Bebiana Cunha: “Queremos (…) transpor esse sucesso a nível local e acreditamos que vamos conseguir fazê-lo”

Bebiana Cunha é a cabeça-de-lista do Pessoas-Animais-Natureza (PAN) à Câmara Municipal do Porto. Membro da Comissão Politica do PAN e cabeça-de-lista pelo partido no circulo do Porto nas legislativas de 2015, Bebiana Cunha, de 31 anos, conversa agora com o Panorama sobre o desafio de liderar a primeira lista autónoma do PAN à autarquia portuense.

O nosso objectivo este ano é muito mais ambicioso

Panorama (P): Encabeçou a lista de candidatos a deputados pelo circulo do Porto nas legislativas de 2015, onde o PAN obteve pouco mais de 2500 votos. É esse o “mínimo” que espera alcançar nestas eleições autárquicas?

Bebiana Cunha (BC): Naturalmente o nosso objectivo este ano é muito mais ambicioso. De 2015 até agora o PAN tem tido uma boa curvatura de crescimento, o que nos leva a acreditar em bons resultados nestas eleições autárquicas. Cada vez mais os Portuenses estão conscientes das mudanças que precisam ser feitas na cidade relativamente a temas como a sustentabilidade, a mitigação às alterações climáticas e a protecção animal e cada vez estão mais sensíveis às causas e valores que o PAN defende. Acreditamos que vamos conseguir atingir o nosso objectivo que é a obtenção de uma representação nos órgãos do Município, nomeadamente a eleição de dois deputados municipais. Agora a bola está do lado dos portuenses, pois no domingo dirão quais as responsabilidades que querem que o PAN assuma. Sabemos que é importantíssimo dar mais força ao PAN, pois queremos ser a voz dos assuntos esquecidos ou relegados para segundo plano.

P: Depois de em 2013 o PAN ter apoiado Manuel Pizarro (PS), este ano decidiu avançar de forma autónoma. Ainda assim, caso elejam um vereador, estão disponíveis para apoiar a governação de outra força partidária? Incluindo de Manuel Pizarro?

BC: O PAN irá sempre apoiar todas as decisões benéficas para o bem comum da cidade e de todos e todas que nela habitam. Acreditamos num Porto mais humanista e mais sustentável e trabalharemos com qualquer força política que partilhe, ainda que parcialmente, desta nossa visão, desde que demonstre medidas e resultados efectivos.

É preciso também começar a criar condições para uma mobilidade suave

P: A mobilidade tem sido um dos temas em maior destaque nos debates televisivos. O PAN pretende implementar na cidade uma mobilidade limpa, mas para conseguir essa “revolução” terão que existir passos intermédios, que soluções apresentam para essa transição?

BC: Para alcançarmos uma cidade sustentável ao nível da mobilidade teremos que começar por algum lado. É urgente antes de mais tornar a rede de transportes públicos existente acessível a todas e a todos, no que diz respeito aos preços, mas também que responda às reais necessidades dos cidadãos (frequência, número de paragens, revisão de zonas). Sendo agora os STCP gestão das autarquias a que servem é um imperativo que a frota seja substituída paulatinamente por veículos eléctricos. É preciso também começar a criar condições para uma mobilidade suave, como criar ciclovias seguras e interligadas, requalificar os passeios, ligando-os e tornando-os acessíveis a pessoas com mobilidade reduzida. A autarquia deve ser proativa no uso e na promoção de veículos eléctricos, incluindo,  mas não exclusivamente, bicicletas. Outro vector importante, sobretudo numa primeira fase de alguma hesitação ou desconfiança relativamente aos electricos, deve a autarquia promover o uso de viaturas (incluindo bicicletas) partilhadas. Estes veículos partilhados já são uma constante noutras cidades europeias e uma óptima opção de transporte também para os turistas. Não esquecer que os estudos dizem-nos que um veículo passa 90% do seu tempo diário estacionado e que após a introdução de uma viatura partilhada, a médio prazo oito particulares deixam ser utilizadas, o que representa também uma solução para os problemas de transito na cidade.

P: O PAN propõe também um centro de bem-estar animal. Qual o investimento para esta iniciativa e de que forma pode ser também uma “força motriz” para outros sectores, nomeadamente, o emprego, etc?

