Luís Júdice: “Lisboa é hoje uma pequena cidade regional da Península Ibérica”

Luís Júdice é o candidato do PCTP/MRPP à Câmara Municipal de Lisboa, depois de em 2013 ter sido o cabeça-de-lista do partido à Assembleia Municipal. Em entrevista ao Panorama, revela as prioridades do partido para Lisboa, mas também a imagem que pretendem passar para o país.

Panorama (P): Depois de em 2013 ter encabeçado a lista à Assembleia Municipal, este ano concorre à Câmara Municipal. O que é que o motivou a aceitar este desafio?

Luís Júdice (LJ): A minha melhor preparação política e teórica sobre os múltiplos assuntos da cidadania e do município de Lisboa. Hoje, sinto-me preparado não apenas para exercer as funções de deputado municipal, mas todas as funções políticas de presidente ou de vereador da Câmara de Lisboa. Claro está que motivar os lisboetas é fazer da nossa cidade não apenas uma grande capital do nosso país, mas uma grande capital política europeia, no quadro do desenvolvimento económico e social, mas também nos domínios da ciência, da educação, da arte, da cultura, do desporto e das novas tecnologias

O trabalho de limpeza do Partido ainda não se encontra completo

P: O PCTP/MRPP tem passado nos últimos meses por várias convulsões internas. Considera que isso pode prejudicar o desempenho eleitoral do Partido?

LJ: No seguimento da campanha eleitoral para a Assembleia da República em 2015, o PCTP/MRPP procedeu a uma limpeza interna de grande envergadura contra a linha revisionista e liquidacionista do grupelho social-fascista encabeçado por Garcia Pereira, expulsando-o das nossas fileiras e reconstruíndo o nosso Partido como um forte partido operário comunista, baseado no marxismo.

O nosso Partido encontra-se hoje muitíssimo mais forte, nos campos teórico, político, ideológico e organizativo.

O trabalho de limpeza do Partido ainda não se encontra completo, mas segue o seu caminho e as eleições autárquicas do concelho de Lisboa irão já este ano revelar francas melhorias.

P: Em 2013 alcançaram pouco mais de 2700 votos. Qual é o objectivo para as autárquicas de 1 de Outubro?

LJ: O nosso objectivo é servirmo-nos das eleições autárquicas do próximo dia 1 de Outubro e, através da propaganda, agitação e organização políticas que proporcionarem, dar a conhecer à classe operária e ao povo português o nosso programa revolucionário comunista.

As autarquias e respectivos órgãos são a forma administrativa como o estado dos capitalistas se organiza ao longo do país, para explorar e oprimir o povo operário e trabalhador.

Através do nosso mandato popular, procuraremos que o município de Lisboa e respectivos órgãos obtenham uma votação maior do que aquela que obtivemos em 2013.

A EMEL transformou a cidade de Lisboa num parque de estacionamento de automóveis

P: O espaço público, os transportes e a habitação são alguns dos eixos estratégicos da sua candidatura. Que medidas considera prioritárias para o concelho?

LJ: Lisboa é hoje uma pequena cidade regional da Península Ibérica, que em cinquenta anos perdeu quase metade da população, de onde foram expulsos cerca de 300 000 habitantes e onde entram diariamente 340 000 automóveis.

A EMEL transformou a cidade de Lisboa num parque de estacionamento de automóveis, onde não há um único lugar para estacionar um veículo e comprar um medicamento na farmácia. Os cães da EMEL perseguem os automobilistas e aplicam coimas desproporcionais nos estacionamentos públicos.

António Costa e Fernando Medina liquidaram o espaço público de Lisboa, os jardins, as matas e devastaram sem contemplação as zonas verdes.

A Câmara de Lisboa não soube aproveitar as áreas devolutas dos Olivais, das Olaias e de Marvila para criar o Lunaparque da capital, o jardim botânico, as novas escolas e universidades.

Foto: U.Autónoma

Os transportes públicos da capital são insuficientes, são caros e são incómodos. O metropolitano, em cinquenta anos, não chegou ainda às zonas ocidentais da cidade, razão por que mais de cem mil cidadãos de Lisboa não dispõem de transportes públicos seguros, cómodos e baratos.

Devem ser municipalizados os solos de Lisboa, para pôr termo à especulação imobiliária e construir habitação barata para a população lisboeta.

O Partido Socialista prometeu revogar a nova lei das rendas, logo que chegasse ao poder no governo e na câmara, e nada disso fez.

Ao contrário de promessas nesse sentido, os passes sociais não foram reduzidos em nenhum meio de transporte público.

Os transportes públicos devem ser inteiramente municipalizados e devem abranger toda a área metropolitana de Lisboa. As rendas devem ser reduzidas e novas casas devem ser construídas nos terrenos camarários, garantindo-se assim o direito constitucional à habitação.

Deu-se um boom turístico que não parece poder vir a ser controlado

P: O turismo é tido por todos como necessário à cidade, mas também todos concordam que deve ser controlado. Qual é a proposta do PCTP/MRPP neste sector?

LJ: As empresas de transportes aéreos de baixo-custo e a inexistência de actos terroristas praticados no espaço português levaram a um desenvolvimento descontrolado da chamada indústria turística. Deu-se um boom turístico que não parece poder vir a ser controlado. A qualidade da oferta turística não é sujeita a verificação das entidades criadas para o efeito. A câmara não fiscaliza nem insiste na verificação das regras da construção e da legislação das condições de trabalho.

P: Quais foram os maiores erros de Fernando Medina à frente dos destinos da câmara de Lisboa?

LJ: O abate das árvores e a liquidação das zonas verdes; a inexistência de um lunaparque e do novo jardim botânico de Lisboa. A destruição das avenidas novas, transformadas em arruamento de segunda categoria. A transformação num parque de automóveis, com o domínio absoluto da EMEL, a não municipalização do solo. A não municipalização das empresas de transportes. A regionalização dos transportes na área dos municípios da capital. A manutenção da lei das rendas. A construção civil com a edificação de nova habitação.

Lê mais entrevistas com os candidatos à Câmara de Lisboa AQUI

Descomplicador:

Luís Júdice é o cabeça-de-lista do PCTP/MRPP à Câmara de Lisboa e deixa um conjunto de criticas à liderança de Fernando Medina, sobretudo devido ao protagonismo que a EMEL assumiu na cidade nos últimos anos.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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