Marcelo quer novas leis. Partidos querem respostas

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, quer um novo pacote legislativo sobre a temática dos incêndios florestais aprovado o mais rapidamente possível, ou seja, antes das férias parlamentares, tendo já avisado os deputados de que em último caso se adiam as férias. Na sessão evocativa da tragédia, que decorreu hoje no Parlamento, os partidos pediram sobretudo respostas sobre o que falhou.

Marcelo Rebelo de Sousa quer um pacote legislativo que abranja todas as questões à volta dos incêndios, ou seja, não só o combate, mas também a prevenção e a questão do ordenamento das florestas. “Sobre tudo, mas tudo é tudo”, disse Marcelo Rebelo de Sousa ao Expresso, que adiantou também que no Palácio de Belém o pensamento é de que se for preciso adiar as férias parlamentares, que tal aconteça até tudo estar aprovado.

Apesar de ainda não existir acordo entre o PCP, PCP, Bloco e PEV, António Costa vai também debruçar-se nos próximos dias sobre esta matéria, por forma a alcançar os acordos necessários à aprovação dos diplomas.

No entanto, na sessão parlamentar evocativa da tragédia de Pedrógão Grande, que decorreu hoje na Assembleia da República, os partidos procuraram sobretudo respostas. André Silva, do Pessoas-Animais-Natureza, considera que Portugal “já não tem floresta, mas sim uma monocultura de acendalhas”, recordando o “património natural e as vidas animais que se perderam nestes dias”.

Já Heloísa Apolónia, do Partido Ecologista Os Verdes, considera que esta tragédia “impõe responsabilidade politica ao país”, acrescentando que “mais do que imensas reflexões que já foram produzidas aos longos dos anos sobre os fogos florestais, mais do que a produção de novos relatórios” é necessário efectivamente começar a fazer alterações, em particular no ordenamento das florestas.

O líder do Partido Comunista Português, Jerónimo de Sousa, disse no Parlamento que esta tragédia “impõe um cabal esclarecimento de todas as circunstâncias que o incêndio ocorreu”, avisando ainda que este momento não é “para repetir relatórios, mas sim para “concretizar propostas, medidas que nunca saíram do papel ou que foram em sentido contrário” e pedindo ainda que “quando se apagarem os holofotes mediáticos, não permitamos que se volte a cair no esquecimento”.

Assunção Cristas, manteve a tónica de entendimento político, ao dizer que “este é o tempo do luto e da palavra solidária. Para a política ainda é o tempo da quietude e do recolhimento. Chegará o tempo das perguntas e respostas, das responsabilidades políticas e técnicas, dos esclarecimentos e apuramento das razões. O luto também se ajudará a fazer com essa verdade”, acrescentando que “o Estado e o Parlamento, todos nós,temos de procurar e havemos de procurar essas respostas para que nenhuma fique sem ser respondida”.

Embora em extremos opostos no Parlamento, Catarina Martins, líder do Bloco de Esquerda, teve uma intervenção semelhante à de Cristas, ao questionar: “Devemos respostas. Como foi possível? Como chegámos a esta situação? O que falhou?”, repetindo também o “compromisso que se chegará ao tempo das respostas e das responsabilidades”.

Pelo Partido Socialista, a intervenção esteve a cargo de Carlos César, presidente do partido, que considera que esta é “também hora não só de procurar todas as explicações, mas sobretudo de olhar em frente, de actuar”, pedindo ao Parlamento que o faça “sem competições partidárias que não devem ter lugar”.

Por fim, o PSD assumiu o tom mais crítico, através de José Matos Correia, ao dizer que “no passado fim-de-semana, 64 pessoas confiaram que podiam estar nas suas casas, que podiam dar um passeio com familiares ou amigos, que podiam tirar umas merecidas férias. Mas o país não esteve à altura dessa confiança”, acrescentando ainda que a “busca da verdade tem de ser sempre uma preocupação central”.

Descomplicador:

Marcelo Rebelo de Sousa pediu aos responsáveis politicos que aprovem o pacote legislativo sobre os incêndios florestais, mesmo que para isso se tenham que adiar as férias parlamentares. Na sessão evocativa, os partidos pediram sobretudo respostas.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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