Eleições presidenciais francesas de A a Z: Macron versus Le Pen – Cultura, Sociedade, Educação e Ambiente

Os resultados da segunda volta das eleições presidenciais francesas foram bem claros: Macron com 65,79% dos votos (20375156) e, Le Pen, com apenas 34,21% (10593156). Desta vez, analisaremos as restantes diferenças existentes entre os seus programas políticos.

Cultura

Emmanuel Macron Marine Le Pen
A cultura é apresentada como “uma linguagem comum fora da prisão domiciliar das origens sociais.”

O candidato afirmou: “Para se ser um patriota, basta amar o povo francês, a sua história, mas amá-los abertamente.”

Promover a liberdade de associação e de apoio às pequenas estruturas associativas.

Assegurar o respeito pela liberdade de associação nos únicos limites exigidos pela ordem pública e apoiar pequenas estruturas culturais associativas, desportivas, humanitárias, sociais, educacionais, etc., que animem a vida do país.

Se for eleito, Macron criará uma “cultura de passar a juventude” de 500 euros, concedida aos jovens de 18 anos, que poderão gastar esse valor em livros ou outro conteúdo cultural.  Criar uma plataforma digital dedicada à filantropia das heranças populares.

 

Criar uma espécie de “netflix europeia”. Desenvolver o mecenato popular através da criação de uma plataforma digital. 
Lançar um programa Erasmus para profissionais da cultura para promover a circulação de artistas e mecenas. Parar de vender palácios e edifícios estatais. 
Proteger a independência editorial dos meios de comunicação e fortalecer os media, que devem incorporar uma exigência de imparcialidade e de qualidade. Falar abertamente da fusão de canais de serviço público “para uma maior eficiência global.”  Reformar o CSA (Conselho Superior do Audiovisual), com a criação de três colégios: o composto pelos representantes do Estado, o segundo por profissionais e, o terceiro, por  representantes da sociedade civil. 
Será realizado um esforço para melhorar a educação artística nas escolas para manter as bibliotecas abertas aos domingos e à noite. Criar mais cursos dedicados aos setores criativos nos liceus e implementar uma rede de incubadoras de artistas em todo o país.

Restaurar uma verdadeira educação musical geral nas escolas.

Consolidar o apoio ao patrocínio, bem como manter a isenção para obras de arte a partir da base do ISF. Impor a criação de um fundo de investimento de 200 milhões de euros para investir nas indústrias culturais e criativas francesas.  Aumentar em 25% o orçamento para a preservação do património.

Sociedade

Emmanuel Macron Marine Le Pen
Propõe a existência de um país “aberto” que “tem fé nos seus valores”. Isto traduz-se na assunção da responsabilidade de acolher refugiados em cooperação com outros Estados membro da União Europeia.
 
As políticas de Le Pen apoiam-se naquilo que intitula de “preferência nacional”, o que implica a saída de França do espaço Schengen.

 

O antigo ministro da Economia descreveu o acolhimento de estudantes estrangeiros como “feliz” e como “motivo de orgulho”.

Apesar de não ter nenhuma proposta de alteração legislativa, abordou a “melhoria da integração” no decorrer da sua campanha.

Fortalecer as fronteiras, reduzir a imigração para 10 mil pessoas por ano (atualmente, entram 200 mil), restringir as condições para pedido de asilo, assegurar que os imigrantes ilegais são impedidos de obter legalização, expulsar todos os “criminosos e delinquentes estrangeiros” e impor um adiamento de dois anos no cuidado médico gratuito dado a estrangeiros.
Publicar os nomes das empresas que não respeitam a igualdade salarial entre mulheres e homens. Desenvolver um plano nacional para promover a igualdade salarial entre homens e mulheres e lutar contra a insegurança profissional e social.
Macron foca-se na integração das pessoas com algum tipo de incapacidade nos desportos de todos os tipos, amadores e profissionais. Lutar contra o financiamento dos desportos profissionais. 
Fechar as associações e os locais de culto cujos crentes atacam a república francesa. Dar a conhecer todas as religiões nas escolas. Proibir o financiamento público dos locais de culto e das atividades religiosas.
Todas as mulheres podem usufruir da procriação medicamente assistida. Proibir a procriação medicamente assistida a homossexuais e a mulheres solteiras.
Descriminalizar a utilização de pequenas doses de canábis. Quanto às drogas, Le Pen não possui nenhuma medida, mas David Rachline, o seu gerente de campanha, afirmou que a candidata jamais legalizaria a canábis.

