Três factos que não conhecia e que aprendi no Festival Política

Hackathons, iniciativas artísticas e “speed dating” com deputados. Através de atividades diferentes do habitual, o Festival Política teve a intenção de desconstruir a apatia habitual dos cidadãos em relação à participação na política. A primeira edição do Festival decorreu entre os dias 20 e 22 de abril, no cinema São Jorge, em Lisboa, e o Panorama assistiu a algumas das sessões. Deixamos-te com três factos que nos surpreenderam.

Polémica: Contra a homenagem a um homem que salvou trinta mil pessoas?

Aristides de Sousa Mendes, cônsul português em Bordéus, carimbou cerca de trinta mil vistos, em 1940, contra a vontade do regime de Salazar, para permitir a passagem de judeus que fugiam dos nazis, durante a Segunda Guerra Mundial.

Em 2015, a Câmara Municipal de Buenos Aires preparou uma cerimónia de homenagem a Aristides de Sousa Mendes, por sugestão de um grupo de luso-descendentes. A ideia era colocar uma placa comemorativa dos 75 anos do feito, na Praça de Portugal, na cidade argentina.

A cerimónia acabou por ser cancelada por falta de apoio do embaixador de Portugal em Buenos Aires, Henrique Silveira Borges, que se opôs à homenagem. Este gesto foi recebido pela comunidade portuguesa com grande perplexidade e indignação. O Expresso noticiou o acontecimento na altura.

No Festival, foi transmitido, pela primeira vez na Europa, o documentário “Aristides de Sousa Mendes – Um homem bom”, de Victor Lopes, que retrata esta situação. No final da sessão, os participantes tiveram a oportunidade de assistir a uma conversa com o realizador e com um dos netos de Aristides de Sousa Mendes.

Proteção de dados dos cidadãos: Seis anos para pôr em marcha uma lei

A legislação europeia sobre a proteção de dados, que vai entrar em vigor em 2018, começou a ser preparada em 2012.
Porquê tanto tempo para aprovar esta lei? Quem facilitou e quem dificultou o processo? Como se garante que, depois de seis anos de preparação, a legislação é aprovada? Estas são algumas das perguntas a que o documentário “Democracia – Na onda dos dados” dá resposta.

A obra é de Daniel Bernet e passou no Festival, no sábado à tarde. Um filme que tinha tudo para ser aborrecido – representação de processos legislativos na União Europeia – acaba por se tornar viciante.

Quando a responsabilidade de preparar uma proposta na Comissão Europeia é entregue a um eurodeputado de 30 anos, percebemos pelos comentários de políticos e empresários que esta tarefa vai ser uma “luta”. A partir daí, assistimos a uma espiral de tensão: desde longas reuniões de negociação até ao facto de ter sido alcançado o número recorde de pedidos de alteração a uma proposta – quatro mil.

A lei acabou por ser aprovada, em 2015, e este foi considerado um processo exemplar, pela capacidade para encontrar consensos entre os deputados de todas as bancadas.

Anúncio contra a abstenção, feito pela sociedade civil portuguesa, está em sites internacionais

Com o Festival, foi também lançada uma campanha publicitária que tem como objetivo agitar as opiniões sobre a abstenção.

O anúncio é o primeiro do género a ser feito pela sociedade civil e está a ter impacto nos meios de comunicação social e nas redes sociais. O filme já passou nos espaços noticiosos da RTP e da TVI, e está “em vários sites de publicidade internacionais que andam atrás das melhores campanhas”, revelou Rui Oliveira Marques, um dos organizadores do Festival.

Para quem ainda não viu o vídeo de um minuto, o Panorama deixa de novo aqui o link.

Descomplicador:

A primeira edição do Festival Política decorreu entre 20 e 22 de abril. O Panorama esteve lá e trouxe, pelo menos, três informações surpreendentes: um embaixador português opôs-se à homenagem a Aristides de Sousa Mendes, um homem que salvou trinta mil pessoas do regime nazi; uma lei, na União Europeia, pode demorar seis anos até entrar em vigor; um anúncio português contra a abstenção está a ser notícia em sites internacionais.

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Publicado por: Margarida Alpuim

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