Macron é o novo Presidente de França. E agora?

Emmanuel Macron venceu as eleições presidenciais deste domingo em França com uma clara vantagem: 66,1% dos votos contra 33,9% de Marine Le Pen. No discurso de vitória, o Presidente recém-eleito agradeceu os votos que lhe deram a presidência e de seguida falou para uma França que considera dividida: “Conheço as cóleras, as dúvidas e as ânsias que exprimiram. A minha missão é lutar contra todas as formas de desigualdade, garantindo a união do país”. Concentrado em lamber as feridas deixadas por uma campanha crispada, Macron falou de união e lembrou a importância do projeto europeu, avisando que se a Europa se começar a desintegrar o problema não é apenas estrutural: “é a nossa civilização que está em jogo”, alertou.

Emmanuel Macron herda um país dividido mas também desiludido. Prova disso mesmo é a abstenção, que ficou pelos 25%, um valor superior aos registados em 2012 e em 2007. Ainda que com uma taxa de participação baixa, os franceses elegeram ontem o Presidente mais novo de sempre em França. Uma característica que muitos analistas temem que possa ser uma menos valia durante a presidência de Macron.

As dúvidas em torno do futuro de França são muitas, mas as primeiras reações foram positivas. Quer a nível de mercados – as bolsas europeias e o valor euro subiram – quer a nível diplomático. As reações internacionais à vitória de Macron e à derrota de Merkel começaram a surgir logo depois das primeiras projeções e quase todas apontavam no mesmo sentido: alívio e satisfação. Angela Merkel, Donald Tusk e Jean-Claude Juncker felicitaram Macron e lembraram a importância da vitória para os destinos da Europa.

A derrota vitoriosa de Marine

Marine Le Pen reagiu menos de uma hora depois de conhecidas as projeções que davam a vitória a Emmanuel Macron. E apesar de reconhecer a derrota, a candidata de extrema-direita disse que os números que obteve são um resultado histórico. E de facto foi-o para o partido. Nunca a Frente Nacional tinha tido uma votação tão expressiva. E, percebendo isso, Le Pen olhou para o futuro e anunciou que pretende “transformar o movimento numa nova força política”, deixando antever que pode não ficar por aqui a luta que Le Pen quer travar.

A candidata de 48 anos já tinha tentado desassociar-se da imagem que o próprio pai tinha dado à Frente Nacional. Tinha começado por deixar cair o “Le Pen” do nome usado na campanha para ser apenas Marine. E, já na segunda volta, tinha suspendido as funções que tinha no partido para ser uma candidata de “todos os franceses”. A criação de uma nova força política será o consumar de uma rutura que vinha sendo cada vez mais evidente.

E agora?

Seguem-se as eleições legislativas francesas, que acontecem a 11 e 18 de junho. As campanhas vão voltar às ruas e Macron espera confirmar no parlamento a preferência que o povo francês expressou neste domingo. Não será uma tarefa fácil, até porque, e ao contrário do que acontece nas presidenciais, os resultados podem obrigar a que se assinem acordos com outras forças políticas. Uma realidade que pode ajudar a perceber para que lado vai pender o novo Presidente francês, que sempre se apresentou como centrista e recusou os rótulos tradicionais de “esquerda” e “direita”.

Descomplicador:

Emmanuel Macron foi eleito o novo Presidente de França com 66,1% dos votos. Marine Le Pen conseguiu alcançar 33,9%, quase 11 milhões de votos. Aquele que será a partir de agora o Chefe de Estado francês reconheceu que recebe em mãos um país dividido e espera agora conseguir “unir a nação”. Uma tarefa que não será fácil, até porque a 11 e 18 de junho há eleições legislativas em França, e as contas podem voltar a baralhar-se.

Publicado por: José Pedro Mozos

23 anos, natural de Lisboa. Aos dezasseis anos percebeu que a sua vocação era o jornalismo. Licenciado em jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós graduado em Jornalismo Multiplataforma pela FCSH – Universidade Nova de Lisboa. Entre março de 2016 e junho de 2017 passou pela SIC Notícias. Faz parte da editoria de política da Revista VISÃO desde julho de 2017. Acredita no jornalismo como sendo um dos pilares de qualquer democracia. Atualmente, faz parte do Conselho Editorial do Panorama.

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