Um Congresso Nacional para o futuro

O XXI Congresso Nacional da Juventude Socialista irá decorrer nos dias 14, 15 e 16 de Dezembro. Desde o dia 7 de Outubro, com a realização da Comissão Nacional que marcou este processo eleitoral e que elegeu a Comissão Organizadora do Congresso a que tenho a honra de presidir, a Juventude Socialista prepara-se para a sua reunião magna, momento fundamental na vida de uma organização política.

Falar da importância do Congresso Nacional parece relativamente óbvio: em qualquer instituição política, o momento eleitoral cumpre a função democrática e imprescindível da renovação e da prestação de contas. Dito isto, um Congresso Nacional não é apenas uma reunião onde nos encontramos para, delegado a delegado, escolhermos os órgãos nacionais que conduzirão o mandato seguinte. Nem é apenas um momento para olhar para o passado recente e congratularmo-nos pelas coisas boas que fizemos e apontar mudanças para corrigir as falhas. Um Congresso Nacional é, sobretudo, um momento de futuro.

Sobre os tempos vindouros, sabemos que o momento alto de qualquer congresso é a discussão das moções globais de estratégia, a que se juntam as moções sectoriais. É através destes documentos que procuramos definir uma direcção concreta para a nossa actividade política, debatendo propostas políticas, sustentadas numa visão ideológica que nos enforma e que tomamos como guia, a que se acrescentam essas propostas sectoriais. Diria mais: é através destes documentos que contribuímos positivamente para a vida quotidiana da juventude portuguesa e dos cidadãos de forma geral.

Compreendo a reacção de quem, desconhecendo a acção da Juventude Socialista, possa julgar esta afirmação estranha ou ousada. Contudo, se pensar o futuro é também estudar o passado, como poderia dizê-lo de outra forma? Quando a Juventude Socialista se bateu pelo fim do serviço militar obrigatório, não estava ela a contribuir para a juventude portuguesa e a transformar o futuro? Quando pela primeira vez colocou no debate público os direitos LGBT? Quando defendeu o direito à interrupção voluntária da gravidez? Quando reivindicou o direito à adopção por casais do mesmo sexo? Mas também nas propostas que ainda não vingaram, como a limitação salarial no sector privado, combatendo as desigualdades entre chefias e trabalhadores? Ou naquelas que só mais recentemente vingaram, como a redução do valor de propina máximo para duas vezes o Indexante dos Apoios Sociais, como vínhamos fazendo desde 2015?

Como se percebe, o Congresso Nacional não é apenas um momento para os militantes da Juventude Socialista. É sobretudo uma ocasião para pensar o país e o seu desenvolvimento, a emancipação jovem e reflectir sobre o progresso a fazer. Essa tarefa é tão mais importante quando o próximo ano dita eleições europeias, legislativas e regionais, num momento em que a realidade nacional se divide entre a resistência às tendências autoritárias e extremistas que vemos crescer noutros países e a reflexão sobre o próximo passo de uma orientação política governativa que constitui um oásis de esperança no seio da Europa. Por todos os motivos, é isso que pretendemos proporcionar também no XXI Congresso Nacional, um congresso de futuro onde cada jovem se possa sentir representado e possa nele encontrar as soluções políticas que permitam o seu pleno desenvolvimento enquanto cidadão.

Publicado por: Eduardo Barroco de Melo

Presidente da Federação Distrital do Porto da Juventude Socialista. Membro do Secretariado Nacional da JS. Ex-presidente da Associação Académica de Coimbra. Doutorando na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.

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