“Sabem o que é urânio?” e outros momentos bizarros da conferência de Trump

Decorreu nesta quinta-feira a primeira conferência de imprensa de Donald Trump sozinho, sem estar acompanhado de nenhum outro líder estrangeiro ou conselheiro, e a imprensa norte-americana não tardou em espantar-se com alguns dos momentos mais bizarros do evento que durou pouco mais de uma hora.

O Panorama viu as imagens, das respostas sobre a Rússia ao momento em que Trump é confrontado com os números da própria vitória no Colégio Eleitoral, e explica-te tudo o que tens de saber sobre esta conferência.

Sabem o que é urânio?

Um dos momentos mais estranhos de toda a conferência aconteceu quando Trump se dispôs a falar do urânio que teria sido entregue por Hillary Clinton à Rússia. Seguiu-se uma explicação inusitada, cuja transcrição é a seguinte: “Sabem o que é ucrânio, certo? Esta coisa chamada armas nucleares e outras coisas, como… Muitas coisas são feitas com urânio… Incluindo coisas muito más!”.

Pode marcar o encontro?

Era a vez de uma repórter negra colocar uma questão ao Presidente, e o que a jornalista queria saber era se Donald Trump estaria a planear incluir organizações de minorias nos “debates sobre a agenda urbana”, nomeadamente nos problemas das “cidades interiores” que Trump referiu durante a campanha. Depois de não ter reconhecido a sigla para o Congressional Black Caucus e de a repórter ter explicado o significado, Trump propôs que fosse ela mesma a organizar o encontro: “Vou dizer-lhe mais: quer organizar o encontro? São seus amigos?”. A jornalista responde que é apenas “uma jornalista”, com resposta pronta do Presidente: “Eu adoria encontrar-me com o Black Caucus. Eu acho que é otimo, o Black Caucus”.

A pessoa menos antissemita (e a menos racista)

Quando um repórter judeu expressou as preocupações da sua “comunidade” sobre “atos de antissemitismo” pelo país e o que o Governo planeia fazer, Donald Trumo zangou-se: “Isto não é uma pergunta simples (…) Número 1: eu sou a pessoa menos antissemita que já viste em toda a tua vida. Número 2: sou a menos racista, também”. Quando o jornalista tentou prosseguir, Trump voltou a irritar-se: “Calado. Calado. Ele disse que iria fazer uma pergunta muito simples e mentiu. Bem vindos ao mundo dos media”.

As fugas são reais, as informações são falsas

Que Trump tem uma “guerra aberta com os media”, como o próprio diz, não é novidade. Talvez por isso, em resposta a uma pergunta sobre os motivos por que quer encontrar os responsáveis pelas fugas de informação sobre conselheiros seus que estiveram em contacto com a Rússia durante a campanha – uma vez que esses contactos não existiram -, Trump justificou-se: “as fugas de informação são reais, mas as notícias são falsas, porque há tantas notícias falsas”.

Vi essa informação por aí

No mesmo sentido, Trump (que ao falar com um jornalista que se identificou como sendo da BBC News respondeu: “outra beleza!”), trocou algumas palavras mais acesas com o repórter que o confrontou sobre a sua vitória no Colégio Eleitoral. Trump, que ganhou com 306 votos no Colégio – só precisava de 270 – tem-se orgulhado de ter “a maior vitória desde Ronald Reagan – mas o jornalista recordou-lhe que Obama teve mais votos (“estava a falar dos republicanos”, diz o Presidente) e George W. Bush também, com 365 e 426 votos, respetivamente. “Passaram-me essa informação; tivemos uma margem muito grande”, replica Trump.

O jornalista questiona de seguida: “Por que razão deveriam os americanos acreditar em si quando diz que a informação que recebem é falsa, quando também lhes está a dar informação falsa?” “Não sei, deram-me essa informação. Aliás, já vi essa informação por aí”, prossegue Trump. “Mas foi uma vitória muito substancial, acredita nisso?” Quando o jornalista se limita a responder “Você é que é o Presidente”, Trump dá o assunto por encerrado: “Boa resposta”.

 

Descomplicador:

 

A primeira conferência de imprensa de Trump a solo teve alguns momentos inesperados, de respostas sobre a Rússia a confrontos diretos com alguns jornalistas.

Publicado por: Mariana Lima Cunha

21 anos, natural de Oeiras. Licenciada em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós-graduada em Comunicação e Marketing Político pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Jornalista online do Expresso

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