Costa, a banca e o país das maravilhas

O sistema bancário português, a integração dos precários na função pública, a sustentabilidade da atual solução governativa ou a possibilidade de Mário Centeno ser presidente do Eurogrupo foram alguns dos temas em destaque na entrevista que António Costa deu esta terça-feira à rádio Renascença.

Sistema financeiro português – “Não vivemos na Alice no país das maravilhas”

BANIF, BCP, BPI, Santander Totta, Caixa Geral de Depósitos e agora o Novo Banco. Foram alguns dos dossiers que o primeiro-ministro considera que o governo já resolveu. O chefe de governo chega mesmo a afirmar que “não vivemos na Alice no país das maravilhas”, mas considera que o sistema financeiro está melhor.

Quando questionado sobre a situação em particular do Montepio Geral, António Costa reafirma a total confiança em Mário Centeno e em Vieira da Silva para a condução deste processo. Neste caso, e visto que a Associação Mutualista é considerada uma IPSS – instituições particulares de solidariedade social – a responsabilidade de supervisão cabe ao Ministério do trabalho. No que ao banco em si diz respeito, o Banco de Portugal e o governo partilham a responsabilidade de supervisão. O secretário-geral do PS conclui que “no conjunto do sistema financeiro é um problema bastante conciso e limitado”.

Ainda sobre a banca portuguesa, António Costa revela que o Estado só ficou com 25% do Novo Banco porque foi uma exigência da Lone Star: “O comprador propôs-se a comprar 75% e não os 100% do banco (…) O Estado não tenciona ficar para sempre com estes 25%”.

Precários na função pública – “Se forem 80 mil, serão 80 mil”

“O governo tem dado prioridade ao combate à precariedade (…) O estado não está acima da lei”, foi assim que o primeiro-ministro começou por abordar o tema. António Costa disse também que o governo não tem nenhum teto máximo, ou seja, se existirem 80 mil funcionários públicos precários, serão todos reintegrados.

Relativamente à questão da existência ou não de um concurso para a integração destes trabalhadores na função pública, o primeiro-ministro afirmou que “quem exerce funções permanentes em condições de precariedade” deve ter um contrato de trabalho permanente.

Solução governativa – “Equipa que ganha não se mexe”

António Costa considera que a atual solução governativa “melhorou a qualidade da nossa democracia”. Sobre a possibilidade de conseguir uma maioria absoluta nas próximas eleições legislativa, o primeiro-ministro prefere não comentar e afirma mesmo que, caso tal acontecesse e houvesse disponibilidade dos parceiros parlamentares, “seria útil” que esta solução continuasse.

O líder socialista afastou também a possibilidade de qualquer acordo antes das eleições.

Mário Centeno no Eurogrupo? – “Não temos como prioridade”

Após as polémicas declarações de Jeroen Dijsselbloem, surgiu a hipótese de Mário Centeno ser presidente do Eurogrupo. António Costa confirmou que essa sondagem foi real. No entanto, e apesar de entender que o ministro das finanças “seria certamente um excelente presidente”, o primeiro-ministro acha que Centeno é mais útil em Portugal.

Descomplicador

Em entrevista à Rádio Renascença, António Costa abordou o futuro do sistema financeiro português, bem como o da maioria parlamentar que sustenta o governo. O primeiro-ministro disse também que o Estado só ficou com 25% do Novo Banco por imposição do Lone Star.

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Publicado por: Duarte Pereira da Silva

20 anos, natural de Lisboa mas "radicado" no Algarve desde cedo. Estudante de Jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social. Colabora com o site desportivo "Bola na Rede".

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