Movimento pelo Interior – Precisa o Interior do País de Movimento?

Historicamente esta sempre foi uma discussão tida em todo o país, mas principalmente por quem habita no Interior, se de facto este Interior que conhecemos hoje está a ser marginalizado face ao Litoral.

É comum ouvirmos falar em “territórios de baixa densidade”, “territórios desafiantes” e de “territórios periféricos e marginais”, contudo estas sempre foram declarações avulsas de algumas personalidades do Interior, ou porque realmente sentiam na pele aquilo que diziam, ou porque politicamente lhes era conveniente naquele momento colocar novamente a tónica sobre estes assuntos, contudo um bocadinho à imagem de grande parte da sociedade portuguesa muito se “berrava”, mas pouco se fazia.

Recentemente foi criado um movimento designado por “Movimento pelo Interior” com a prepotência de Álvaro Amaro, Presidente da Câmara Municipal da Guarda e Presidente dos Autarcas Social Democratas; Rui Santos, Presidente da Câmara Municipal de Vila Real e Presidente dos Autarcas Socialistas; António Fontaínhas Fernandes, Reitor da UTAD e Presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas; Nuno Mangas, Presidente do I. P. Leiria e Presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Politécnicos de Portugal; Fernando Nunes, Empresário e Presidente do Grupo Visabeira; Rui Nabeiro, Empresário e Fundador do Grupo Delta e José Silva Peneda, ex-Presidente do Conselho Económico e Social, que trouxe para cima da mesa dados efetivamente preocupantes, senão ora vejam:

    • De acordo com projeções do Instituto Nacional de Estatística, a população residente em Portugal tenderá a diminuir até 2080, passando dos atuais 10,3 para 7,5 milhões de habitantes;
    • Segundo dados do Banco Mundial, em termos relativos, só em 2014, Portugal registou a quinta maior perda populacional do mundo;
    • Acresce a esta preocupação o facto de, segundo o INE, 50% da população se concentrar em 33 municípios da faixa litoral, que representam apenas cerca de 11% do total dos municípios portugueses;

É consensual para todos, independentemente das ideologias politicas, que este é um cenário preocupante, aliás a confirmar-se é um cenário desastroso, isto porque o país nos últimos 40 anos não se preparou para esta realidade e conhecendo desde já a mesma continua a não se preparar.

E é aqui, tem de ser aqui que o “Movimento pelo Interior” tem de atuar, o movimento e toda a sociedade civil como a pluralidade deste grupo de pessoas assim o demonstra. Silva Peneda dizia sobre o tema que “As reformas que defendemos só podem ser feitas com um grande consenso político. Uma força política, sozinha, por mais força que tenha, não consegue levá-las a cabo”

Não importa aqui ser de direita ou esquerda, ser do subsistema Universitário ou Politécnico, ser Empresário ou Bancário, ser estudante ou trabalhador, importa sim começar desde já a deixar as lamúrias de lado, a deixar os aproveitamentos políticos de lado e a começarmos todos a olhar para esta realidade com o mesmo objetivo.

O Interior está carente disto, não apenas de coesão territorial, mas acima de tudo de coesão social, de movimento uno.

O primeiro passo está dado, esperemos agora, ou não, a materialização de uma série proposta feitas a este Governo, com a certeza, porém que a não serem cumpridas é uma mancha impossível de ser retirada. Têm aqui a oportunidade de dar o pontapé de saída, esperemos que o façam e que sobretudo todos queiram ir a jogo.

Publicado por: André Coelho

Ex-presidente da Associação Académica da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (AAUTAD).

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