Um ano decisivo

São todos decisivos, é certo, mas há anos mais decisivos do que outros e 2018 promete sê-lo para muitos e por muitas razões.

2018 será um ano decisivo para o país, que na antecâmara das eleições legislativas de 2019 tem um novo líder da oposição, Rui Rio, e novas tendências dentro da coligação. Os sucessos políticos dos últimos anos, sobretudo nos planos económico, financeiro e europeu, três calcanhares de Aquiles inicialmente apontados pela oposição ao Governo da República, fazem antever vida difícil à oposição, mas nem por isso vida fácil à governação, dependente da procura do espaço próprio de cada um dos partidos que a suportam. E há pastas sensíveis que continuam a requerer muita atenção: há desafios sociais que continuam por ultrapassar, nomeadamente quando falamos da população mais desfavorecida; os problemas da Saúde continuarão a gerar tensões permanentes; o debate em torno das liberdades, direitos e garantias continuará a merecer muita discussão, em temas como a eutanásia ou a legalização das drogas leves; e o próximo Verão colocará à prova a nossa capacidade de resposta e adaptação aos problemas que surgiram no anterior. Estes são apenas alguns dos desafios que vão definir que país vai a votos em 2019 e ninguém no mundo político ficará alheio a eles.

O ano será igualmente decisivo em todas as autarquias do país, que depois das eleições de Outubro cumprirão o primeiro ano de mandato sob o debate constante da descentralização de competências e pela redefinição de ação nas competências que sempre teve, mas que, com problemas como os incêndios do último ano, ganharam uma nova dimensão e urgência de atuação. Já não há matérias inadiáveis, sobretudo nas questões relacionadas com a segurança dos cidadãos, e isso exige de todos os responsáveis políticos maior capacidade ainda de intervenção.

E se em todo o país o ambiente político promete aquecer, na Região Autónoma da Madeira a temperatura será ainda mais elevada, com as eleições regionais de 2019 como pano de fundo. Sem Alberto João Jardim no horizonte, a escolha será entre continuar com os rostos de sempre ou dar a vez a outros. Não é, ao contrário do que por vezes vem sendo dito, a primeira vez que o PSD será verdadeiramente colocado em causa, mas será, garantidamente, a primeira vez que o PSD sem Alberto João Jardim demonstrará quanto vale afinal – e pelo que se tem visto ao longo destes 3 anos de governação, vale ainda menos do que se julgava valer.

É perante um clima político intenso que os partidos políticos, as juventudes partidárias e os jovens políticos de todo o país deverão ter em atenção, no exercício das suas funções de governação, oposição e intervenção política, uma causa que é comum a todos: a de chamar para a reflexão e para a discussão os cidadãos, desde os mais velhos aos mais jovens, na certeza de que avançaremos sempre ao ritmo da sua participação.

2018 será um ano decisivo e 2019 promete ser ainda mais. Até lá, estaremos por aqui, a partir de agora também neste espaço, a avaliar o que vier.

Publicado por: João Pedro Vieira

Vereador na Câmara Municipal do Funchal. Foi presidente da Associação Académica da Universidade de Lisboa e membro do senado da Universidade de Lisboa. Médico.

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