser uma transição suave – NÃO!”.

Descomplicador:

Se durante o tempo de Obama se falou uma e outra vez na nova Guerra Fria entre Estados Unidos e Rússia, com Trump as relações diplomáticas entre os dois países parecem estar prestes a mudar.

Publicado por: Mariana Lima Cunha

21 anos, natural de Oeiras. Licenciada em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós-graduada em Comunicação e Marketing Político pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Jornalista online do Expresso

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