Macron ultrapassa Le Pen nas sondagens para as eleições francesas

A sondagem divulgada esta quarta-feira pela Harris Interactive, conduzida para a France Télévisions, trouxe uma novidade: pela primeira vez, o candidato às eleições presidenciais francesas Emmanuel Macron, ex-ministro da Economia, toma a dianteira, ultrapassando Marine Le Pen.

É uma de muitas novidades de uma preparação atribulada para a primeira volta das eleições, agendada para daqui a menos de seis semanas, a 23 de abril. Esta semana, o candidato da área da direita Alain Juppé acabou por desistir da corrida, mas não sem antes sublinhar que “nunca na V República uma eleição presidencial decorreu numa situação tão confusa”.

Em jogo continuam vários dos atores políticos principais, embora as últimas sondagens atribuíssem bons resultados a uma hipotética candidatura de Juppé. Nesta pesquisa, o candidato centrista Macron situa-se um ponto à frente da líder da Frente Nacional, reunindo 26% das intenções de voto; Le Pen segue logo atrás, com 25%; Fillon, também da área da direita, aparece com 20%; segue-se já com maior distância Benoît Hamon (13%), o candidato do Partido Socialista que recentemente esteve em Portugal para estudar as soluções encontradas pela maioria de esquerda no nosso país, reunindo-se com António Costa e Catarina Martins em encontros individuais.

A Harris Interactive também lança a hipótese altamente provável de a falta de uma maioria dar espaço a uma segunda volta, na qual, segundo esta sondagem, Le Pen não teria hipóteses: confrontada com Macron, os resultados seriam favoráveis ao centrista (65% para o ex-ministro e 35% para a líder da extrema-direita) e no confronto com Fillon, também não ficaria em vantagem (59% para 41%).

Ainda assim, recorda a empresa de sondagens, os resultados de Le Pen nesses cenários hipotéticos (e, já agora, os resultados previstos para uma primeira volta, em que por pouco não se segura na dianteira) não são “negligenciáveis”: recorde-se o caso do pai de Le Pen, Jean-Marie Le Pen (fundador da Frente Nacional), que em 2002 conseguiu apenas 18% dos votos numa segunda ronda das eleições presidenciais.

Os cenários complicam-se numa altura em que os escândalos não são poucos: para além da desistência de Juppé, a imprensa agitou-se esta semana com um jornal de investigação a revelar que Fillon não terá declarado um empréstimo que recebeu de um amigo milionário – a juntar ao escândalo dos empregos fictícios que terá criado para a esposa. Do lado de Le Pen, foi recentemente conhecido o levantamento da imunidade do Parlamento Europeu por ter partilhado imagens do Daesh na sua conta do Twitter (nomeadamente as da decapitação do jornalista americano James Foley); e Macron tem sido obrigado a lidar com rumores sobre a sua vida pessoal, tendo negado um envolvimento homossexual entraconjugal.

 

Descomplicador:

 

As contas da corrida às eleições francesas complicam-se, com o candidato centrista Emmanuel Macron a tomar a dianteira e ultrapassar Le Pen, líder da Frente Nacional.

 

Publicado por: Mariana Lima Cunha

21 anos, natural de Oeiras. Licenciada em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós-graduada em Comunicação e Marketing Político pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Jornalista online do Expresso

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