Autárquicas35: “A geração mais qualificada de sempre não pode servir apenas para aplaudir”

Autárquicas35: 

O Autárquicas35 é uma série de artigos lançados pelo Panorama, onde conversa com 20 candidatos autárquicos oriundos dos 18 distritos, da Madeira e dos Açores, abaixo dos 35 anos. Nesta série de artigos procuramos perceber a motivação para aceitar o desafio autárquico, as prioridades para as suas freguesias e concelhos e as motivações politicas. Para acompanhar até ao dia 29 de Setembro. 

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Distrito: Funchal – João Pedro Vieira – PS/BE/JPP/PDR/NC – Funchal

João Pedro Vieira tem apenas 27 anos mas acumula já uma forte experiência associativa, fruto da sua carreira académica e agora também no inicio da vida profissional. Médico no Alentejo central, em Évora, este madeirense está agora de regresso ao Funchal para dar o seu contributo na candidatura liderada por Paulo Cafôfo.

Há quatro anos atrás a Coligação Mudança uniu o PS, o Bloco, o Partido Nova Democracia, o MPT, o PTP e o PAN uniram-se para afastar o PSD da liderança do município. Cafôfo reuniu 39% dos votos, face aos 32% do PSD e conseguiu assim um resultado inesperado num dos bastiões sociais-democratas, de onde saiu aliás o actual presidente do Governo Regional.

Este ano a coligação mudou de nome, passou de Mudança a Confiança e com a alteração saíram o PND, o MPT, o PTP e o PAN e entraram o Juntos pelo Povo, o PDR e o Nós Cidadãos.

João Vieira é candidato a vereador pela lista encabeçada por Paulo Cafôfo e para já não alimenta expectativas quanto à eleição. “Da mesma maneira que há quatro anos muitos julgavam ser impossível vencer e durante quatro anos muitos diziam ser impossível governar, o que muitos dizem é que é impossível vencer com maioria absoluta. Apenas nesse cenário integrarei a vereação e aquilo que sei é que antes de mim estão cinco pessoas com muita experiência e muita competência em diferentes áreas”, acrescentando no entanto que está disponível para “acrescentar ainda mais capacidade de trabalho, mais conhecimento, mais energia positiva e, sempre que for preciso, alguma irreverência aqui e ali. O Paulo Cafôfo já sabe que estou disponível e motivado para dar o meu contributo nas áreas que ele entender serem aquelas que melhor se adequam ao meu perfil de formação académica, ao meu percurso pessoal e ao que a equipa necessita”, esclarece o jovem médico.

Aquilo que esta vereação encontrou foi uma Câmara com uma dívida superior a 100 milhões de euros

O candidato da Coligação Confiança faz um balanço muito positivo do primeiro mandato de Paulo Cafôfo, considerando que os primeiros quatro anos “ficaram marcados por dois factos determinantes: por um lado, foi a primeira vez que a “oposição” derrotou o PSD no Funchal em 40 anos e o que muitos diziam é que seria impossível governar, porque não saberia fazê-lo; e, por outro, aquilo que esta vereação encontrou foi uma Câmara com uma dívida superior a 100 milhões de euros, já depois de três resgates financeiros anteriores a 2013”.

Ainda assim, e por considerar que não é possível “mudar os erros de 40 anos em apenas 4”, João Pedro Vieira diz que “na área da juventude é possível ir ainda mais longe”, explicando que são “vectores fundamentais: a educação, o emprego, a habitação e a participação. É preciso continuar a criar condições para o sucesso escolar de todos, através de políticas concretas como a atribuição gratuita de manuais escolares na escolaridade obrigatória e de bolsas de estudo no Ensino Superior; promover a criação de emprego através de estímulos à economia local e de programas direccionados para os jovens; promover o acesso à primeira habitação dos jovens através de programas de arrendamento jovem; e integrar os jovens nas decisões sobre a sua cidade, seja através do Orçamento Participativo e do Programa Participativo, seja através de mecanismos como a Assembleia Municipal Jovem, o Conselho Municipal da Juventude ou o Projecto Jovem Autarca que eu espero ver implementado no Funchal”.

João Pedro Vieira esteve vários anos longe do Funchal, o que não significa afastado, mas também em Lisboa se destacou ao liderar a Associação Académica da Universidade de Lisboa, onde estudou, e ao integrar diversos órgãos da Universidade.

“A experiência associativa marcou-me muito sobretudo por três motivos: primeiro, porque quando exercemos funções como aquelas que eu exerci aprendemos que nem tudo é preto ou branco e que muitas vezes é fundamental encontrarmos um meio-termo para que as coisas aconteçam; segundo, porque aprendi que, apesar disso, não podemos deixar de fazer aquilo que acreditamos ser o melhor, de lutar por aquilo em que acreditamos, não nos podemos tornar demasiado cinzentos ou passamos a ser apenas mais um num sistema onde alguns já se movimentam há tempo demais e onde as relações de poder são muito desequilibradas; e por último, porque da mesma maneira que conheci muita gente boa, honesta, trabalhadora, pessoas super competentes e gente extraordinária, também conheci alguns que nunca deveriam ter sido dirigentes associativos e que garantidamente não deveriam ocupar as posições que ocupam hoje no meio político e social”, diz o candidato em jeito de balanço dos anos que passou enquanto dirigente associativo estudantil.

Só há um objectivo de que não abdico: o de contribuir para, passados mais de 40 anos, mudar o Governo Regional da Madeira

O também presidente da Comissão Regional da Juventude Socialista confessa ainda que “os últimos anos da minha vida foram marcados por uma sucessão de eventos não programados, até aqui correu bem e mais importante do que para onde vou, é como vou – e enquanto for fiel aos meus valores, aos meus ideais e às minhas ideias, para onde quer que vá, sei que vou ser feliz. Só há um objectivo de que não abdico: o de contribuir para, passados mais de 40 anos, mudar o Governo Regional da Madeira”, revela, por achar ainda que, “quando chega a hora da verdade, quando chega a hora de colocar esta geração ao serviço das instituições, de integrar os jovens nos Conselhos de Gestão das Instituições de Ensino Superior, de integrar os jovens na Assembleia da República ou, agora, nos órgãos municipais, aquilo a que assistimos muitas vezes é à exclusão total da nossa geração. Não podemos aceitar isso, a geração mais qualificada de sempre não pode servir apenas para aplaudir, porque aquilo que temos para acrescentar à política é isso mesmo: é a nossa formação, a nossa qualidade, a nossa experiência, aquilo que vivemos noutras experiências, dentro e fora do país”, conclui.

B.I.:

Nome: João Pedro Vieira

Idade: 27 anos

Filiação: Partido Socialista

Concelho: Funchal

Região Autónoma da Madeira

Cargo a que se candidata: Vereador da Câmara Municipal do Funchal

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Descomplicador:

João Pedro Vieira é candidato a vereador pela coligação liderada por Paulo Cafôfo no Funchal. O jovem médico assume que ” a geração mais qualificada de sempre não pode servir apenas para aplaudir, porque aquilo que temos para acrescentar à política é isso mesmo: é a nossa formação, a nossa qualidade, a nossa experiência, aquilo que vivemos noutras experiências, dentro e fora do país”

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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