BC: Neste momento, o Porto recolhe os animais da cidade num canil obsoleto e cujas estruturas em nada dignificam a nossa cidade. Um Centro de Recolha Oficial de Animais (CROA), que seja um centro de bem estar animal, permitiria à autarquia cumprir a sua responsabilidade de recolha de animais da vida pública e o seu digno alojamento. Obviamente que um CROA em pleno funcionamento iria dinamizar outros setores com criação de emprego, pois será certamente necessária mais mão de obra especializada para prestar os devidos cuidados aos animais. Paralelamente também um maior apoio social, pois consideramos que é dever da autarquia apoiar as famílias em situação de vulnerabilidade sócio-económica também ao nível dos cuidados médico veterinários. Gostaria ainda de acrescentar que há um forte movimento de cidadãos que se tem disponibilizado a ajudar a autarquia e que podem ser envolvidos num projeto de voluntariado, com regras específicas, onde todos ganham.

É necessário repensar a oferta turística

P: O turismo é também uma preocupação transversal. Por forma a tornar esse turismo amigo do ambiente, que medidas propõe implementar na cidade e sobretudo no seu centro histórico? 

BC: Queremos promover um turismo sustentável, como? Promovendo um turismo de maior duração cujos proveitos sejam suficientes para equilibrar a pegada ecológica. Para tal é necessário repensar a oferta turística, investindo seriamente na qualidade, apostando e incentivando os artesãos a criarem mais produtos locais. Mas é necessário também envolver as comunidades nas políticas de turismo da cidade, desafiando os cidadãos a criarem programas turísticos, com componente educativa ambiental. Queremos criar uma marca diferenciadora de turismo de qualidade, criando rotas específicas de sustentabilidade (ex: alimentação local, biológica, vegetariana). A mobilidade é uma das chaves para um turismo sustentável, devendo a autarquia apostar nos veículos eléctricos partilhados. Não podemos esquecer que o Porto carece de uma infraestrutura verde urbana, pelo que propomos que os espaços verdes da cidade sejam ligados, o que é benéfico para a saúde dos portuenses e cria mais atrações turísticas, encaminhando os turistas para outras áreas da cidade. Como temos defendido, os terrenos abandonados devem ser transformados em hortas urbanas, criando pequenos mercados locais para quem os produz poder escoar estes produtos.

P: De que forma é que entende que o PAN pode beneficiar a nível local da visibilidade nacional que tem conquistado nos últimos anos com a presença no Parlamento?

BC: O objectivo do PAN é replicar a nível local as conquistas que tem conseguido a nível nacional. O trabalho do PAN no Parlamento é exemplar e único na história da política do país, com apenas um deputado. Queremos de facto transpor esse sucesso a nível local e acreditamos que vamos conseguir fazê-lo. Acreditamos que os Portuenses vão depositar em nós o seu voto útil para finalmente o PAN ter uma voz activa na cidade do Porto.

O trabalho do PAN a nível nacional ajuda a uma maior expressão do partido localmente, assim como as conquistas do PAN a nível autárquico vão ajudar ao crescimento do partido como um todo

P: Entende que uma forte presença autárquica é um passo fundamental para o desenvolvimento do PAN enquanto partido mediático? Tem expectativas de que possa dar esse passo no Porto?

BC: Claro que sim. Tal como referi anteriormente, o trabalho do PAN a nível nacional ajuda a uma maior expressão do partido localmente, assim como as conquistas do PAN a nível autárquico vão ajudar ao crescimento do partido como um todo. É muito gratificante quando assistimos ao crescimento que o partido tem tido e que depois destas eleições irá crescer ainda mais. Acreditamos na confiança que os Portuenses depositam em nós e acreditamos que no dia 1 de Outubro o voto no PAN vai fazer a diferença.

Descomplicador:

Bebiana Cunha é a cabeça-de-lista do PAN à Câmara Municipal do Porto e assume que este ano o objectivo do partido é mais ambicioso do que os votos que recebeu no distrito nas legislativas em 2015. A candidata quer uma cidade sustentável na mobilidade e um turismo que corrija a sua pegada ecológica.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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