Líderes do sul da Europa encontram-se hoje em Lisboa

Este sábado, Lisboa vai ser o palco de uma cimeira entre países do sul da Europa, numa tentativa de encontrar posições e alternativas comuns para apresentar nas próximas cimeiras europeus. No Centro Cultural de Belém, o primeiro-ministro vai esta tarde receber o presidente do Chipre (Nikos Anastasiades) e de França (François Hollande) e os primeiros-ministros de Espanha (Mariano Rajoy), Malta (Joseph Muscat), Grécia (Alexis Tsipras) e Itália (Paolo Gentiloni).

O objetivo da reunião será encontrar posições comuns para as próximas cimeiras europeias sobre migrações, segurança e defesa e desenvolvimento económico e social, num encontro celebrado pela segunda vez em poucos meses. Na última ocasião, em setembro passado, quando os líderes se reuniram em Atenas, Mariano Rajoy não estava presente, pelo que esta será a primeira vez que todos os representantes dos países do sul da Europa.

Em declarações ao Público, Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros, explica que “os sete [países] são sensíveis ao facto de que a zona económica europeia, para vencer, não pode continuar a ser uma zona que favoreça a divergência.” Defendendo que deve ser possível “criar capacidade orçamental na zona euro, transformar progressivamente o actual mecanismo europeu de estabilidade no Fundo Monetário Europeu e a desenvolver programas europeus de apoio ao investimento”, o governante diz acreditar em consensos para a Europa, mesmo numa altura que pode parecer de divisão: “Vai-se formando um consenso entre a família social-democrata e a família democrata-cristã, em torno da necessidade de completar a União Económica e introduzir medidas de reforma do euro.” Uma das medidas defendidas pelo primeiro-ministro será, adianta o mesmo jornal, a adoção de impostos comuns.

Economia e migrações, os temas do momento

Ainda antes do início da cimeira, na manhã deste sábado, António Costa recebe o novo primeiro-ministro italiano, Paolo Gentiloni, que entrou em funções depois de o seu antecessor Matteo Renzi, se ter demitido na sequência da sua derrota no referendo sobre alterações constitucionais, em dezembro. No encontro bilateral, será discutida a cimeira de 24 e 25 de março em Roma, onde se celebrarão os 60 anos da assinatura do tratado de Roma, e de onde, segundo a Lusa, deverá sair uma declaração com propostas sobre o futuro da UE.

Para mais, outro encontro bilateral aconteceu ainda na sexta-feira à noite, quando Costa se encontrou com o primeiro-ministro da Malta para preparar a cimeira informal que vai decorrer já no dia 3 de fevereiro em La Valleta, Malta, o país que vai assumir a presidência semestral da UE, rotativa como sempre.

Numa altura em que a ameaça terrorista continua a pairar sobre a Europa, os líderes dos sete países deverão debater o reforço das fronteiras da UE e a segurança no interior da união de países, bem como reafirmar a solidariedade para com os Estados “particularmente afetados pela crise migratória”, como Grécia e Itália.

Na primeira reunião, a 9 de setembro do ano passado, Costa insistiu que “as condições para reforçar o investimento têm de se adaptar às condições específicas de cada um dos países”, porque alguns membros da UE “têm largos excedentes e tinham, aliás, o dever de investir mais”,ao contrário de outros, pode ler-se numa nota oficial do Governo publicada na altura. Na primeira edição da cimeira, Costa, ao lado dos seus homólogos do resto do sul da Europa, concluía: “Não temos vergonha de ser do sul”.

Descomplicador:

Este sábado, em Lisboa, os líderes do sul da Europa reúnem-se pela segunda vez num encontro que pretende cimentar posições comuns para as próximas cimeiras europeias.

Publicado por: Mariana Lima Cunha

21 anos, natural de Oeiras. Licenciada em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós-graduada em Comunicação e Marketing Político pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Jornalista online do Expresso

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