Mário Soares: as reacções da juventude

Mário Soares foi ao longo das décadas uma inspiração para vários jovens, tendo muitos deles aderido à causa pública devido ao exemplo do ex-Presidente da República. O Panorama falou com vários jovens ligados à vida política e à causa pública, sobre o desaparecimento de uma das figuras da democracia portuguesa.

O líder da Juventude Social Democrata e deputado do PSD refere a “figura incontornável na democracia, contra a ditadura. Fundamental na luta antes do 25 de Abril, mas também depois da Revolução para impedir que voltasse a haver uma nova ditadura, muito protagonizada pelo PCP”. Para Cristóvão Simão Ribeiro, é também importante referir o papel de Mário Soares na “adesão de Portugal à União Europeia, sendo eu um europeísta convicto, não podia deixar de salientar o papel fundamental na abertura de Portugal ao Mundo”, tendo sido também, “apesar de não ser católico, uma figura do movimento católico português, para alem de ter assumido os mais altos cargos à frente dos destinos do pais”, sentindo assim um “enorme pesar, pela partida de uma figura importante, ímpar, da historia democrática”.

Duarte Marques, deputado do PSD, e que enquanto líder da JSD convidou Mário Soares para a Universidade de Verão do partido, diz que “partiu mais um dos homens fundamentais na construção e consolidação da nossa democracia. É indiscutivelmente um dos principais responsáveis por vivermos em Democracia. Foi fundamental para derrubar a ditadura e decisivo para desmontar a outra ‘ditadura’ mas agora de esquerda, o PREC”, acrescentando que “gostemos ou não da suas posições, foi um grande lutador, um grande políticos” e que “hoje resta apenas dizer-lhe: Obrigado”.

Michael Seufert, ex-deputado do CDS e ex-presidente da Juventude Popular, salienta que “Mário Soares teve no momento-chave da instalação da Democracia em Portugal a intransigência necessária: Portugal não seria a Albânia do Ocidente ou a Cuba da Europa, como muitos queriam. Se em muitos momentos eu teria preferido que Soares tivesse feito diferente, a verdade é que no momento certo e fundamental, não falhou”.

Popular mas não inatacável, resistente e lutador: assim fala Eduardo Barroco de Melo, cronista do Panorama e ex-presidente da Associação Académica de Coimbra, sobre Mário Soares, admitindo que o histórico socialista “não será nunca uma figura consensual nem quis sê-lo: sabia que o consenso está guardado a quem não emite opinião”. Para o jovem socialista, o clássico cognome de pai da democracia “sabe a pouco, mas não deixa de fazer sentido”, uma vez que “Soares foi, como se diz em inglês, uma ‘personagem maior do que a vida'”. “Há pessoas que deviam ser imortais. Na impossibilidade de isso acontecer, guardamo-las eternamente na memória colectiva”, conclui Eduardo Barroco de Melo.

João Torres, ex-Secretário-Geral da Juventude Socialista e deputado do PS, onde é vice-presidente do Grupo Parlamentar, reagiu ao falecimento de Mário Soares, dizendo que “foi e será sempre o primeiro rosto da democracia” e que “com a sua acção, com o seu carácter, pelo seu exemplo, inspirou várias gerações de Portugueses – e assim continuará a suceder. O país perdeu hoje o seu político excepcional, que jamais abdicou do valor a partir do qual se constroem todos os outros: a Liberdade”, acrescentando que “Portugal deve-lhe (incomensuravelmente) muito, os socialistas devem-lhe tudo”.

Ainda no Partido Socialista, é o deputado Tiago Barbosa Ribeiro que recorda Mário Soares, “a personalidade política mais importante da história portuguesa da segunda metade do século XX” e “um dos raros políticos portugueses com dimensão internacional”, pelas suas muitas facetas: “combatente, estadista, republicano, socialista, intelectual da acção, cultor de novos rumos, figurará entre os maiores vultos da nossa Pátria”. “Nunca desistiu e com isso deixou-nos a mais importante das lições: não há idade da reforma para os nossos valores. Quando alguns querem escolher apenas partes da biografia de Soares é porque não o compreenderam nem ao seu legado”, garante o deputado socialista, que fala do histórico do seu partido ao Panorama como um líder que “interveio, inspirou e fez inspirar”.

 

Descomplicador:

As reacções de vários jovens ligados à vida pública e à vida politica, sobre o desaparecimento do ex-Presidente da República, Mário Soares.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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