“Pouca vergonha” ou “decisão tomada”? O que os partidos dizem sobre as nomeações do Governo para a TAP

A polémica das nomeações para a administração da TAP parece não ter fim, com os partidos com assento parlamentar a questionarem as decisões do Governo. Este fim de semana foram revelados por Luís Marques Mendes, na SIC, os nomes de Esmeralda Dourado, administradora da SAG, Bernardo Trindade, ex-secretário de Estado do Turismo, e António Gomes de Menezes, ex-presidente da companhia aérea SATA, que serão administradores não executivos da companhia aérea, indicados pelo Estado.

Entre os seis membros indicados pelo Governo estarão ainda os nomes revelados pelo Expresso: Miguel Frasquilho, ex-presidente da AICEP, que será o presidente da administração, com voto de qualidade; Ana Pinho, presidente do conselho de administração de Serralves, e o advogado Diogo Lacerda Machado, que negociou a reversão da privatização e tem sido identificado na imprensa como amigo próximo do primeiro-ministro, como vogais.

Para além dos seis administradores nomeados pelo Estado, que detém 50% do capital da TAP, haverá ainda igual número de administradores do lado dos privados, escolhidos pelo consórcio Atlantic Gateway.

Mas afinal, quais são as críticas que os vários partidos e atores políticos fazem às escolhas do Governo para a administração da TAP?

Entre os críticos mais acérrimos da decisão está o presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, que este sábado falou em Viseu em particular sobre a polémica nomeação de Lacerda Machado, que classificou como uma “pouca vergonha”. Já depois de o ministro Pedro Marques ter declarado à Lusa que Passos Coelho foi responsável por uma privatização da TAP feita “pela calada da noite e já com o seu Governo demitido”, Passos Coelho voltou a falar da polémica, em Évora, para dizer que ainda não percebeu se a participação que o Estado detém na empresa servirá para “mandar ou não mandar na empresa”. “Já percebi que se nomeiam para lá administradores, isso eu já percebi”, acrescentou na sessão de apresentação dos candidatos às autárquicas dos sociais-democratas no distrito de Évora.

Também à direita, o CDS defendeu na segunda-feira que o Governo mostre os documentos que provam que consultou a Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública antes de tomar a decisão: “Não nos passa sequer pela cabeça que o Governo proceda a estas indicações sem ter previamente consultado a própria CRESAP”, declarou o centrista Pedro Mota Soares, na Assembleia da República.

Mas os partidos que apoiam o Governo no parlamento também não ficaram satisfeitos com as escolhas, em particular com a do amigo de António Costa. O Bloco de Esquerda questionou na segunda-feira o Governo sobre os critérios para as nomeações em nome do Estado por apenas um dos seis elementos nomeados ter experiência na área do transporte aéreo, e criticando o facto de não ter havido “nenhuma explicação” para justificar escolhas como a de Lacerda Machado, que “teve intervenção direta, em nome do Estado, em vários processos negociais delicados, nomeadamente a recuperação por parte do Estado do controlo público sobre a TAP”, cita o Diário de Notícias.

Também o PCP se mostrou insatisfeito, falando de “discutíveis opções de gestão da TAP” que “merecem crítica do PCP”.

E o que pensa Lacerda Machado?

O principal visado pelas críticas reagiu na segunda-feira às críticas, falando ao Expresso do “orgulho” que tem na assistência dada ao Governo, com “sentido de serviço público”.

Costa e Marcelo mantêm a calma?

António Costa não mostrou intenções de reavaliar ou de dar aos partidos as explicações pedidas sobre as nomeações, tendo afirmado que “está tomada” a decisão do Governo, durante a visita oficial à Argentina. Para o líder socialista, aqui “não há polémica nenhuma”.

Já o presidente da República, sem se pronunciar diretamente sobre as escolhas do Governo, aproveitou esta terça-feira para sugerir um sistema de audições feito por uma entidade independente antes das nomeações, ou mesmo num concurso público.

 

Descomplicador:

As escolhas do Governo para a administração da TAP estão envoltas em polémica. O nome de Lacerda Machado, advogado e amigo de António Costa, é o que tem sido mais posto em causa pelos partidos com assento parlamentar.

Publicado por: Mariana Lima Cunha

21 anos, natural de Oeiras. Licenciada em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós-graduada em Comunicação e Marketing Político pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Jornalista online do Expresso

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