Líder do Parlamento britânico quer impedir Trump de discursar

O presidente da câmara dos comuns do Parlamento Britânico, John Bercow, fez correr tinta esta segunda-feira, depois de ter expressado a sua opinião em relação a um possível discurso de Donald Trump diante dos deputados britânicos, quando o presidente norte-americano se deslocar ao país em visita de Estado.

“Uma intervenção de um líder estrangeiro para ambas as câmaras do Parlamento não é um direito automático, é um privilégio que se conquista”, começou por dizer Bercow, questionado por um deputado que disse ter “preocupações profundas” sobre “a oferta deste privilégio” a Donald Trump.

“Há muitos precedentes de visitas de Estado ao nosso país que não incluíram essa intervenção”, lembrou Bercow, detalhando: “Antes da imposição anti-imigração [de Trump], eu opor-me-ia de forma veemente a uma intervenção do Presidente Trump em Westminster. Depois da imposição, oponho-me ainda mais (…)”.

Assegurando valorizar “a relação com os Estados Unidos”, o conservador fez questão de deixar a sua oposição a tal convite bem clara: “No que diz respeito a este lugar, sinto profundamente que a nossa oposição ao racismo e ao sexismo, o nosso apoio à igualdade aos olhos da lei e a um poder judicial independente são considerações extremamente importantes a ter na Casa dos Comuns”.

Com fortes aplausos da bancada da oposição, Bercow concluiu: “Não devíamos ter aplausos aqui, mas às vezes mais vale deixar passar do que levantar muitos problemas”.

Acusações de “hipocrisia” e ovações para Bercow

Graças à intervenção, esta terça-feira vários deputados, seus colegas do Partido Conservador, criticaram a intervenção de Bercow, que consideraram não honrar a parcialidade que o cargo exige. Gerald Howarth, veterano dos conservadores, expressou a “grande preocupação” sentida por “alguns” dos seus colegas e aconselhou Bercow a assegurar os deputados de que podem ter “total confiança na sua imparcialidade”.

Já o seu homólogo na câmara dos Lordes, Norman Fowler, veio dizer em comunicado que Bercow lhe pediu desculpa por não ter conversado consigo sobre “esta decisão ou o timing” da mesma e recusou tomar posição sobre o assunto, acrescentando, no entanto: “Deixem-me recordar que passei os últimos 30 anos a lutar contra o preconceito e a discriminação, particularmente pelos direitos de pessoas LGBT e doentes com SIDA”.

Do lado do Governo, o porta-voz de Theresa May recusou fazer comentários à intervenção polémica, lembrando que “o que Bercow sugere ao Parlamento é com o Parlamento” e relembrando o convite feito pela rainha a Donald Trump no sentido de visitar o Reino Unido mais tarde, ainda este ano. “Estamos ansiosos por o receber”, acrescentou o porta-voz.

Acusado de “hipocrisia” por ter permitido visitas de chefes de Estado como o presidente da China, Xi Jinping, por alguns membros da Casa dos Comuns e elogiado por outros – um deputado disse mesmo que “se há intervenção que merece ser aplaudida, é esta” – Bercow voltou ao assunto esta terça-feira, para assegurar que os seus comentários foram “honestos” e feitos “dentro das suas responsabilidades” e para pedir que o tema seja abandonado.

 

Descomplicador:

Esta segunda-feira, um dos líderes do Parlamento britânico expressou o seu desacordo com a hipótese de Trump discursar para os deputados quando visitar o Reino Unido, falando contra o “racismo e sexismo” do novo presidente norte-americano.

Publicado por: Mariana Lima Cunha

21 anos, natural de Oeiras. Licenciada em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós-graduada em Comunicação e Marketing Político pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Jornalista online do Expresso

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *