Trump e a política anti-imigração: será esta novela coerente?

Se em janeiro Donald Trump acreditava que a restrição à entrada de imigrantes de países muçulmanos era necessária porque eles causariam “tremendos problemas” aos Estados Unidos, agora o Presidente começa a recuar nas suas medidas.

Em janeiro, foi decretada a Ordem Executiva 13769, cujo título Protecting the Nation from Foreign Terrorist Entry into the United States deixa margem para pensar que todos os países abrangidos pela mesma constituem um perigo para a maior potência mundial. Para muitos, a ordem foi vista “apenas” como a suspensão do Programa de Admissões de Refugiados aos Estados Unidos durante 120 dias; no entanto, ela contém outra medida: a proibição da viagem de cidadãos da Líbia, do Irão, do Iraque, da Somália, do Sudão, da Síria e do Iémen (que pretendem obter vistos) no país por noventa dias.

Após manifestações por várias cidades dos EUA, académicos a afirmarem que não existe uma relação direta entre a imigração e a criminalidade e uma elevada quantidade de pessoas ter revelado o seu desagrado perante aquilo que parece ser um muslim ban, Trump retirou o Iraque da sua lista “negra”, tendo por base a melhoria dos procedimentos de seleção, triagem de vistos e partilha de dados relativos à imigração. Donald Trump foi também pressionado pelo Pentágono e pelo Departamento de Estado (departamento executivo federal dos Estados Unidos responsável pelas relações internacionais), que realçaram o papel iraquiano no combate contra o Estado Islâmico e o Levante.

Aparentemente, o Iraque aceitou “aumentar a cooperação com o governo norte-americano no que diz respeito aos cidadãos que solicitam vistos para viajar até aos Estados Unidos”, como se pode ler na justificação do levantamento da restrição.

A administração Trump afirmou que apesar desta mudança, o objetivo da política conhecida como anti-imigração permanece igual: manter os presumíveis terroristas fora do país enquanto o governo reformula o sistema para as candidaturas à obtenção de vistos de residência.

Nos órgãos de comunicação social nacionais e internacionais colocam-se várias questões sobre os recuos de Trump: será que a restrição foi “levantada” ao Iraque neste preciso momento devido ao facto de nenhuma autoridade acreditar nas acusações que Donald Trump fez a Obama, acusando-o de ter colocado o seu telefone sob escuta, e consequentemente, o Presidente sentiu a necessidade de ofuscar o assunto? Mais: o Iraque estará assim num patamar tão superior para ser retirado da lista de países cuja entrada de cidadãos “ilegais” é banida? Será que Donald Trump vê frutos entre uma parceria EUA-Iraque que não imagina entre os restantes países que ainda se encontram abarcados por esta restrição?

Descomplicador:

 A Ordem Executiva 13769 previa a entrada ilegal de cidadãos da Líbia, do Irão, do Iraque, da Somália, do Sudão, da Síria e do Iémen, nos EUA, por noventa dias. Na segunda-feira, Donald Trump retirou o Iraque dessa lista.

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Publicado por: Maria Moreira Rato

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