#DebateLisboa: o rescaldo dos debates à capital

Decorreu na Quinta-Feira, 14 de Setembro, o último debate televisivo em canal aberto entre os candidatos à Câmara Municipal de Lisboa e que reuniu todos os 12 candidatos à autarquia da capital. O Panorama faz um balanço geral com os candidatos à Assembleia Municipal, João Maria Condeixa, pelo CDS (Pela Nossa Lisboa) e com Diogo Leão, pelo PS.

Formato não favorece candidatos

João Maria Condeixa – Pela Nossa Lisboa (CDS/MPT/PPM)

Entre os dois candidatos contactados pelo Panorama, existe unanimidade num factor. O formato do debate prejudica a explicação das ideias por parte dos candidatos. João Maria Condeixa, pelo CDS, diz que “este modelo de debate não permite aprofundar propostas. Ganha aquele que tiver as ideias mais arrumadas e prioridades melhor definidas. Um candidato focado explica-se melhor mas mais que isso, dá mais garantias de eficácia na resolução dos principais problemas”. Diogo Leão, do PS, vai pelo mesmo caminho e diz que “se é comum considerar-se que a democracia fica a ganhar com a equidade para todos os candidatos, e no plano da justiça democrática assim o é, a verdade é que num formato televisivo, com repartições de tempo para réplica e resposta tão curtos e reduzidos, é bastante mais complexo para o cidadão filtrar e acompanhar a explanação de propostas concretas por parte de cada candidatura. Este debate a 12 foi relativamente desinteressante e pouco esclarecedor. Deu pouquíssimo espaço a cada um dos candidatos quer para a apresentação de propostas, quer para o exercício do contraditório”, acrescentando que na sua opinião os partidos com representação nos órgãos municipais mostraram-se mais conhecedores da realidade do concelho.

Habitação, de Medina, e não só

Diogo Leão – PS

O caso da residência de Fernando Medina abriu o frente-a-frente, embora o líder do PSD, Pedro Passos Coelho já tenha dito que os sociais-democratas não farão campanha com este assunto. João Maria Condeixa segue a mesma linha de actuação. “Importante é responder ao desafio da habitação em Lisboa. Prefiro discutir políticas em vez de casos, sobretudo, quando estes surgem em período de campanha”, diz o candidato à Assembleia Municipal pela coligação “Pela Nossa Lisboa”, ao Panorama.

O candidato socialista, Diogo Leão, considera que “as respostas de Fernando Medina ao ataque mesquinho ao qual foi sujeito, não podiam ter sido mais cabais e transparentes. A bem da ética republicana que deve impor limites férreos aos ataques pessoais e difamatórios na vida pública, espero que nenhuma força política procure ressuscitar um não assunto. Ninguém fica a ganhar por dar gás a calúnias gratuitas em período eleitoral”.

Para além da habitação, não só a de Medina, o turismo foi outro dos temas em maior destaque ao longo das duas horas de debate. “O turismo tem-se afirmado como uma força económica fundamental para Lisboa. Não podemos cair no disparate de dizer que há turismo a mais em Lisboa. Temos de saber aproveitar as potencialidades da cidade neste sector e prosseguir o caminho de co-responsabilização dos turistas pela qualidade do nosso espaço público”, diz Diogo Leão. Já João Maria Condeixa sublinha que “temos assistido a posições arrepiantes. De repente, a grande maioria esqueceu-se da Lisboa que tínhamos: de centro deserto, abandonado, escuro e em ruínas. Parece não querer ver um centro reabilitado, com vida, capaz de colocar Portugal no mundo, com um retorno financeiro e social assinalável”, criticando a estratégia de Fernando Medina, ao considerar que “ingressar por políticas restritivas, de limitação, de quotas, é matarmos a galinha dos ovos de ouro”.

Para o candidato centrista, “a melhor proposta é a mais equilibrada: se aumentarmos a oferta, reabilitando o que a Câmara tem devoluto, conseguiremos agir sobre o preço do mercado, baixando-os, sem que tenhamos afectado a procura. Criando uma Lisboa para os lisboetas e para os turistas. Parte da proposta de Assunção Cristas passa por aqui”.

Diogo Leão prefere destacar o “pioneirismo” de Medina na implementação da taxa turística, uma estratégia que “traz para as políticas públicas um retorno financeiro relevante para reinvestir na requalificação da cidade, nos seus espaços públicos e nas suas infraestruturas”.

Vencedor(a)?

Concluídos os três debates televisivos em canal aberto, o nome do vencedor difere de Diogo Leão para João Maria Condeixa. O candidato do PS, Diogo Leão, diz que Fernando Medina foi o mais “esclarecedor, tranquilo, firme e sólido”, acrescentando ainda que “nos três debates foi claro o posicionamento político dos restantes candidatos – primeiro preocupados em entrar em disputa com Fernando Medina e com a visão do PS para Lisboa e só após realçarem as diferenças com quem hoje governa o município é que se concentravam nas perguntas dirigidas pelos moderadores”.

Já o candidato do CDS, MPT e PPM, João Maria Condeixa, não tem dúvidas em afirmar que ao cabo destes debates, “há dois patamares: o daqueles que discutem a presidência da Câmara e o dos outros. Pelos debates percebemos que a adversária de Medina é Assunção Cristas. Tanto em perfil como em propostas. E a verdade é que Medina, mesmo estando no poder e tendo informação privilegiada e flores para fazer – como se diz na gíria política -, ainda assim não conseguiu destacar-se de Cristas”, considerando-a a vencedora destes frente-a-frente televisionados.

Descomplicador:

Diogo Leão, do PS e João Maria Condeixa, do CDS/MPT/PPM concordam que o formato de debate com todos os candidatos prejudica a explicação das propostas. Ainda assim, os dois candidatos à Assembleia Municipal divergem no que toca a encontrar um vencedor. Diogo Leão considera que Medina foi o mais “esclarecedor, tranquilo, firme e sólido”, enquanto João Maria Condeixa diz que Assunção Cristas se afirmou como a verdadeira adversária do actual presidente.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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