Autárquicas 2017: Candidatos para todos os gostos

2017 é ano de escolher os governantes locais. As dinâmicas políticas em Portugal intensificam-se: o primeiro-ministro consulta os partidos sobre a melhor data para as eleições autárquicas, os partidos fazem as contas para definir os seus candidatos de forma estratégica e as candidaturas independentes começam a revelar-se. Entre nomes associados a partidos e Grupos de Cidadãos Eleitores, são vários os perfis dos candidatos. O Panorama dá-te a conhecer alguns destes perfis e o que podes esperar de cada um deles nas próximas eleições.

 

Os candidatos independentes

Em rigor chamados Grupos de Cidadãos Eleitores, os candidatos independentes são aqueles que não se encontram associados a nenhum partido.

2001 foi o primeiro ano em que a legislação permitiu as candidaturas independentes nos municípios – nas freguesias isso já acontecia. Desde esse ano, as candidaturas independentes têm vindo a crescer. Nas últimas eleições, os independentes foram a quarta força política, tendo conquistado 13 câmaras, incluindo a Câmara Municipal do Porto, a segunda maior do país.

Para as eleições deste ano já foram anunciadas 15 candidaturas independentes e o presidente da Associação Nacional dos Movimentos Autárquicos Independentes acredita que vai continuar a aumentar o número de independentes eleitos.

Os “falsos” independentes

Muitos dos candidatos independentes são, na realidade, antigos militantes de partidos políticos que se incompatibilizaram com as estruturas. Às vezes, trata-se de falta de identificação com a forma de funcionar do partido, outras o afastamento dá-se porque as candidaturas não são aceites pelas direções dos partidos.

António Cândido, ex-Professor de Direito na Universidade do Minho, numa conversa com o Público, defende que as “candidaturas verdadeiramente independentes” são aquelas que surgem de “movimentos de cidadania genuínos protagonizadas por pessoas que nunca tiveram filiação partidária ou que já não a têm há muito tempo”. Nesse sentido, o académico acredita que a lei devia prever um intervalo de um ano para um ex-militante se poder candidatar como independente.

Nas eleições deste ano, há várias destas situações. A candidatura de Marco Almeida à Câmara de Sintra é um dos casos mais mediáticos. O autarca – atualmente vereador neste município – vai apresentar-se como independente, depois de ter visto a sua candidatura ser renegada pelo PSD, em 2013.

Os recandidatos

Dentro dos partidos, muitas vezes os atuais autarcas candidatam-se para ficar por mais quatro anos. A recandidatura só é possível se os governantes não tiverem atingido os três mandatos consecutivos, de acordo com a legislação que entrou em vigor em 2006.

O Partido Socialista, nas eleições deste ano, anunciou que vai apostar na recandidatura de todos seus os autarcas. Apenas haverá mudança de nomes nos casos em que tenha sido atingido o limite de mandatos ou em que o autarca não se queira recandidatar.

O regresso dos “dinossauros”

Por fim, 2017 será o ano do regresso de nomes de autarcas que marcaram a história política dos seus municípios durante muito tempo.

Narciso Miranda anunciou que vai voltar este ano, enquanto candidato independente a Matosinhos, depois de ter estado ausente em 2013. Narciso Miranda foi presidente da Câmara entre 1977 e 2005 pelo PS, acabando por ser expulso do partido em 2009, por liderar uma lista concorrente à do partido.

Ainda neste capítulo, é de registar o anúncio de candidatura de Avelino Torres – embora ainda não tenha sido formalizada. O antigo presidente da Câmara de Marco de Canaveses (de 1983 a 2005) admite concorrer este ano à Câmara de Amarante, como independente ou pelo CDS.

 

Descomplicador

 

Em setembro ou outubro, os portugueses vão votar para escolher os governantes locais. Os resultados das eleições autárquicas têm influência no equilíbrio de forças entre o Governo e a oposição e, por isso, os partidos escolhem os candidatos a dedo. Ao mesmo tempo, este é cada vez mais um momento de expressão dos candidatos independentes. Como resultado, multiplicam-se os perfis dos candidatos e cada um deles permite perceber um pouco as dinâmicas locais e nacionais.

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Publicado por: Margarida Alpuim

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