Sócrates diz que suspeitas de corrupção sobre Salgado são “falsas, injustas e absurdas”

O antigo primeiro-ministro já reagiu à constituição de Ricardo Salgado, antígo dono do Grupo Espírito Santo (GES), como arguido na Operação Marquês. Para a defesa de José Sócrates, as suspeitas de que o ex-banqueiro tenha corrompido o Governo para ver o grupo financeiro que controlava favorecido são “falsas, injustas e absurdas”, para além de “um insulto”.

Foi nesta quarta-feira que o Ministério Público notificou Ricardo Salgado da sua constituição como arguido, o que o deixou “surpreendido”, mas com a vontade de “continuar a colaborar com a justiça”. O antigo dono do GES é acusado de crime de corrupção ativa para ato ilícito devido à circulação de 17,4 milhões dos mais de 20 milhões de euros reunidos por Carlos Santos Silva, alegado testa de ferro de Sócrates, em contas bancárias na Suíça, um montante que terá tido origem no GES.

Segundo a acusação e conforme relata o Observador, esses 17,4 milhões terão ido parar às mãos de Sócrates, sendo utilizados pelo antigo primeiro-ministro, entre dezembro de 2010 e abril de 2011, depois de terem sido transferidos entre 2006 e 2009, alegadamente enquanto contrapartidas por benefícios concedidos por Sócrates em negócios que envolviam o GES, nomeadamente nas operações que tinham a ver com a PT.

Sobre as novas acusações a Salgado, que se vêm juntar às que já existiam de abuso de confiança, tráfico de influência, branqueamento e fraude fiscal qualificada, a defesa de Sócrates mostrou-se crítica, considerando este um ato de “desespero” de uma investigação que “visivelmente já não sabe o que fazer”: “No início eram as suspeitas sobre o Grupo Lena, depois a Parque Escolar, depois Angola, depois Venezuela, depois Argélia, depois Vale do Lobo, para mergulhar agora nas ondas do Grupo Espírito Santo, na esperança de um milagre que lhe traga, finalmente, os factos e as provas que nunca teve, que desde sempre faltaram”.

Em comunicado, os advogados de Sócrates transmitiram a rejeição das novas acusações pelo antigo líder do Governo: “É uma falsidade que seja dono, que tenha tido acesso ou sequer conhecimento de qualquer conta bancária na Suíça, como claramente se encontra comprovado nos autos; e é também absolutamente falso que o seu Governo tenha tomado qualquer decisão visando beneficiar o Dr. Ricardo Salgado ou o Grupo Espírito Santo (…). O Ministério Publico confirma o que esta à vista de todos: prendeu sem factos e sem provas; fez imputações infundadas e insultuosas; transformou o que podia e devia ter sido uma investigação objetiva e sem preconceitos numa perseguição a um alvo, cuja motivação só pode ser encontrada no ódio pessoal e em razões políticas”.

As suspeitas de ligação entre Sócrates e o GES já vinham de longe: em abril do ano passado, o Expresso avançava, após a revelação do caso dos Panama Papers, que Hélder Bataglia, presidente da Escom e o homem que liderava desde 1993 os negócios do GES em Angola e no Congo, admitira que o dinheiro do caso Sócrates tinha origem em “transferências feitas a partir da Espírito Santo Enterprises”. No entanto, só após no passado dia 5 de janeiro Bataglia ter decidido prestar voluntariamente novas declarações ao DCIAP houve novidades na investigação do escândalo financeiro.

 

Descomplicador:

José Sócrates nega as acusações feitas pelo Ministério Público a Ricardo Salgado, e que os implicam numa teia de corrupção de cerca de 17 milhões de euros.

 

Publicado por: Mariana Lima Cunha

21 anos, natural de Oeiras. Licenciada em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós-graduada em Comunicação e Marketing Político pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Jornalista online do Expresso

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