Mike Pence usou servidor de email privado quando era governador do Indiana

Mike Pence, atualmente vice-presidente dos Estados Unidos, usou um servidor de email privado (o AOL) para enviar e receber emails sobre assuntos públicos a partir de 2013, quando se tornou governador do estado do Indiana, revelou o “The Indianopolis Star”.

Apesar da natureza privada deste servidor, muitos dos emails enviados pelo governador tinham a ver com assuntos de trabalho sensíveis. Dois dos exemplos citados pelo jornal referem-se a um email em que falava de indivíduos detidos por suspeitas de terrorismo, uma informação transmitida pelo FBI, e à reação estatal a um atentado no Canadá. No seu tempo como governador do Indiana, Pence tinha responsabilidades na polícia estatal, na guarda nacional e no departamento de segurança nacional, instituições que conforme explica o jornal “colaboram com autoridades federais e lidam com informação sensível”.

Embora o uso do email privado não seja ilegal, está a gerar dúvidas junto de especialistas em cibersegurança, que falam dos perigos que informação sensível pode correr e da facilidade com que hackers podem chegar a ela. Na verdade, o email de Pence chegou mesmo a ser atacado, no verão passado, com um intruso a enviar uma mensagem para todos os seus contactos dizendo que Pence e a esposa estariam nas Filipinas sem dinheiro e a precisar de ajuda – uma mensagem que fez parte de uma corrente de ataques e não foi dirigida especialmente ao governador, mas que demonstra a facilidade com que o servidor poderia ser atacado.

Em resposta às notícias, o gabinete atual de Mike Pence veio lembrar que o antigo governador cumpriu a lei estatal, com os “emails de governação nas suas contas estatal e pessoal a serem arquivados pelo estado de acordo com a lei do Indiana”. Esta exige que os registos relacionados com assuntos públicos sejam guardados e estejam disponíveis para consulta, caso seja necessário, o que já deveria ter sido feito na altura, dizem especialistas críticos consultados pelo “Star”.

O gabinete do governador atual, Eric Holcomb, divulgou em resposta a pedidos do jornal com meses de existência cerca de 30 páginas de emails de Pence, recusando no entanto publicar outras mensagens com conteúdos mais “secretos e sensíveis”.

Dejà vu?

O caso dos emails de Pence está a ser comparado com o caso de Hillary Clinton, que se viu debaixo de fogo quando se soube que usou um servidor privado entre 2009 e 2013, enquanto secretária de Estado dos Estados Unidos, para falar de assuntos de trabalho. Em setembro, no programa “Meet the Press”, Pence atacou Clinton pelo uso do servidor, afirmando que este acontecera para manter os emails “fora do alcance público, fora do escrutínio público”, relata o “The New York Times”. Durante boa parte da campanha, incluindo os debates a dois, Donald Trump usou o assunto dos emails para atacar a oponente.

Descubra as diferenças

Em resposta às comparações que surgiram de imediato, o advogado de Pence, Marc Lotter, classificou-as como “absurdas”, uma vez que enquanto governador o atual vice-presidente não tinha acesso às informações federais secretas de que Clinton dispunha como secretária de Estado. Para mais, acrescenta Lotter, Pence usou um servidor de email comercial, enquanto Clinton, que justificou depois – inclusivamente numa longa audiência no Congresso – preferir ter todos os emails num único endereço e dispositivo, usou um servidor privado instalado em sua casa e que terminava em “clintonemail.com”.

Os especialistas dizem ao “Star” que os perigos são os mesmos para os dois tipos de servidor, e ambos os casos levantam dúvidas – se Clinton acabou por sair do caso sem acusações impostas pelo FBI depois de muito escrutínio e de horas de interrogatório, Pence encontra-se, como o “Telegraph” escreve, numa “área cinzenta da lei” que não é clara nem fácil de definir, até para os especialistas.

 

Descomplicador:

O atual vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, usou um servidor de email privado enquanto era governador do Indiana, num caso que está a gerar comparações com o escândalo dos emails de Hillary Clinton.

Publicado por: Mariana Lima Cunha

21 anos, natural de Oeiras. Licenciada em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós-graduada em Comunicação e Marketing Político pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Jornalista online do Expresso

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *