FAP no Bairro: Somos o que partilhamos

Foi com a citação “We Are What We Share” de Charles Leadbeater, autor britânico e conselheiro oficial de Tony Blair, que a FAP no Bairro iniciou o seu plano social de 2012. Dois anos antes, havia sido proposto um desafio à Federação Académica do Porto: a criação de um espaço físico que evocasse a capacidade de intervenção social dos estudantes universitários e, de facto, o projeto nasceu a 6 de dezembro desse mesmo ano. Sete anos depois, o Panorama conheceu este projeto ambicioso e único em território lusitano.

O ano de 2010 foi um marco especial na FAP (Federação Académica do Porto) na medida em que passámos a ter mais um objetivo-chave: a fundação de um Centro Comunitário exclusivamente concebido e coordenado por estudantes. No momento da assinatura do protocolo com a Câmara Municipal do Porto (CMP), e dando logo início às suas primeiras atividades, abriu portas de forma mais permanente a 21 de fevereiro de 2011. Desde então agrega inscrições no seu banco de voluntários, que juntamente com o Coordenador Local garantem o seu funcionamento, mudando positivamente o dia-a-dia de algumas dezenas de utentes, maioritariamente crianças e pré-adolescentes”. Foi deste modo que Ana Luísa Pereira, Presidente da Federação Académica do Porto, nos apresentou a FAP no Bairro, que prima pela localização, o dinamismo, a união dos colaboradores e colaboradoras e, acima de tudo, a diversidade dos projetos existentes.

No final de 2014, “e com provas dadas no Bairro do Carriçal”, como Ana Luísa referiu, foi inaugurado um segundo centro no bairro Dr. Nuno Pinheiro Torres, que já consolidou a sua atividade na comunidade. No último 25 de abril, o centro da FAP no Bairro do Caniçal foi reaberto após ter sido encerrado para obras de melhoria, o que consistiu na materialização do “sonho de expansão da FAP no Bairro”.

Já Cláudia Esteves, vogal da Direção da FAP e responsável pela área social da Federação Académica do Porto, acredita que “talvez a maioria da população não tenha conhecimento deste projeto, mas isso está a mudar, muito devido ao dinamismo muito próprio do projeto e ao poder das redes sociais”.

Cláudia subscreve a opinião de Ana Luísa naquilo que concerne à expansão do projeto: “Pretendemos acima de tudo consolidar a nossa intervenção nos espaços onde já estamos, mas queremos sempre… ir mais longe! Estamos neste momento a estudar essa possibilidade, perceber se os estudantes fazem voluntariado no seu local de residência, no local onde estudam… queremos um local onde faça sentido a nossa intervenção e onde tenhamos voluntários disponíveis para nos ajudar no projeto, sem eles nada disto seria exequível”, afirmou.

É certo que a FAP no Bairro é um projeto alimentado por universitários, mas existe um protocolo com a Câmara Municipal do Porto – contudo, Ana Luísa garante que “menos de 0,5% do orçamento da FAP é constituído por apoios financeiros provenientes do erário público”, o que torna a maior parte do investimento realizado neste e noutros projetos proveniente de fundos da FAP. A presidente da federação não deixa de acrescentar: “Vemos com muita alegria o apoio do município a este projeto, e nunca deixamos de o agradecer e reconhecer, mas a realidade é que os centros FAP no Bairro são suportados na maior parte por fundos próprios, recursos sem os quais não seria possível continuarem a funcionar”.

Continuando a tratar o tópico das parcerias, no site deste projeto, entende-se que a Universidade do Porto, o Instituto Politécnico do Porto e a Universidade Católica do Porto também possuem missões essenciais na FAP no Bairro. Ana Luísa Pereira rematou: “Todas as instituições da Academia do Porto (públicas ou privadas) são importantes e todos os que quiserem contribuir para este projeto são sempre bem-vindos”.

No que diz respeito aos voluntários e voluntárias, têm “responsabilidades enquanto cidadãos que se comprometem com uma organização”, como: desempenhar de forma zelosa as suas funções, respeitando a matriz identitária da FAP e contribuindo para o seu prestígio; cumprir e fazer cumprir o Plano Social do Centro Comunitário FAP no Bairro na medida do que lhes for apresentado; zelar pela boa utilização dos recursos da FAP no Bairro ou prestar colaboração na dinamização das atividades. Ana Luísa revelou a possibilidade da expansão do projeto: “Atualmente, a FAP no Bairro conta com cerca de quarenta voluntários distribuídos pelos dois centros comunitários existentes, mas com muitos mais inscritos e com vontade de dar o seu contributo; por esse mesmo motivo, estamos a avaliar a possibilidade de abertura de um terceiro centro comunitário”.

As atividades mencionadas nos planos sociais passam pela Hora do Conto ou o Rastreio a Hipertensão e Diabetes, mas estas são adaptadas e modificadas, se necessário, anualmente. “À medida que vão surgindo oportunidades de visitas fora dos centros, como é o caso da visita ao Jardim Zoológico, a uma das unidades orgânicas de ensino superior da Academia do Porto, Parques Temáticos, etc, vamos adaptando o leque de atividades, e este ano não é exceção”. De facto, existirão dias temáticos e a formação de grupos de dança e futebol e Ana Luísa mostrou também que o facto de os voluntários serem provenientes das mais diversificadas áreas de estudos constitui um autêntico bónus: “Uma das caraterísticas que torna também único este projeto é que, uma vez que os voluntários são oriundos de diversas áreas académicas (da engenharia, à saúde, às letras, etc.), as atividades que cada um promove nos respetivos centro são muitas vezes ligadas à sua área e por isso também estimulam a vontade de saber mais e demonstram quotidianamente que ‘estudar vale a pena’”.

A FAP no Bairro continua a dar cartas e as duas entrevistadas demonstraram o amor que nutrem pela iniciativa abordada: “Como já antes de ser dirigente da Federação fazia parte da Associação de Estudantes da Escola Superior de Saúde do Politécnico do Porto, sempre tive contacto com a FAP no Bairro; acompanhei, inclusivamente, a abertura do segundo centro e o seu crescimento enquanto projeto de intervenção social. Nesse sentido, posso testemunhar na primeira pessoa que a FAP no Bairro tem sido um espaço estudantil para a promoção de harmonia, coesão e bem-estar social, sendo um catalisador na ultrapassagem de obstáculos e dificuldades sociais, presentes nas comunidades locais, contribuindo assim para uma premente mudança à escala global. É esta a FAP que somos!” e, como partilhar é essencial e espelhamos a partilha que realizamos (ou não), Cláudia adicionou: “O alcance e o trabalho da FAP no Bairro nestes últimos anos têm sido notáveis. Somos uma Academia solidária, e, uma Academia inovadora, o nosso objetivo será sempre mudar e adaptar-nos à mudança! A curto prazo queremos alargar a nossa oferta a nível de ‘formação’ nos centros que já existem, queremos dinamizar as atividades com os mais novos. A médio – longo prazo queremos trabalhar na possibilidade de um novo centro, queremos envolver mais estudantes, mais pessoas”.

Descomplicador:

O Panorama dá-te a conhecer o FAP no Bairro, projeto iniciado e mantido por estudantes do Ensino Superior que sentem vontade de intervir ativamente na sua comunidade. Um dos objetivos desta iniciativa da Federação Académica do Porto é que os jovens voluntários realizem atividades em prol da comunidade envolvente, promovendo a aproximação da mesma às instituições universitárias do Porto.

 

mariamoreirarato19@gmail.com'
Publicado por: Maria Moreira Rato

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *