A noite de Stephen Hawking e a noite em que se afagou o ego a Lisboa

A MEO Arena, perdão, Altice Arena, estava esgotada para a noite de abertura da Web Summit 2017. O evento “da moda”, lotou a maior sala de espectáculos do país, com filas a fazer lembrar as grandes noites de rock que se viveram naquela sala. Stephen Hawking foi a surpresa da noite, mas Lisboa foi a protagonista.

A Web Summit mistura o conceito americano de grande conferência mundial com uma preocupação europeia de pensar o futuro. Paddy Cosgrave incorpora na perfeição este conceito, ao ser ele próprio um dos motores do pensamento da tecnologia: para que serve, como deve servir o mundo, como deve ser mantida a alguma distância.

Na abertura da Web Summit, o físico britânico Stephen Hawking foi a grande surpresa, ao intervir através de um vídeo em que se dirigiu à audiência para falar sobre os benefícios e malefícios da Inteligência Artificial. Ninguém melhor que uma das mentes mais respeitadas do mundo para dar o pontapé de saída para mais uma Web Summit que se quer de reflexão sobre a utilidade da tecnologia para a humanidade. Hawking foi introduzido por Nuno Sebastião, fundador da Feedzai e considerado pela Exame o melhor gestor português abaixo dos 40 anos.

Bryan Johnson foi o “motivational speaker” da noite. O homem que vendeu a sua empresa por 800 milhões de dólares ao eBay e se dedicou à Kernel, uma startup que trabalha sobre a mente humana, falou sobre a necessidade de aproveitar a “revolução” para fazer o bem.

A Comissária Europeia para a Competitividade, Margrethe Vestager esteve à conversa com Kara Swhisher, editora executiva da Recode, naquilo que se tornou um frente-a-frente entre a posição europeia e a norte-americana, embora com críticas por parte da moderada à actuação dos Estados Unidos. Vestager salientou que “alguns algoritmos têm que ir aprender direito antes de saírem”, acrescentando que “todos queremos ser a Google”, mas que é preciso tentar sê-lo sem ultrapassar as autoridades.

António Guterres, numa pose muito mais descontraída do que aquilo a que estamos habituados, abordou os efeitos colaterais do crescimento e tentou apelar ao coração dos empreendedores para que criem negócios à volta das grandes questões mundiais, das quais se destacou o ambiente. “O negócio verde é o bom negócio”, disse o Secretário-Geral da ONU, que dedicou muita da sua intervenção à questão das alterações climáticas.

António Costa e Fernando Medina foram os embaixadores de Lisboa, num verdadeiro “pitch” sobre a cidade e o país. Fernando Medina ofereceu a Paddy Cosgrave um astrolábio, que simbolizou o facto de “Lisboa ter sido a capital do mundo há cinco séculos. De Lisboa partiu uma grande aventura que uniu a Humanidade. O que fazemos aqui hoje é reviver essa grande aventura que parte de Lisboa. Há 500 anos foram os navegadores, hoje são vocês. Os empreendedores”, disse o líder da autarquia debaixo de uma música épica a terminar a noite de abertura em festa, com o palco composto de jovens empreendedores.

O tiro de partida foi dado, para quatro dias de empreendedorismo, a partir da capital portuguesa

Descomplicador:

Paddy Cosgrave, Nuno Sebastião, Bryan Johnson, Margrethe Vestager, Fernando Medina, António Costa, António Guterres e Stephen Hawking foram os oradores da abertura da Web Summit 2017, numa Altice Arena esgotada.

 

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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