Almaraz discute-se sem queixas

Portugal e Espanha vão resolver amigavelmente a discussão sobre o aterro de resíduos da central nuclear de Almaraz. A Comissão Europeia, a quem Portugal havia apresentado uma queixa formal sobre a construção do armazém, mediou um acordo entre os dois países.

Em comunicado os países comprometem-se a participar num “processo de comunicação constante” até chegarem a uma resolução mútua para a construção do aterro nuclear. Para este fim, o governo espanhol garante “partilhar toda a informação relevante”, “tomar em consideração […] todas as queixas legítimas” e não levar a cabo “quaisquer medidas que possam ser consideradas irreversíveis”. Como parte deste esforço, a dar-se durante os próximos dois meses, as autoridades portuguesas e a Comissão Europeia terão a oportunidade de visitar a Central Nuclear de Almaraz (direito recentemente negado a engenheiros portugueses). Em contrapartida, Portugal irá retirar a queixa apresentada à Comissão Europeia relativa aos perigos apresentados pela construção do armazém de resíduos para o território português.

O acordo não impede Portugal de apresentar uma queixa futura, caso o considere justificável, nem suspende completamente a construção do aterro. Permite, no entanto, que caso se dê “qualquer passo a que Portugal se oponha” o país o posso travar, como esclareceu o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.

Para a deputada do PSD Berta Cabral a medida não passa de uma forma de “atirar areia para os olhos” dos portugueses. Já o deputado do BE Jorge Costa considerou o acordo “um recuo em toda a linha”.

A associação ambientalista Quercus, que teme a extensão da licença atual de funcionamento da central nuclear para além de 2020, afirmou que a medida é ainda “insuficiente” e “não corresponde às verdadeiras expectativas da sociedade portuguesa”.

 

Descomplicador:

A Espanha cedeu a discutir com Portugal a construção do armazém de resíduos da central nuclear de Almaraz. Em compensação o governo português retirou a queixa apresentada na Comissão Europeia. Nos próximos meses discute-se se avança ou não o novo aterro nuclear.

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Publicado por: Nuno Viegas

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