E tudo o tempo mudou? Um resumo das principais eleições na Europa em 2017

Depois de 2016 ter trazido surpresas como a vitória do Brexit, no Reino Unido, e a eleição de Donald Trump, nos Estados Unidos, vive-se hoje um período de forte agitação política. Para 2017 estão agendadas eleições em 12 dos 28 países da União Europeia e os equilíbrios democráticos podem vir a ser postos em causa. O Panorama fez um resumo sobre os principais factos: os países em causa, os candidatos e o seu posicionamento político, as sondagens e o calendário eleitoral.

Em sete Estados europeus, vão realizar-se eleições presidenciais ou legislativas – Alemanha, Bulgária, Eslovénia, França, Hungria, Países Baixos e República Checa. Em cinco outros países, serão eleitos os representantes para os poderes locais – Dinamarca, Estónia, Finlândia, Portugal e Reino Unido.

As eleições nos Países Baixos, em França e na Alemanha estão a ser seguidas com especial atenção. Isto deve-se a dois fatores fundamentais: por um lado, estes são países com grande influência nas decisões sobre as políticas europeias; por outro, nos Países Baixos e em França, as sondagens apontam para resultados muito expressivos, senão vitórias, de candidatos de extrema-direita.

O cenário eleitoral é muito diferente para cada um destes países.

Nos Países Baixos, Geert Wilders, candidato da extrema-direita do Partido pela Liberdade (PVV), tem disputado o primeiro lugar nas sondagens com o atual primeiro-ministro, Mark Rutte, do Partido do Povo pela Liberdade e Democracia (VVD) (14% e 16,6%, respetivamente). Até há pouco tempo, Wilders ocupava o primeiro lugar nas sondagens, mas Rutte passou à frente nos últimos dias. Em terceiro lugar, surge o partido Democratas 66 (D66) (12,1%).

Em França, as sondagens sugerem que o candidato não será eleito na primeira volta. Num primeiro momento, os números apontam para uma vitória de Marine Le Pen (27%), da Frente Nacional (FN), e de Emmanuel Macron (24,5%), do partido Em Marcha! (EM!), ou François Fillon (20%), d’Os Republicanos (LR). Na segunda volta, as sondagens indicam uma vitória de Macron sobre Le Pen (61% contra 39%).

Ao contrário destes dois países, a Alemanha tem na frente das sondagens dois candidatos de partidos com tradição governativa: Angela Merkel (33%), representante da coligação União Democrática Cristã/União Social Cristã (CDU/CSU), e Martin Schulz (32%), do Partido Social Democrata (SPD). Em terceiro lugar, com cerca de um terço da intenção de votos (10%), surge o recém-criado partido de extrema-direita: Alternativa para a Alemanha (AfD), representado por Frauke Petry.

Os candidatos com melhores resultados nas sondagens nestes três países encontram-se concentrados na metade direita do espetro político. Em qualquer um dos casos, a extrema-direita está representada nos partidos com mais intenções de voto.

A primeira das três eleições ocorre já no dia 15 de março e vai decidir quem será o próximo primeiro-ministro dos Países Baixos. Os resultados eleitorais neste país vão ter implicações nas campanhas eleitorais em França e na Alemanha. Caso se confirme o apoio alargado a Wilders, os partidos de extrema-direita nos outros países poderão ver reforçada a sua mensagem. Os futuros equilíbrios políticos na Europa (e, de alguma forma, no mundo) estão, em grande parte, dependentes das eleições a que este ano vamos assistir.

 

Descomplicador

 

Em 2017, haverá eleições em vários países da União Europeia. Alguns destes processos eleitorais estão a ser seguidos com especial atenção, por terem como protagonistas candidatos que podem pôr em causa a ordem europeia. Nos Países Baixos e em França, por exemplo, as sondagens apontam para uma disputa da vitória por partidos de extrema-direita. A 15 de março, a Holanda dá o pontapé de saída e os resultados são muito aguardados pelo impacto que possam ter nos outros países.

margarida.alpuim@gmail.com'
Publicado por: Margarida Alpuim

Existem 2 comentários a este artigo
  1. norograca@gmail.com'
    Graça Noronha at 23:44

    Artigo de muito interesse e de leitura agradável e fácil.
    A apresentação dos mapas e esquemas ajudam-nos a acompanhar o texto e retemos com mais facilidade tudo aquilo que nos é descrito.

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