Joana Amaral Dias: “Eu estou sempre com os movimentos independentes de cidadãos”

Joana Amaral Dias é a candidata do Nós, Cidadãos! à Câmara Municipal de Lisboa, tendo-se destacado nos últimos dias pelas prestações nos debates televisivos. Em entrevista ao Panorama, a candidata à autarquia garante “estar sempre com os movimentos independentes de cidadãos”.

O turismo apenas contribuiu para agudizar as dificuldades pré-existentes

Panorama (P): O que é que a motivou a enfrentar um novo desafio eleitoral e que feedback tem recebido ao longo da campanha?

Joana Amaral Dias (JAD): A principal motivação é ser residente em Lisboa, conhecer os seus problemas (tal como todos os que cá vivem), saber que eles se mantêm há anos e que, embora existam soluções, não há vontade política para os resolver e é por isso mesmo que essas questões perduram. Os grandes pontos negros de Lisboa são a habitação e o trânsito/estacionamento, sendo que o turismo apenas contribuiu para agudizar as dificuldades pré-existentes. O diagnóstico está feito (como sabemos, por exemplo, que o eucalipto ou a desertificação do interior contribuem para o drama persistente dos incêndios), mas nada se faz porque tudo esbarra na negligência, interesses partidários e interesses instalados.

P: O facto de ter já enfrentado actos eleitorais por partidos ou movimentos diferentes, entende que a tem fragilizado junto do eleitorado?

JAD: O que fragiliza é andar a acumular cargos e acabar por não fazer nada bem, como ser deputado na Assembleia da República e vereador (como Teresa Leal Coelho do PSD, que acabou por faltar a dois terços das reuniões camarárias) ou deputado europeu e vereador (como João Ferreira do PCP, que faltou a um terço das ditas reuniões). Eu estou sempre com os movimentos independentes de cidadãos e isso é que importa.

O Nós, cidadãos! consideraria um bom resultado eleger-me para a Assembleia Municipal ou como vereadora

P: Entre 2002 e 2005 foi deputada à Assembleia da República pelo BE. Em 2015, foi cabeça de lista por Lisboa da coligação AGIR. Agora, que expetativas tem com o Nós, Cidadãos! ?

JAD: Estou a ver que a pergunta é persistente [sorriso]. Bom, o Nós, cidadãos! consideraria um bom resultado eleger-me para a Assembleia Municipal ou como vereadora, garantindo uma voz crítica, empenhada e presente em Lisboa. Uma voz cidadã e não refém dos ditos interesses, o que tem, como disse, sido o principal entrave para a resolução dos problemas na capital.

P: O Nós, Cidadãos! ainda não havia sido fundado aquando das últimas eleições autárquicas, no entanto, defende uma nova social-democracia. Sente que os cidadãos e as cidadãs estão a aderir às ideias base do partido?

JAD: Penso que, cada vez mais, a opinião pública tem uma visão crítica sobre a vida partidária, está mais interessada em participar e quer ver a sua voz amplificada. Por isso propomos medidas como passar o orçamento participativo da Câmara, dos magros 0,5% para 15%, combinando da melhor forma a democracia representativa com a presença e envolvimento dos eleitores.

Garantir que há espaço e condições para os lisboetas ou para quem goste da cidade e queira viver aqui.

P: Naquilo que diz respeito à Grande Lisboa, câmara à qual se candidata, O Nós, Cidadãos! apresenta ideias como o aproveitamento do espaço de fronteira da capital com as cidades periféricas ou a descentralização do MARL (mercado abastecedor da Região de Lisboa). Que ideias-chave tem para a mudança ou melhoria da capital?

JAD: Um ponto fundamental é garantir que há espaço e condições para os lisboetas ou para quem goste da cidade e queira viver aqui. Isso implica que exista habitação a preços acessíveis. Logo, temos que garantir duas coisas: que apenas uma parte das casas podem ser vendidas no mercado (a fatia de leão tem que ser guardada para quem trabalha em Lisboa, para as famílias carenciadas, etc) – de resto é isto que se faz em muitas capitais europeias; temos que nos assegurar ainda que a própria Câmara (sendo o maior proprietário da cidade) dá o exemplo, reabilitando os imóveis que possui e disponibilizando-os não para turistas ou ricos mas para jovens, famílias, trabalhadores.

P: O Nós, Cidadãos! possui uma secção para prestação de contas no site. A transparência é um dos problemas que tem sido apontado à gestão da cidade. Esse é um dos pontos que pretende alterar? De que forma pretende materializar isso?

JAD: Claro que sim. Materializa-se de modo simples até porque vivemos no século XXI, no milénio da revolução tecnológica.  É uma exigência cidadã  – todas as contas da câmara  – actividades, organismos contratados, dotações orçamentais, etc – devem estar disponíveis on line e em plataformas de simples acesso e consulta, amigas do utilizador, evitando o opaco ou linguagens tecnicistas que apenas visam baralhar.

Precisamos de muito mais estacionamento exclusivo para residentes

P: Quais são as maiores criticas que faz à gestão de Fernando Medina? O que é que considera que é mais urgente reverter no que toca aos projectos para o concelho?

JAD: Além da habitação, os transportes/estacionamento. A municipalização da Carris vai impedir a necessária articulação com os concelhos limítrofes. É impossível fazer uma gestão da circulação neste contexto, posto que entram na cidade diariamente cerca de 400 mil carros. É urgente melhorar o metro, ter mais elevadores nas estações (para bebés, crianças, idosos e cidadãos de mobilidade reduzida), oferecer transportes públicos com mais qualidade e frequência, bem como mais baratos.

Isso não significa diabolizar e perseguir o automobilista porque, por melhores transportes públicos que existam, por vezes precisamos mesmo de usar o carro. Portanto, além da circulação temos que atentar ao estacionamento. Não precisamos de entidades persecutórias como a EMEL que, em vez, de regular o aparcamento, tem como grande objectivo sacar a maior quantia de dinheiro possível aos lisboetas. Precisamos de muito mais estacionamento exclusivo para residentes, parques automóveis nas entradas da cidade e que os alfacinhas tenham (além do sítio onde moram), pelo menos mais duas horas gratuitas de estacionamento diário (para quando vão às compras, apanhar os filhos à escola, etc) e/ou uma segunda zona de aparcamento (local de trabalho).

Com Miguel Dias 

Descomplicador:

Joana Amaral Dias é a candidata do Nós, Cidadãos! à Câmara Municipal de Lisboa e tem como prioridade, segundo revela em entrevista ao Panorama, criar mais condições para os residentes da cidade, para que a sua qualidade de vida saia melhorada face aos dias de hoje.

mariamoreirarato19@gmail.com'
Publicado por: Maria Moreira Rato

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