Trump e Putin: existirá uma ponte EUA-Rússia?

“Uma nova ordem mundial” – esta é uma das expressões que descrevem o modo como é encarada a parceria entre os Presidentes das duas maiores potências do mundo. Da Crimeia até à Trump Tower, de jogos de dinheiro a abuso de poder… Será esta cooperação assim tão inocente?

Na lista de ligações do Presidente norte-americano à Rússia, Jefferson Sessions III, advogado e político norte-americano, é uma das personalidades mais mencionadas. Atualmente, ocupa o cargo de 84º Procurador-geral dos Estados Unidos, tendo sido senador no Estado do Alabama, entre 1997 e 2017.

Esta semana, o Washington Post divulgou que Sessions se encontrou pelo menos duas vezes com o embaixador russo nos Estados Unidos, Sergey Kislyak, aquando da campanha de Trump. Sarah Isgur Flores, porta-voz de Sessions, garantiu que este se encontrou com Kislyak no âmbito dos seus cargos de senador e membro da Comissão de Serviços Armados.

Em fevereiro, na sua audiência de confirmação, Sessions jurou nunca ter estado em contacto com membros do governo russo. Contudo, hoje o Wall Street Journal revelou que os seus encontros com o embaixador russo foram pagos com fundos da campanha de Donald Trump – encontros esses que se realizaram fora da agenda do congresso nacional do partido republicano.

Encontros, telefonemas e mensagens anónimas

Quem não lidou bem com a pressão foi Michael Flynn, tenente geral aposentado do exército dos Estados Unidos e conselheiro nacional para a segurança de Trump num curto período – entre 20 de janeiro de 2017 e 13 de fevereiro de 2017 -, pois renunciou ao cargo após ter enganado membros do governo norte-americano acerca da essência das suas conversas com diplomatas russos. Aparentemente, falou cinco vezes com Kislyak a 29 de dezembro de 2016, dia em que Barack Obama, ex-Presidente, anunciou sanções contra a Rússia por ter tentado influenciar as eleições presidenciais através de ciberataques.

Já Paul Manafort realizou tudo de modo mais subtil, contactando espiões russos, enquanto era diretor da campanha de Donald Trump. Quando o escândalo rebentou em agosto, altura em que foi acusado de manter contacto regular com Viktor Yanukovych, Presidente da Ucrânia e aliado de Putin, para financiar a campanha de Trump, renunciou à sua função. Manafort admitiu apenas um facto: ele e a filha receberam mensagens anónimas de Serhiy Leshchenko, deputado ucraniano que afirmava ter “informação exclusiva” que seria suficiente para destruir Manafort e Trump.

Quem optou também por um contacto indireto através de intermediários foram Carter Page e Michael Cohen, respetivamente o conselheiro de Trump para a política externa no decorrer da campanha eleitoral e o advogado do Presidente. Desde encontros com oficiais russos em julho do ano passado até conversas com Felix Sater, americano de descendência russa que é proprietário de uma agência imobiliária, e Andrii Artemenko, político ucraniano, onde terá sido discutido um plano de paz para a Ucrânia cujo objetivo seria o  controlo a longo-prazo do território ucraniano pela Rússia, as conexões russo-americanas tornam-se cada vez mais evidentes.

Ouro negro

Rex Tillerson, Secretário de Estado dos EUA, apostou no estreitamento de laços com a Rússia através do ouro negro: tendo trabalhado durante mais de 40 anos com a ExxonMobil, empresa multinacional de petróleo e gás, com forte presença em território russo, recebeu um prémio de amizade por parte do Kremlin em 2013, e é amigo próximo de Igor Sechin, oficial do Kremlin e líder da fação Siloviki, lobby destinado a agentes dos serviços de inteligência ucranianos.

À medida que se investiga mais sobre Trump e, consequentemente, sobre a Rússia, o cerco aperta: segundo o New York Times, Jared Kushner, genro de Donald Trump, reuniu-se com Michael Flynn e Kislyak na Trump Tower em Nova Iorque, em dezembro, sendo que o tema dessa conversa de cerca de vinte minutos se baseou no estabelecimento de uma “linha de comunicação entre o futuro governo dos Estados Unidos e o Kremlin”, de acordo com afirmações de Sean Spicer, porta-voz da Casa Branca.

 

  Descomplicador:

Discute-se quais são os aliados de Vladimir Putin que se encontraram com  membros do governo de Trump antes e após as eleições presidenciais e que consequências essa troca de informações terá para os Estados Unidos.

 

 

 

 

mariamoreirarato19@gmail.com'
Publicado por: Maria Moreira Rato

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