#DebateLisboa: o rescaldo da esquerda à direita

Fernando Medina, Teresa Leal Coelho, Assunção Cristas, João Ferreira e Ricardo Robles foram ontem os protagonistas do debate entre os candidatos à Câmara Municipal de Lisboa, transmitido pela SIC/SIC Noticias, com moderação de Rodrigo Guedes de Carvalho. O Panorama foi saber, da esquerda à direita, qual o rescaldo do primeiro frente-a-frente.

A polarização de uma contenda entre Assunção Cristas e Fernando Medina foi uma das principais conclusões tiradas ontem pelo CDS e também por alguns analistas. Francisco Camacho, presidente da Juventude Popular de Lisboa e candidato à Junta de Freguesia de Alvalade, concorda e diz que “Assunção Cristas revelou ser a candidata mais bem preparada, com melhor perfil na hora do debate e com um plano para Lisboa. Fernando Medina está obviamente nesta equação por ser o actual presidente de Câmara, mas francamente creio que se omitiu bastante, deixando variadas perguntas de relevo por responder, revelando até pouco à vontade na confrontação com os demais”, acrescentando ainda que “os outros três candidatos foram claramente inferiores, ora pela falta de preparação, ora pela agenda exclusivamente baseada na crítica negativa, sem qualquer solução estrutural para a cidade”.

José Borges, presidente da Juventude Socialista de Lisboa e candidato à Assembleia Municipal, considera que “a candidata centrista é a melhor preparada da Direita”, mas ainda assim acrescenta que “existem três visões para a cidade. A da esquerda PCP e BE, (com o candidato João Ferreira superiormente preparado ou com mais capacidade de influenciar o debate) propondo alterações profundas do actual funcionamento das instituições camarárias e empresas públicas. A visão da Direita em que, como para ambas a eleição mais importante é garantir o segundo lugar, misturam nas propostas e no discurso político desconhecimento (Teresa Leal Coelho) e irrealismo (Assunção Cristas) aproveitando certos lugares comuns das paixões dos lisboetas para tirar vantagem política”.

Habitação, mobilidade e turismo

Sobre os temas principais do debate, a habitação, a mobilidade e a questão do excesso de turismo, Francisco Camacho entende como natural que tenham sido apontadas como as prioridades para todos os candidatos. “Os dois primeiros são claros problemas com os quais os cidadãos, lisboetas ou não, se deparam na capital”, diz o líder da JP Lisboa, uma opinião que José Borges também tem, tendo em conta que “são as três questões mais relevantes da vida da cidade neste momento. Isto acontece porque outros problemas que antes existiam, como a reabilitação ou a higiene urbana foram ou estão quase totalmente resolvidos. Quem se lembra dos debates há quatro ou oito anos dirá como eles eram então centrais”, lembra o líder da Juventude Socialista da capital.

José Borges acrescenta ainda que “ficou claro no debate a incapacidade de ambas [Assunção Cristas e Teresa Leal Coelho] em libertarem-se desse histórico lesivo”, referindo-se ao governo liderado por Pedro Passos Coelho e que João Ferreira, candidato da CDU foi atacando ao longo de todo o debate.

Já Francisco Camacho, considera que “como foi dito por Assunção Cristas, o turismo é um fenómeno muito positivo, o problema foi que a gestão camarária socialista não soube, nem sabe apetrechar a cidade dos serviços necessários para o turismo fluir e se conjugar com o quotidiano de quem vive e trabalha em Lisboa”, uma área onde considera que “é igualmente relevante, pelo crescimento exponencial que surgiu em Lisboa nos últimos anos, fruto de reformas que foram assumidas pelo anterior Governo, em especial pela mão do CDS”.

Imagem após o debate

Quanto à imagem com que Assunção Cristas e Fernando Medina, os candidatos apoiados por Francisco Camacho e José Borges, respectivamente, saem após o debate, o líder da Juventude Popular considera que Assunção Cristas parte agora com “imagem reforçada, sendo a clara challenger de Medina. Quem tem acompanhada a campanha da Nossa Lisboa sabe que não é qualquer surpresa este tipo de postura. A Assunção Cristas tem estado no terreno há bastante tempo, tendo uma equipa preparada para cidade e para as freguesias. As ideias que surgirão são espelho disso mesmo: compromisso, seriedade e visão para Lisboa por parte de uma equipa muito completa”, diz.

Já José Borges não tem dúvidas que “o cidadão comum que, fora as lunetas partidárias que muitas vezes nos tolda a visão, viu o debate e vive Lisboa, terá entendido ou reforçado a ideia de que Fernando Medina merece os votos para ser reconduzido edil da cidade”, tendo em conta ser “o único candidato que, para além das provas já dadas de uma excelente gestão autárquica, tem uma visão de futuro estruturada para a cidade. Tanto nos planos da habitação, da mobilidade, da higiene urbana ou nos problemas e desafios relativos ao Turismo, é o único candidato que oferece garantias de, através da sua visão de conjunto, estar preparado para continuar a aumentar a qualidade de vida dos lisboetas”.

O próximo debate entre os candidatos à Câmara de Lisboa está agendado para o dia 6 de Setembro na TVI.

Descomplicador:

No rescaldo do primeiro debate entre os candidatos à Câmara de Lisboa, Francisco Camacho, presidente da JP Lisboa considera que Assunção Cristas se assumiu como a única “challenger” de Fernando Medina, enquanto José Borges, líder da JS Lisboa diz que o candidato socialista é “o único candidato que, para além das provas já dadas de uma excelente gestão autárquica, tem uma visão de futuro estruturada para a cidade”.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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