 Educação

Emmanuel Macron Marine Le Pen
Restaurar os percursos bilingues e o ensino do grego e do latim na faculdade. Para a candidata da Frente Nacional, é importante garantir “a transmissão de conhecimentos através do reforço de competências básicas”, como o francês, a história ou o cálculo. Na escola primária, quer que os alunos passem metade do tempo do ensino a aprender em francês e pretende eliminar o ensino de línguas e culturas de origem (ELCO).
Macron prefere tratar de questões que, na sua ótica, tem uma prioridade superior, como: dar mais autonomia aos estabelecimentos de ensino, pedir aos liceus de ensino profissional e às universidades que divulguem os resultados escolares dos seus estudantes, recrutar entre 4000 e 5000 novos professores para o Ensino Primário e proibir o uso do telemóvel por parte dos estudantes no primeiro ciclo. Cita Jean Zay no seu programa, desejando fazer da escola um “asilo inviolável”, onde as brigas de homens não existem.” Isto aplica-se não só ao secularismo, mas também à neutralidade e à segurança, daí que queira o restabelecimento do uso do uniforme.
Promover o apoio personalizado no decorrer das licenciaturas para diminuir a percentagem de alunos que desistem por se sentirem fracassados e desmotivados.

Aumentar os bolseiros das licenciaturas, pós-graduações e mestrados.

Favorecer a criação de mais faculdades que se tornem prestigiadas a nível mundial e continuar a investir naquelas que já existem.

Aumentar a autonomia das instituições do Ensino Superior através, por exemplo, da possibilidade de criação de parcerias público-privadas e da expansão do número de cursos elegíveis ao abrigo da formação profissional (os denominados cursos técnicos superiores profissionais, em Portugal).

Em relação à universidade, deseja implementar uma seleção com base no mérito, negando o sorteio como um meio de seleção. Marine Le Pen também quer “atualizar as bolsas de mérito” e defender o modelo de ensino superior francês “que exige a complementaridade da universidade e das faculdades.” Finalmente, se eleita, quer expandir maciçamente a alternância entre a aprendizagem e o contrato de profissionalização: “no artesanato, no setor público e privado e melhorar a eficiência da formação profissional”.
Livre acesso à educação para todos. Implementar o ensino pago para filhos de imigrantes.

 Ambiente

Emmanuel Macron Marine Le Pen
Promover a transformação da indústria pecuária, nomeadamente, apoiar a biológica, sempre com o intuito de diminuir o sofrimento animal. Reforçar o controlo dos matadouros.
O diesel emite partículas finas responsáveis pela poluição do ar – a quota desses mercados aumentou de 72% em França, em 2013, para 57% em 2015. Macron pretende aproximar a tributação dos motores a diesel daqueles que funcionam a gasolina. Não quer alterar a tributação dos motores.
A lei sobre a transição energética para o crescimento ecológico tem o objetivo de combater as alterações climáticas de forma mais eficaz e reforçar a independência energética de França relativamente aos outros países e, deste modo, Macron almeja desenvolver as energias renováveis. Desenvolver as energias renováveis excetuando a eólica.
Reduzir o investimento na energia nuclear. França é dotada de 19 centrais nucleares em funcionamento, com um total de 58 reatores. Para Le Pen, faz sentido modernizar e desenvolver o setor nuclear.

Descomplicador:

No quarto artigo da rubrica “Eleições Presidenciais Francesas de A a Z”, comparamos as vertentes cultura, sociedade, educação e ambiente dos programas políticos do recém-eleito Presidente francês, Emmanuel Macron, e da candidata derrotada, Marine Le Pen.

mariamoreirarato19@gmail.com'
Publicado por: Maria Moreira Rato

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