Congresso CDS: as 5 notas de destaque

O congresso do CDS, que decorreu nos dias 10 e 11 de Março, em Lamego, foi sobretudo um conclave de reforço para a líder Assunção Cristas, mas, como em todos os congressos, outros pontos de destaque existiram ao longo dos dois dias de reunião.

  • Tiro de partida para as Europeias

Depois de no congresso anterior ter dado o tiro de partida para as eleições autárquicas, desta vez, Assunção Cristas deu o tiro de partida para as europeias. No Sábado anunciou Nuno Melo como cabeça-de-lista da candidatura do CDS e no Domingo somou os nomes de Mota Soares, Raquel Vaz Pinto e Vasco Weinberg. Os centristas já sabem assim com o que contar para o próximo desafio eleitoral.

  • A disputa pela popularidade entre Adolfo e “Chicão”

São dois dos grandes nomes que saíram deste congresso do CDS. Adolfo Mesquita Nunes já era sobejamente conhecido e reconhecido pelos seus pares, mas Francisco Rodrigues dos Santos, líder da Juventude Popular, ainda procurava ganhar o seu espaço em 2016. Neste fim-de-semana ambos surgiram como figuras do presente, mas sobretudo como apostas para o futuro do CDS.

As linhas ideológicas de ambos, as suas ambições, os seus discursos e a capacidade de intervirem nos bastidores foram seguidos passo-a-passo pela comunicação social durante estes dois dias de congresso. Francisco Rodrigues dos Santos saiu reforçado mais um nome da próxima geração (e certamente com um lugar no Parlamento, depois de tanta insistência), enquanto Adolfo Mesquita Nunes representa o “futuro hoje”.

  • A (tímida) oposição de Lobo D’Ávila e Abel Matos Santos

Filipe Lobo D’Ávila foi a cara da oposição interna durante os últimos dois anos. Neste congresso surgiu mais “tímido”, ao não apresentar uma moção de estratégia global e no primeiro dia de trabalhos anunciou a sua saída do Parlamento, agradecendo a amizade a Nuno Magalhães e garantindo que sai “sem birras”, prometendo fazer oposição de forma leal. O ex-Secretário de Estado e porta-voz do partido apresentou ainda assim uma lista ao Conselho Nacional, onde perdeu três lugares, mas onde garantiu por mais dois anos o seu lugar no “parlamento” do CDS.

Abel Matos Santos, líder da (oficializada) Tendência Esperança em Movimento, jogava neste congresso a existência do seu movimento interno. Cumpriu o que “vem nos livros”: apresentou uma moção de estratégia global e uma lista ao Conselho Nacional, onde elegeu seis elementos e juntamente com Lobo D’Ávila aumentou a representação da oposição interna.

  • A equipa do “Portugal.com futuro”

Foi uma das “lufadas” de ar fresco que este congresso do CDS trouxe à politica nacional. No dia anterior ao inicio dos trabalhos o CDS deu a conhecer a equipa que vai trabalhar no programa eleitoral do partido e que será coordenada pelo vice-presidente, Adolfo Mesquita Nunes.

Essa equipa, integralmente sub-45, integra ainda o escritor e consultor de Marcelo Rebelo de Sousa, Pedro Mexia e a presidente da Associação das Vítimas dos Incêndios de Pedrógão Grande, Nádia Piazza, que integram este grupo como independentes.

A par destes dois nomes, a equipa é ainda composta por Graça Canto Moniz, doutoranda em Protecção de Dados, Ana Rita Bessa, a especialista em educação do CDS, Mariana França Gouveia, advogada, Francisco Mendes da Silva, advogado e presença assídua em programas de comentário politico, João Moreira Pinto, cirurgião e Jorge Miguel Teixeira, mestre em Filosofia e o mais jovem do grupo, com 24 anos.

  • O CDS da “primeira liga”

No conclave em que mais se falou da ascensão do CDS à “primeira liga” no espectro politico do país, o partido apresentou novamente um congresso de “primeira liga”. Com uma forte componente tecnológica, com um fundo dinâmico, com forte presença do audiovisual, onde, por exemplo, os relatórios de actividades foram apresentados em vídeos resumo, o CDS quis dar um sinal de futuro, em contraste com congressos recentes.

Nota ainda para o lançamento da CDS TV, que acompanhou este congresso em directo no YouTube, não só com a transmissão das intervenções, mas com notas de reportagem e entrevistas a algumas das principais figuras do partido.

Descomplicador:

O congresso da reeleição de Assunção Cristas teve outros pontos de destaque, como o protagonismo de Adolfo Mesquita Nunes e Francisco Rodrigues dos Santos, a aposta nas eleições europeias, o grupo que vai construir o programa eleitoral do CDS e ainda a tecnologia utilizada durante o conclave.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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