Inês Sousa Real: “Acreditamos que vamos conseguir conquistar um lugar na vereação”

Inês Sousa Real tem 36 anos e é a candidata do Pessoas-Animais-Natureza (PAN) à Câmara Municipal de Lisboa. Ex-Provedora dos Animais de Lisboa, esta jurista encabeça assim a lista do mais recente partido com assento parlamentar. Em conversa com o Panorama fala sobre os objectivos e as prioridades para o concelho de Lisboa.

Acreditamos que vamos conseguir conquistar um lugar na vereação

Panorama (P): Em 2013 obtiveram mais de cinco mil votos. Este ano, qual é a expectativa do PAN para as eleições autárquicas no concelho de Lisboa? Eleger um vereador?

Inês Sousa Real (ISR): Nos últimos quatro anos o PAN protagonizou um crescimento exemplar a nível nacional, o que acreditamos que se vai reflectir nos resultados das eleições autárquicas deste ano. Acreditamos que vamos conseguir conquistar um lugar na vereação e também aumentar o número de deputados municipais. É esse o nosso grande objectivo.

P: Nas iniciativas que desenvolveu até ao momento, que diferenças nota num PAN que agora tem outro mediatismo desde as eleições legislativas? 

ISR: Desde a eleição do deputado André Silva temos assistido a uma maior consciência das pessoas para temas mais éticos e sustentáveis. O PAN está a crescer e cresce também o número de pessoas que apoiam as nossas causas e valores. Sentimos esse apoio diariamente nas nossas ações de campanha, desde reuniões e visitas a instituições e associações de cariz social, visitas a bairros, presença em feiras e mercados, entre outros. A maioria das pessoas que encontramos não se identificam com as forças políticas tradicionais e depositam no PAN a sua confiança e o seu voto útil.

Somos neste momento o único partido que demonstra preocupações concretas em mitigar a cidade para as alterações climáticas

P: A protecção do ambiente e a mobilidade são duas prioridades para a candidatura do PAN e eu diria que podem andar lado-a-lado. Nesse sentido, qual é a medida a curto-prazo que implementariam nesta matéria?

ISR: Antes de apostar no alargamento das redes de transportes, é urgente garantir que as redes existentes são adequadas a todas e a todos. Falamos obviamente das 18 estações de metro nas linhas Azul e Verde que continuam a não estar preparadas para receber pessoas de mobilidade condicionada, sejam pessoas em cadeira de rodas, idosos ou mães com carrinhos de bebé. Depois, é importante por um lado apostar em redes de transportes eléctricos e por outro substituir a frota de autocarros por veículos movidos a energias renováveis apostando ainda em redes de transportes partilhados. Quanto às zonas onde existe menos densidade populacional, a autarquia deve promover a existência de transporte flexível aproximando a população, nomeadamente a mais idosa e com mobilidade condicionada, dos principais serviços como hospitais ou entidades públicas. Somos neste momento o único partido que demonstra preocupações concretas em mitigar a cidade para as alterações climáticas e é preciso agir desde já.

P: O turismo tem sido também um dos temas mais abordados nesta campanha. Nesta matéria, de que forma é que o PAN pretende tornar o turismo em Lisboa mais sustentável, mantendo e/ou melhorando o número de visitas que a cidade tem recebido?

ISR: Apesar dos efeitos positivos do turismo, que reconhecemos, defendemos que Lisboa deve ter um turismo de qualidade e não de quantidade. Defendemos antes de mais a criação de um estudo de carga turística em Lisboa que nos mostre de que forma a cidade está ou não preparada para receber o número crescente de turistas. Depois há ainda a questão da taxa turística que deve ser canalizada para a habitação dos lisboetas e a questão do alojamento local e do turismo de habitação que devem ser urgentemente regulados. Devem ser criadas novas centralidades na cidade aliviando a pressão turística que se faz sentir no casco histórico, nos transportes e em alguns serviços. Queremos que a experiência do turismo em Lisboa seja benéfica não só para quem nos visita mas também para os lisboetas.

Não pode ser o Provedor a defraudar as expectativas dos munícipes perante a falta de meios para actuar ou até de falta de resposta da autarquia.

P: A Inês foi Provedora dos Animais em Lisboa. Quais foram as maiores dificuldades que encontrou na gestão do PS nesta matéria?

ISR: O Provedor é uma figura de génese histórica e de elevada confiança dos cidadãos pelo que não pode ser o Provedor a defraudar as expectativas dos munícipes perante a falta de meios para actuar ou até de falta de resposta da autarquia. Fui Provedora dos Animais em Lisboa de 2014 ao início de 2017. Foi um caro exercido em regime de voluntariado e que contou com toda a minha dedicação e empenho. Uma vez que o Provedor exercia funções de forma não remunerada, era essencial dotar o gabinete de apoio de todos os meios necessários ao exercício das funções com a necessária autonomia. À data da minha saída tive oportunidade de esclarecer os motivos que conduziram a essa decisão e as dificuldades que eram sentidas. Apesar de todas as dificuldades, congratulo-me por ter deixado a minha marca e por verificar que a autarquia veio a dar resposta ainda que tardiamente a algumas das queixas que eram manifestadas.

P: Entende que uma forte presença autárquica é um passo fundamental para o desenvolvimento do PAN enquanto partido mediático? Tem expectativas de que possa dar esse passo em Lisboa?

ISR: O que está em causa é conseguirmos dar mais representação às pessoas e às causas que defendemos e que até aqui não tinham uma voz activa na cidade. Tal como já referi anteriormente, o PAN é um partido de causas e valores que demonstra preocupações únicas nesta campanha autárquica. Para rumarmos a uma Lisboa mais humana, sustentável e mais amiga dos animais é fundamental aumentar a nossa representação no executivo e na assembleia municipais. O voto no PAN é um voto que garante uma voz activa de todas e de todos na cidade de Lisboa.

Descomplicador:

A candidata do PAN à Câmara de Lisboa, Inês Sousa Real, em conversa com o Panorama, coloca como objectivo eleger um vereador e diz que o PAN é “o único partido que demonstra preocupações concretas em mitigar a cidade para as alterações climáticas” e que pretende dar prioridade à manutenção dos actuais transportes públicos antes de avançar para a sua extensão.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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