Um país envolvido na tragédia dos incêndios

Depois de a 17 de Junho o país ter assistido à morte de 65 pessoas devido a um enorme incêndio em Pedrógão Grande e outras localidades perto, quatro meses depois a lista de vítimas mortais devido a incêndios aumenta. Até ao momento são 32 vítimas mortais confirmadas no pior dia de incêndios florestais do ano: 15 de Outubro. O número está em permanente actualização, com a Protecção Civil a admitir que podem aparecer muitos mais ao longo das próximas horas ou dias.

O país acordou a 15 de Outubro estranhando as temperaturas elevadas, mas longe de imaginar que o dia seria mais uma tragédia. Ao final da noite eram seis as vítimas mortais, mas na manhã de hoje, 16 de Outubro, o número escalou para mais de 30, com várias vítimas a serem encontradas ao longo da manhã, em barracões rurais, ou outros locais de difícil acesso, em particular durante a noite. Ao todo, foram registados 523 incêndios, que envolveram mais de 12 mil operacionais.

A norte do Rio Tejo o Governo decretou estado de calamidade e é dificil encontrar alguém que não esteja, directa ou indirectamente, envolvido nos incêndios. Várias foram as localidades sem acesso a comunicações e mais uma vez a Protecção Civil não teve meios para dar resposta a todas as ocorrências, em mais um dia “extraordinário”, como classificou Constança Urbano de Sousa, Ministra da Administração Interna, numa das várias conversas com a imprensa.

O Secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, disse durante a noite que as populações não podem ficar à espera dos bombeiros e têm que ser as próprias a assegurar a sua defesa e das suas habitações, numa das muitas declarações que tem sido criticada nas redes sociais.

Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa cancelaram já as agendas oficiais, com o Presidente da República a aguardar a normalização da situação para se dirigir ao país e para visitar as zonas afectadas. Também os partidos ajustaram as suas agendas, por forma a estarem por dentro da calamidade, estando praticamente todas as iniciativas relacionadas com a calamidade que se vive, em particular no centro-norte e norte do país.

Várias são também as entidades que se mostraram já solidárias com a tragédia, desde federações desportivas, clubes, associações, IPSS, entre outros, apelando a contributos ou divulgando locais de assistência. Muitos destes clubes e destas associações têm sido também afectados pelos incêndios. Em Leiria, a Base Aérea de Monte Real abriu para acolher civis e em muitos locais, as Santas Casas ou pavilhões desportivos foram o abrigo para populares que tiveram que fugir das chamas.

A Ordem dos Médicos e a Ordem dos Enfermeiros já apelaram ao reforço de equipas e à assistência às vítimas. Mais de 20 agrupamentos escolares estiveram encerrados hoje ao longo do dia (em Leiria, os directores das escolas pediram mesmo que os alunos voltassem para casa devido à nuvem de fumo) e a Segurança Social voltou a colocar no terreno unidades móveis de apoio às populações, bem como a reforçar a linha de emergência social (144).

A Associação de Apoio às Vítimas de Pedrógão Grande emitiu um comunicado onde pede “perdão pela nossa educação e respeito pelas instituições. Perdão pelo nosso respeito pela democracia e o Estado de Direito. Perdão pela nossa incapacidade de fazer tremer as instituições, chamando-as para a razão e mudança imediata”.

A Ministra da Administração Interna voltou a frisar que não se demite e o Primeiro-Ministro, António Costa, manteve a confiança na ministra com a tutela da Protecção Civil. Marcelo Rebelo de Sousa adiantou já que vai pedir “actos e não palavras”. Para já, o executivo decretou três dias de luto nacional e a Ministra da Administração Interna lidera o grupo de trabalho reunido na sede da Autoridade Nacional da Protecção Civil, onde são de esperar ainda dois briefings ao longo do dia de hoje e de onde tem sido feito o acompanhamento desta tragédia.

Descomplicador:

O país acordou com novos dados de uma tragédia chamada incêndios. 32 mortos é o número oficial, mas não definitivo. O governo decretou já três dias de luto nacional e o estado de calamidade nos distritos a norte do Rio Tejo. Marcelo Rebelo de Sousa aguarda a estabilização da situação para se dirigir ao país e para visitar as zonas afectadas.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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